O Riachense recebe este domingo o Porto Alto. Foto arquivo: mediotejo.net

CLUBE ATLÉTICO RIACHENSE 2 GRUPO DESPORTIVO DE PONTÉVEL 1

Campeonato Distrital da 2ª Divisão da AFS – Apuramento do 3º e 4º Classificado

Campo Coronel Mário Cunha em Riachos – 01-06-2025 (17H00)

Ruidosos adeptos do Pontével.

Com a época a caminhar para o seu final, com o título da 1ª Divisão e da Taça do Ribatejo entregue ao Ferreira do Zêzere, fica por resolver a posse da Supertaça Dr. Alves Vieira, o campeão da 2ª divisão e o “play-off” de apuramento da terceira equipa que irá acompanhar Tramagal e Porto Alto ao escalão maior da Associação de Futebol de Santarém (AFS).

Neste “play-off”, num primeiro embate em Riachos, encontraram-se Riachense e Pontével, segundos classificados nas respetivas séries. A decisão da subida define-se a duas mãos, com o Riachense a devolver a visita a Pontével no próximo domingo.

Riachos e Pontével lutam pela subida à 1ª Divisão.

O Pontével, segundo na série A, apenas averbou três derrotas. Perdeu no Porto Alto, na casa do vencedor da série A, e ambos os jogos com o Forense. Empatou em Almeirim, terminando a quatro pontos do líder.

Na série B, ganha pelo Tramagal, o Riachense apenas perdeu no Pego e no Espinheiro, somando ainda seis empates. Terminou a seis pontos do Tramagal após as 24 jornadas, numa luta acesa com Vilarense e Vasco da Gama que lhe foi favorável, estando 12 jornadas sem conhecer o sabor da derrota.

Equipas alcançaram o segundo lugar nas suas séries.

Numa tarde fresca, com muitas nuvens e vento fraco de norte, a ameaçar chuva, o Coronel Mário Cunha vestiu-se de gala para receber este primeiro jogo do “play-off” que vale uma subida à 1ª Divisão.

Da vila de Pontével, concelho do Cartaxo, subiram o Tejo umas dezenas de ruidosos apoiantes dos “encarnados” no apoio à sua equipa.

Os adeptos do histórico clube de Riachos, desejosos por verem o seu Atlético no convívios entre os “grandes” do distrito, compareceram em grande número, ostentando os mais variados adereços do Clube.

Adeptos riachenses em grande número.

Reunidas as condições, excelentes, diga-se, para uma emocionante partida de futebol, e após as fotos da praxe, João Veríssimo, coadjuvado por Nuno Martins e Bruno Marques, apitou para dar início à partida.

Os visitantes entraram decididos a imporem o seu futebol perante alguma apatia dos “alvi-negros”. A equipa de Miguel Calisto estava por cima e ameaçava marcar. Aos cinco minutos ganhou um canto e o central Tiago Pereira saltou mais alto que a defesa contrária, cabeceando para o golo madrugador.

Pontével marcou cedo.

Inaugurado o marcador para o Pontével, cabia à equipa de Tó Miranda correr atrás do prejuízo, numa tarefa que se adivinhava difícil. Reagiram usando uma arma que lhes é familiar, a velocidade dos extremos.

Bruno Gomes, muito rápido, não o foi o suficiente para captar dentro da quatro linhas a bola que lhe fora endossada. Na resposta, os visitantes ganharam novo canto e de novo Tiago Pereira cabeceou nas alturas, desta feita, ao lado do alvo.

Pontével soube anular as ofensivas da equipa da casa.

Os da casa continuavam a insistir no futebol vertical mas pelo meio eram presa fácil para a bem escalonada defensiva do Pontével. Aos 13 minutos, Bruno Gomes deixou o guarda redes João Gomes antecipar-se e agarrar sem problemas.

Bruno Gomes era o jogador mais em foco no Riachense e, com enorme talento, passou pelo marcador direto, centrando como mandam as regras para Tomás Gomes que rematou contra a defensiva, perdendo-se o esférico pela lateral.

À passagem do quarto de hora os riachenses beneficiaram dum canto e Faia, nas alturas, penteou para o segundo poste onde surgiu Ricardo Barrela a afastar.

Bruno Gomes esteve em destaque no Riachense.

Por esta altura já o Riachense tinha equilibrado a contenda, fechando o caminho da sua baliza e procurando ter bola para dar forma ao seu processo de ataque. Não podia descurar a segurança defensiva pois os visitantes mostravam potencial para ampliar a vantagem.

Aos 20 minutos um cruzamento da direita do ataque do Pontével apanhou Duarte Ferreira em boa posição para marcar mas a reação arrojada do guarda redes João Sousa gorou-lhe os intentos. Pouco depois foi o capitão Nogueira a testar a sua forte meia distância com o esférico a passar muito perto dos ferros da baliza.

Bolas paradas foram trunfos das duas equipas.

Aos 24 minutos o Riachense dispôs duma soberana oportunidade para empatar a partida. O irrequieto Bruno Gomes cruzou a partir da ala esquerda para Gabriel Gomes que tirou dois adversários do caminho e, já no interior da área, rematou forte. O esférico esbarrou num defensor e a oportunidade gorou-se.

À passagem da meia hora um novo cruzamento da equipa da casa, agora da direita, criou muito embaraço à defensiva visitante. Nogueira, em esforço, arrojou-se ao solo e conseguiu o corte. Ao melhor momento dos riachenses respondeu o Pontével na conversão dum livre em zona perigosa. O esférico embateu na barreira e chegou sem perigo ao guarda redes João Sousa.

Miguel Calisto ia dando indicações à sua equipa.

Aos 36 minutos um canto para os da casa criou calafrios. Bem cobrado, permitiu o remate de Ricardo Mota para defesa atenta de João Gomes. Entretanto, aos 38 minutos, Tó Miranda mexeu no xadrez da sua equipa fazendo entrar Manuel Faria para o lugar de Gonçalo Rodrigues.

Com toda a gente a pensar no descanso e com o árbitro a compensar tempo perdido, um cruzamento a partir da direita do ataque do Riachense levou a uma completa descoordenação da defensiva forasteira. Acabou por ceder canto do qual nada resultou.

João Veríssimo apitou decretando tempo de intervalo no Coronel Mário Cunha. O resultado ao intervalo aceitava-se mas o empate seria o mais justo.

Pontével teve uma primeira parte de boa qualidade.

O treinador da equipa da casa, Tó Miranda, não podia estar satisfeito com o desenrolar dos acontecimentos e com a incapacidade em inverter o resultado desfavorável. O que disse aos seus jogadores não sabemos mas alguma coisa mudou e o Riachense abordou a segunda parte com maior competência e acutilância.

Contudo, foi o Pontével a beneficiar da primeira ocasião do complemento, logo no recomeço. Um livre em zona frontal, à entrada da área, levou o esférico a passar perto dos ferros e a sair pela linha de fundo.

Pontével voltou a entrar bem na partida.

Aos 50 minutos, uma perda de bola a meio campo permitiu a rápida transição de Rafael Vicente que ultrapassou o último defesa riachense. Assistiu Miguel Ferraz que, na cara de João Sousa, rematou forte para enorme defesa. Na recarga o mesmo Miguel Ferraz voltou a não desfeitear o guarda redes dos “alvi-negros” que manteve viva a esperança da sua equipa. Grande momento de futebol…

Pouco depois o Riachense respondeu numa altura em que o jogo estava “em brasa”, tal a intensidade com que as equipas o abordaram. Um livre, da direita, ainda longe da área, viu Diogo Graça rematar a curta distância do guarda redes. O esférico saiu para um novo canto e Diogo Graça ficou no chão queixoso.

Guarda redes João Gomes com mais trabalho no segundo tempo.

Aos 56 minutos, João Duarte rematou para defesa fácil do guarda redes do Pontével, João Gomes que, sem perda de tempo, lançou o contra golpe. A defensiva da casa resolveu cortando pela linha lateral. Pouco depois da hora de jogo Tó Miranda voltou a mexer na sua equipa.

Pretendendo maior velocidade na frente de ataque, lançou Pedro Ferreira e Tomás Mira e este último viria mesmo a ser um dos protagonistas do jogo. Pouco depois, o experiente Faia, patrão da defensiva riachense, não se entendeu com o seu guarda redes e permitiu que Carlos Mota, acabado de entrar, rematasse muito perto do poste da baliza de João Sousa. Calafrio para as hostes riachenses.

Pontével seguro a defender.

Aos 74 minutos, Carlos Mota caiu na área da equipa da casa, em luta com um defensor. Ainda esboçou um protesto mas o árbitro João Veríssimo não teve qualquer dúvida e mandou cobrar pontapé de baliza.

Cinco minutos volvidos, o Pontével ensaiou uma rápida transição permitindo o remate de Rafael Vicente contra um defesa. Responderam os da casa, também em velocidade, para corte oportuno da defesa para canto. Na cobrança, Diogo Graça cabeceou fraco para a defesa aliviar sem dificuldade.

Aos 85 minutos o Riachense ganhou um novo pontapé do quarto de círculo e a bola colocada na área chegou a Faia que do alto do seu 1,93 metros cabeceou sem apelo nem agravo, empatando a partida.

Faia cabeceou para o empate.

Com cinco minutos, mais os descontos, para jogar a partida, agora empatada, ganhou contornos de dramatismo. Num ataque organizado, com várias unidades, o Pontével proporcionou o remate a Bernardo Coelho. O esférico sobrevoou a baliza e saiu pela linha de fundo.

Aos 87 minutos, numa jogada de insistência, o Riachense conseguiu colocar Gabriel Gomes em boa posição mas o remate não encontrou o alvo. A equipa liderada por Miguel Calisto já só tentava conservar o empate, que lhe abriria excelentes perspetivas para o segundo jogo. Mas o Riachense, a jogar no seu terreno e apoiado pelos seus adeptos, como que renasceu com o golo do empate e pressionava para a “remontada”.

Riachense acreditava na “remontada”.

Praticamente com o tempo esgotado, uma boa iniciativa atacante foi anulada por falta do veloz avançado riachense Pedro Ferreira. João Veríssimo, juiz da partida, mandou subir a placa a anunciar que iria dar sete minutos como compensação pelas paragens no segundo tempo.

E quando já se jogara quatro minutos dos sete assistiu-se a viragem do resultado a favor da equipa da casa. Uma bola perdida, depois de um ressalto, foi ter com Tomás Mira que, de fora da área, encheu o pé e fez o esférico entrar junto ao poste, sem hipóteses para João Gomes.

Segunda parte de bom nível deu a vitória ao Atlético Riachense.

Foi o delírio no Coronel Mário Cunha… Mas ainda havia tempo para jogar, e aos 95 minutos, num último suspiro, um cruzamento dos visitantes permitiu a cabeçada de Rafael Vicente que João Sousa parou.

Aos 96 minutos a equipa da casa beneficiou dum canto do qual nada resultou e, pouco depois, o árbitro deu o encontro como terminado, provocando nova explosão de alegria na hostes riachenses.

Comunhão entre os adeptos e equipa do Riachense.

Foi um bom jogo, com as equipas a estarem melhor em cada uma das partes e com isso a terem o ensejo de marcar. O Pontével esteve melhor no primeiro tempo e marcou cedo. O Atlético Riachense fez um excelente segundo tempo tendo alcançado a almejada “remontada” e adquirido uma magra mas preciosa vantagem para a 2ª mão.

Resultado que se ajusta ao que se viu em campo e que deixa tudo em aberto para a segunda mão de dia 08 de junho, em Pontével.

A equipa de arbitragem, liderada por João Veríssimo, teve uma tarde de enorme qualidade, quer no capítulo técnico quer no aspeto disciplinar. Exibição segura dum valor seguro da arbitragem distrital.
Uma palavra de apreço para o comportamento dos adeptos de ambos os clubes. Quando o “fair play” prevalece quem sai ganhador é o desporto. Excelente espetáculo, dentro e fora das quatro linhas

Arbitragem de elevada qualidade.

FICHA DO JOGO:

CLUBE ATLÈTICO RIACHENSE:

João Sousa, Ricardo, Faia, Diogo Madeira, Gonçalo Rodrigues (Manuel Faria), Francisco Estevão, João Duarte (Tomás Mira), Ricardo Mota (Pedro Ferreira), Gabriel Gomes, Tomás Gomes (Diogo Castanheiro) e Bruno Gomes.

Suplentes não utilizados: Gonçalo Rodrigues, Eduardo Gonçalves e Afonso Cordeiro.

Treinador: Tó Miranda.

Clube Atlético Riachense.

GRUPO DESPORTIVO DE PONTÉVEL:

João Gomes, Ricardo Barrela, Oliveira, Tiago Pereira, Diogo Nogueira, Bernardo Coelho, João Honório (Filipe Pereira), Duarte Ferreira (Duarte Viana), Rafael Vicente, Miguel Ferraz (Carlos Mota) e Francisco Machado.

Suplentes não utilizados: Diogo Martins, Diogo Lameira, Simão Serra e Diogo Batista.

Treinador: Miguel Calisto.

Grupo Desportivo de Pontével.

GOLOS: Faia e Tomás Mira (Riachense), Tiago Pereira (Pontével).

EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Veríssimo, Nuno Martins e Bruno Marques.

Equipa de Arbitragem: João Veríssimo, Nuno Martins e Bruno Marques com os capitães.

No final fomos ouvir os técnicos de ambos os emblemas:

TÓ MIRANDA, treinador do Riachense

Tó Miranda, treinador do Riachense.

MIGUEL CALISTO, treinador do Pontével

Miguel Calisto, treinador do Pontével.

C/ DAVID PEREIRA (fotos e multimédia)

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013. Fez parte da equipa desportiva da Rádio Hertz que ganhou o prémio Artur Agostinho (CNID) em 2020.

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