Começa agora o novo ano e este seria o momento certo para ser optimista e para acreditar que os problemas da nossa região vão ser resolvidos. Infelizmente, já sabemos que a desilusão é recorrente e muitas da promessas feitas para este ano ficarão por cumprir. O calo da experiência assim nos diz. Foi assim em 2016, 2017, 2018 e também 2019.
Espero que as obras das urgências do Hospital de Abrantes arranquem finalmente e fiquem concluídas o mais rápido possível. Espero que acabem os constrangimentos à gestão do Centro Hospitalar do Médio Tejo, e dos restantes hospitais, que apesar de terem orçamento pouca autonomia têm para gerir.
Este é também o momento de acreditar que o Ministério do Ambiente, bem como o próprio sistema judicial, vai passar das palavras aos fatos e encontrar e condenar quem tanto anda a poluir os nossos rios e ribeiras.
Em termos de investimento público na região não basta que 2020 seja melhor que 2019. Esse tem sido o truque do governo, a queda no executado de 2015 para 2016 é tão abrupta que sempre que sobe um pouco já parece qualquer coisa. A verdade é que todos os últimos quatro anos foram piores em termos de investimento do que os tempos da troika e da austeridade.
Se a ferrovia precisa de investimento, as estradas também se têm vindo a degradar e a região não pode voltar a ser desprezada como tem sido até aqui. Há ligações por fazer, troços por completar e alternativas a criar.
Este também pode ser um ano decisivo para os dois Politécnicos do distrito, Santarém e Tomar, que atravessam algumas dificuldades e que têm importantes desafios pela frente. O desenvolvimento desta zona do país deveria contar mais com o contributo destas instituições de ensino superior.
Depois de dois anos de muita propaganda e pouco trabalho, 2020 deverá ser o ano da consolidação das reformas na área das florestas e da proteção civil. Deve ser o ano em que o Governo passa do PowerPoint para o terreno.
Espero que 2020 seja também o ano em que o governo demonstra de facto mais consideração pelo interior e por quem lá habita. Se quer ajudar discriminando positivamente, que não seja só em matéria fiscal mas sobretudo ao nível do investimento público e privado. A diferença não será feita quando for mais vantajoso para as empresas o inverno nestas regiões, só assim se consegue desviar a “carne” para o interior. Tudo o resto são apenas paliativos.
A todos desejo mesmo é saúde, é a única coisa verdadeiramente importante e que não está apenas nas nossas mãos. Feliz 2020!
