O comandante sub-regional, David Lobato, afirmou que, a norte, nos municípios de Ourém e Ferreira do Zêzere decorrem trabalhos de recuperação, estando a ser colocadas lonas sobre telhados danificados, e trabalhos de desobstrução de vias secundárias. Segundo o responsável, metade da população ainda não tem eletricidade.
A sul do Medio Tejo, decorrem trabalhos de “monitorização constante das zonas ribeirinhas” devido às cheias, disse.
“Os caudais mantêm-se elevados, sem grandes oscilações nas últimas 24 horas, e o dispositivo de proteção civil mantém-se em prontidão para eventuais inundações, monitorizando continuamente rios e afluentes”, precisou Lobato.
O responsável afirmou que a situação “continua dinâmica e exige atenção permanente”, advertindo que a chuva prevista nos próximos dias poderá agravar cheias e inundações em zonas ribeirinhas.

Portugal enfrenta hoje a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a necessitar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que provocaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.
No Médio Tejo, os efeitos da depressão Kristin continuam a ser sentidos, sobretudo em Ourém e Ferreira do Zêzere, com muitos consumidores ainda sem eletricidade e centenas de telhados destruídos um pouco por toda a região, com apoios a chegarem de muitas partes do país.
“O sub-comando começou hoje a receber materiais de construção civil, como telhas, cimento e lonas, oferecidos por empresas, que serão distribuídos pelos municípios e pelas pessoas mais afetadas”, indicou Lobato.




Ao mesmo tempo, a gestão das barragens portuguesas e a coordenação com as descargas das barragens espanholas continuam a ser determinantes para evitar agravamentos de cheia, garantindo que os caudais do Tejo se mantenham sob controlo e minimizando impactos.
“As barragens portuguesas têm algum poder de encaixe, mas monitorizamos continuamente descargas alternadas do Castelo de Bode e Fratel, articulando com a barragem de Alcântara, em Espanha, para garantir que os caudais do Tejo se mantenham sob controlo e minimizar impactos nas zonas ribeirinhas”, afirmou Lobato, acrescentando que o dispositivo mantém pelotões militares, bombeiros e serviços municipais em máxima prontidão.
Atualmente, o caudal do Tejo em Almourol mantém-se em 3.400 metros cúbicos por segundo, com descargas do Castelo de Bode (981 m³/s) e do Fratel (1.571 m³/s), níveis similares aos registados nas últimas 24 horas, indicou Lobato.

Tendo em conta as previsões meteorológicas, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou na terça-feira o estado de prontidão para o nível especial 4, o mais elevado, com 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível.
O comandante nacional, Mário Silvestre, alertou que a situação meteorológica para os próximos dias será “muito complexa” e apelou à população para atenção redobrada a chuva intensa, vento forte, agitação marítima e possibilidade de neve, destacando o risco elevado de inundações urbanas e saída de rios dos leitos normais, sobretudo nas bacias do Douro, Vouga, Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado.
Proteção Civil alerta para agravamento da situação nas próximas horas
O Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, instalado em Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, emitiu esta noite um aviso à população na sequência da precipitação que se tem feito sentir em Portugal e que provocou um aumento considerável dos níveis hidrométricos e dos caudais do rio Tejo e dos seus afluentes.
De acordo com a informação divulgada, caso a situação atual se mantenha, e tendo em conta as previsões meteorológicas para a bacia do Tejo, é expectável que os caudais lançados no rio pelos afluentes permaneçam elevados nos próximos dias. Neste contexto, a Comissão Distrital de Proteção Civil determinou, no passado dia 24 de janeiro de 2026, pelas 16h00, a ativação do Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo, em nível de Alerta Amarelo.
A situação meteorológica atual, aliada às previsões, pode originar inundações em zonas urbanas devido à acumulação de águas pluviais e obstrução dos sistemas de escoamento, o transbordo de cursos de água e ribeiras, a instabilização de vertentes com possibilidade de deslizamentos e derrocadas, o arrastamento de objetos para as vias rodoviárias, bem como a existência de piso escorregadio e formação de lençóis de água.

Segundo o comunicado, são vários os efeitos no território. No concelho de Abrantes, a Estação de Canoagem de Alvega encontra-se inundada. No Entroncamento, a Estrada Municipal 1179 está interdita ao trânsito devido a inundação. Em Constância, encontram-se submersos o parque de estacionamento da zona ribeirinha, a Rua do Tejo e a Estrada do Campo, entre Santa Margarida e Tramagal, parcialmente submersa.
No Médio Tejo, no concelho de Vila Nova da Barquinha, estão submersos o Cais de Almourol e o Cais de Tancos, encontrando-se ainda o Parque Ribeirinho interdito. Em Torres Novas, estão submersas a EM 570, que liga Torres Novas à Golegã, a zona de Casal da Pinheira/Ribeira Ruiva e o acesso ao Moinho da Cova, com a ponte submersa. Já no Sardoal, a Área de Lazer da Lapa, na margem esquerda, encontra-se inundada.

No distrito de Santarém, cerca de seis dezenas de vias permanecem submersas ou condicionadas devido às cheias, incluindo estradas principais e secundárias, pontes e acessos ribeirinhos.
O Comando Sub-Regional alerta ainda que é expectável, nas próximas horas, a subida dos caudais do rio Tejo e alerta a população para que não atravesse locais alagados, salvaguarde bens e animais e siga todas as recomendações de segurança.
c/LUSA
