Reparações e limpeza avançam em Rio de Moinhos e Abrantes após devastação da tempestade Cláudia. Foto: UFA

Os trabalhos de recuperação dos estragos provocados pela passagem da tempestade Cláudia continuam nas freguesias de Rio de Moinhos e na União de Freguesias de Abrantes, São Vicente, São João e Alferrarede. Equipas das juntas e da Câmara Municipal mantêm-se no terreno em ações de limpeza, desobstrução, reparação de vias e avaliação estrutural, num concelho que somou dezenas de ocorrências e danos “muito significativos”.

Em Rio de Moinhos, a Junta de Freguesia reportou na sexta-feira a remoção das manilhas na Ribeira, junto ao viaduto da A23, uma intervenção executada pelo município com o objetivo de melhorar o escoamento da água e reduzir o risco de inundações. A junta salienta que a medida prepara o terreno para a segunda fase das obras da Ribeira, deixando agradecimentos à Câmara e a todos os envolvidos.

Rio de Moinhos. Foto: David Pereira

Num balanço anterior, divulgado poucas horas após a tempestade, a freguesia já tinha descrito danos significativos ao longo do Vale da Pucariça e defendido a necessidade urgente de concluir a obra que permitirá encaminhar a água de forma controlada até ao Tejo.

Na União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, os últimos dias têm sido dedicados à manutenção de estradas e caminhos em terra batida, sobretudo para corrigir estragos e prevenir novos danos. Os trabalhos decorrem em articulação com o município e incluem também pequenas reparações no pavimento para evitar problemas nas viaturas.

Em nota publicada na quinta-feira, a junta presidida por João Marques, deixou um agradecimento às equipas envolvidas, sublinhando que os serviços têm sido “incansáveis”.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, afirmou esta semana que a depressão Cláudia fez cair no concelho o maior volume de chuva dos últimos 25 anos, provocando danos “muito significativos” em infraestruturas, habitações e vias.

Entre 13 e 15 de novembro, o município registou dezenas de ocorrências: 26 inundações, 12 movimentos de massa, seis quedas de árvores, seis operações de limpeza de vias, a queda de um poste de iluminação de acesso à A23 e cinco veículos parcialmente submersos. Houve ainda três pessoas desalojadas — já realojadas — e duas deslocadas, acolhidas por familiares.

As zonas mais afetadas situam-se a norte do concelho, com destaque para Alferrarede, Chainça, Sentieiras e Rio de Moinhos. Entre os casos mais graves, Valamatos destacou os danos estruturais no pontão de acesso a Casais de Revelhos, onde o trânsito de pesados está proibido e a circulação de ligeiros ocorre de forma alternada. Aguarda-se avaliação técnica que poderá confirmar a necessidade de construir um novo pontão.

A Escola do 1.º ciclo do Tramagal também sofreu uma inundação significativa, obrigando a reorganizar refeições e a transferência temporária do pré-escolar para a Escola Octávio Duarte Ferreira.

O município assinalou ainda derrocadas de terrenos e taludes, colapso de muros, danos em linhas de água e destruição de hortas, sobretudo em Sentieiras. Uma das preocupações centrais é a Avenida Farinha Pereira, onde os “mares de água” continuam a provocar constrangimentos. A autarquia defende a necessidade urgente de uma intervenção estrutural por parte das Infraestruturas de Portugal.

Pontão em Casais de Revelhos. Foto; CMA

Abrantes está agora a realizar um levantamento exaustivo dos prejuízos e deverá solicitar apoios ao Governo. Para o autarca, o episódio voltou a expor a pressão das alterações climáticas: “Chove menos vezes, mas quando chove, chove imenso. As estruturas colapsam porque não estão preparadas.”

Valamatos garante que o município está disponível para colaborar com a Agência Portuguesa do Ambiente na reabilitação das linhas de água e insiste na necessidade de financiamento para obras estruturais que preparem o território para fenómenos meteorológicos extremos.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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