TRAMAGAL SPORT UNIÃO 3 – ADRC VASCO DA GAMA 1
Taça do Ribatejo da AF Santarém – Fase de Grupos – Série 3 – 3ª jornada – 06-09-2024
Campo Comendador Eduardo Duarte Ferreira – Tramagal

No renovado Comendador, recentemente foram inauguradas importantes infra estruturas, compareceram duas equipas com legítimas ambições na Taça do Ribatejo, onde já figuram na lista de vencedores. O Tramagal Sport União ergueu o troféu por três vezes (80/81, 81/82 e 94/95) e o Vasco da Gama cumpriu esse desiderato na já longínqua época de 1988/89.
Nesta série entrou-se na última jornada com tudo empatado a três pontos, fruto de uma vitória e uma derrota, dando um “elan” especial ao derradeiro e decisivo jogo. Uma vitória colocava o vencedor com um pé na fase a eliminar…

A equipa da casa, liderada por Wilson Leite, apresentou algumas novidades. O técnico voltou a apostar em Ricardo Félix no lado direito de uma defesa onde regressou ainda Belé, um dos esteios dos azuis na época transata. Os reforços Bruno Lemos e Alejandro voltaram a marcar presença no onze inicial.
Do lado da equipa que viajou de Boleiros, Fátima, o técnico Vitor Silva apresentou uma equipa jovem mas com elementos bastante talentosos. Para este jogo o Conselho de Arbitragem escalou o jovem João Santos.

Assim que João Santos apitou para o início do jogo um verdadeiro turbilhão de futebol atacante invadiu o Comendador. A equipa da casa, determinada em cedo resolver a partida, carregou com tudo o que tinha sobre o último reduto dos vascaínos e não demorou a ter a devida recompensa.
Haviam-se esgotado os primeiros segundos e um cruzamento remate traiu toda a defensiva visitante, guarda redes incluído, e foi entrar no poste mais distante, colocando o Tramagal na frente do marcador.

No reatamento o Vasco da Gama tentou sacudir a pressão e conseguiu conquistar um pontapé de canto, à esquerda do seu ataque. Batido para o coração da área, surgiu o brasileiro Luís Pereira a cabecear contra a defensiva tramagalense, ganhando novo canto. O guarda redes Daniel Marques subiu mais alto e resolveu.
O Tramagal já revelava bom entendimento entre os seus setores e foi uma boa triangulação entre Alejandro, Bruno Lemos e Luís Ferreira, com este último a cruzar com boa conta, que elevou a contagem para os da casa aos cinco minutos.

Paulito, do lado esquerdo, respondeu ao cruzamento e, de primeira, rematou de forma indefensável para o guarda redes Diogo Fazenda. O TSU aumentava a vantagem para dois golos com cinco minutos jogados.

Quando se pensava que a equipa metalúrgica iria entrar em modo de gestão, abrandando o ritmo de jogo, enganou-se. Os pupilos de Wilson Leite estavam com a corda toda e encostaram os visitantes para dentro da sua área, pressionando alto quando perdiam a bola.
Os remates sucediam-se com a defensiva da equipa do concelho de Ourém a passar por constantes calafrios, resolvendo como podia e congelando o resultado. Reagiram os visitantes aos 17 minutos, altura em que Belé viu a cartolina amarela, após anular de forma faltosa um prometedor contra ataque.

Aos 19 minutos o Vasco da Gama conseguiu abeirar-se da área à guarda de Daniel Marques e o remate apanhou as costas de Belé. Os visitantes reclamaram uma grande penalidade junto do juíz da partida que não atendeu. Esteve bem João Santos.
Pouco depois a equipa da borboleta respondeu através dum cruzamento atrasado de Grilo para a entrada da área onde surgiu Jota a rematar em jeito. O guarda redes Fazenda defendeu sem dificuldade. Aos 24 minutos um lance a papel químico, onde só mudaram os protagonistas, permitiu o cruzamento de Alejandro para Grilo que rematou ao lado.

O luso espanhol Alejandro estava em tarde inspirada e revelava-se um dos jogadores mais valiosos na manobra ofensiva da equipa do Tramagal. Subia a propósito pela ala direita, fazendo, por vezes, diagonais para o interior onde surgia em posição de finalização ou a assistir um companheiro.
Os da casa mantinham-se por cima num jogo de sentido único com algumas, raras, exceções. Numa dessas ocasiões Bruno Lemos fez falta passível de amostragem de cartão amarelo. Justo mas como o critério não estava a ser uniforme das bancadas do Comendador vieram vozes de desagrado.

Aos 33 minutos o Vasco da Gama poderia ter reduzido a diferença no marcador. A bola ainda entrou na baliza de Daniel Marques mas o vascaíno estava em posição irregular, junto ao poste. Não valeu este mas valeu aos 40 minutos…
O Vasco ganhou um livre, ainda longe da área, em zona frontal, descaído pela esquerda, e Manuel Lopes encarregou-se da marcação. Fê-lo com mestria, não dando hipóteses a Daniel. O placard marcava 2-1.
Na resposta o Tramagal, através de Alejandro, enviou o esférico à trave da baliza de Fazenda, completando a defesa para canto. Batido à maneira curta para Luís Ferreira, este cruzou para o segundo poste onde Belé, no seu regresso, elevou a contagem com um oportuno golo de cabeça.

O Vasco da Gama, cujo golo havia recolocado a equipa no jogo, sofreu um autêntico balde água fria. Com pouco para jogar no primeiro tempo ainda se viu Alejandro entrar na área no meio de dois adversários a a aparecer no chão. O juiz da partida decretou pontapé de canto mas reclamou-se grande penalidade. Damos o benefício da dúvida mas em tempo real não nos pareceu falta para castigo máximo.

Já nos descontos Alejandro ainda atirou por cima dos ferros da baliza de Fazenda. João Santos apitou para o descanso, esgotados que estavam os cinco minutos dados a título de compensação. Este tempo justificou-se pela paragem, decretada pelo árbitro, afim do massagista Rafael Couto, do Tramagal, assistir um espetador indisposto. Um gesto bonito que é já a sua imagem de marca. A todos os títulos, louvável…
O resultado ao intervalo revelava-se escasso para tanto domínio tramagalense.

O chavão rebuscado no mundo do futebol das “duas partes distintas” assenta como uma luva neste jogo.
Não que se tivesse invertido a tendência e domínio das equipas. Passou a ser um jogo repartido, com divisão de posse de bola e oportunidades de golo. Qualquer das equipas poderia ter aumentado o pecúlio de golos…

Até entraram melhor os tramagalenses que viram o guarda redes Fazenda defender um remate frontal de Paulito, logo no recomeço.
Depois, aos 49 minutos, Manuel Lopes, que já havia marcado de livre, teve novo ensejo para o fazer na cobrança de livre, de novo sobre a esquerda. Desta vez o forte remate ficou na barreira dos azuis. Cinco minutos depois foi João Leitão a arriscar a meia distância mas a bola saiu por cima dos ferros.

Era o melhor periodo dos visitantes, empurrando a equipa do Tramagal, não se deixando pressionar.
Luís Pereira, aos 56 minutos, cabeceou com perigo na área tramagalense mas viu subir a bandeirola do assistente, assinalando posição irregular.
Novo fora de jogo iria anular boa iniciativa atacante de Martim Pereira, entrado segundos antes. Os primeiros vinte minutos da segunda parte foram de domínio consentido do Vasco da Gama. O Tramagal nunca pareceu desconfortável no jogo e a sua defensiva ia chegando para as encomendas.

Aos 65 minutos, João Leitão, num pontapé de ressaca, ganhou um canto, cuja cobrança o guarda redes Daniel resolveu nas alturas. Estava na altura da equipa de Wilson Leite voltar à carga…
Paulito, em diagonal da esquerda para dentro, foi ganhando terreno, sentando, literalmente, dois adversários. Rematou com selo de golo mas Fazenda não permitiu, cedendo canto. Grande momento…
No minuto seguinte, aos 68, Grilo, assistido por Alejandro, na cara do guarda rede Fazenda, tentou devolver o passe mas a defensiva cortou para canto.

Paulito, que vinha fazendo um magnífico jogo, com a obtenção dum bonito golo, aos 72 minutos, em arrancada para a área, ficou agarrado à coxa esquerda denunciando lesão muscular que obrigou a troca forçada por David Monteiro.
A dez minutos do final do tempo regulamentar João Leitão, muito ativo no jogo, obrigou Daniel a defesa apertada. O segundo remate obrigou a defensiva da casa a ceder canto.

Aos 88 minutos Alejandro, esgotado, não teve forças para desfeitear Fazenda. Já a terminar os cinco minutos de compensação, um livre para o Vasco da Gama levou a confusão à área dos metalúrgicos, com vários remates a ficarem nos defesas até sair pela lateral. Foi o derradeiro lance do jogo.
Ainda se bateram penalidades para desempate, se necessário. O Tramagal marcou cinco contra três dos visitantes.

João Santos apitou para o “terminus” dum jogo bem disputado com um vencedor justo. O Tramagal, vencedor da série 3, segue em frente e o Vasco da Gama fica pelo caminho.
Arbitragem positiva do jovem João Santos e seus auxiliares, Tecnicamente bem, poupou alguns amarelos e nos lances difíceis não hesitou, parecendo ter razão em todos eles. Nota alta à arbitragem.
FICHA DE JOGO:
TRAMAGAL SPORT UNIÃO:
Daniel Marques, Luís Ferreira (André Lente), Alejandro, Bernardo Carola, Belé, Ricardo Félix (Francisco Oliveira), Gonçalo Grilo, Bruno Lemos, Jota (David Monteiro), Paulito (Miguel Silva) e José Garcia (Tiago Damas).
Suplentes não utilizados: João Félix e Miguel Domingues.
Treinador: Wilson Leite.

ADRC VASCO DA GAMA:
Diogo Fazenda, Luís Pereira, Marco Marques, Renato Carvalho (Wallyson)), João Dias, João Leitão, Manuel Lopes (Gonçalo Arriaga), Hugo Silva (Matias Oleiro), David Anjos (Rodrigo Reis) e Jacinto Pedro (Martim Pereira).
Suplentes não utilizados: João Neves, Lucas Pereira e David Shi.
Treinador: Tiago Silva.

GOLOS: Bernardo Carola, Belé e Paulito (Tramagal) e Manuel Lopes (Vasco da Gama).
EQUIPA DE ARBITRAGEM: João Santos, Pedro Mendes e Tiago Figueiredo.

No final, como é hábito, fomos escutar os treinadores de ambas as equipas:
Wilson Leite, treinador do Tramagal Spor União:

Tiago Silva, treinador do Vasco da Gama:

C/ David Pereira (fotos e multimédia)
