Apesar de todas as iniciativas, das ações populares e da preocupação dos partidos políticos, a verdade é que a poluição na ribeira da Boa Água e no rio Almonda parece não ter fim nem conhecer solução.
Todos nos recordamos, ou devemos recordar, das garantias e iniciativas do Secretário de Estado do Ambiente, e do próprio Ministro João Matos Fernandes, com várias visitas ao terreno, há quase dois anos. Foi criada uma Comissão de Acompanhamento, os partidos na autarquia uniram-se e foram unânimes a pedir soluções, mas nem assim se resolve o problema. Na Assembleia da República foram aprovadas por unanimidade Resoluções de todos os partidos com recomendações ao governo para resolver este assunto.
Parece impossível, e revela a incapacidade do Estado, mas apesar do consenso quase absoluto sobre este assunto o problema não está ainda resolvido.
Se há aqui responsabilidades do Governo, e em particular do Ministério do Ambiente, há obviamente responsabilidade e cumplicidade do poder local. Apesar da autarquia condenar hoje a situação, as empresas poluidoras contaram com o silêncio cúmplice do poder local durante demasiados anos. Uma empresa não cresce tanto, não se expande tanto, não constrói tanto sem o beneplácito da autarquia local.
Hoje, mais do que nunca, deveria haver condições para resolver o problema. Nenhum emprego se pode sobrepor à saúde das pessoas, dos animais e da natureza. Hoje há condições e instrumentos para permitir equilibrar a produção industrial e a proteção do ambiente. Por outro lado, existem instrumentos e financiamento adequado para ajudar estas empresas a alterar a sua forma de atuar ou mesmo para deslocalizar a sua atividade para outras áreas mais adequadas.
Já passou demasiado tempo desde as primeiras promessas, dos projetos de resolução, das perguntas parlamentares e das primeiras manifestações da população. Se este assunto não tem um final feliz é apenas por incompetência ou irresponsabilidade. Até o rio Tejo, que tinha muito mais poluição e muito mais poluidores, está hoje bem melhor do que a ribeira da Boa Água ou que o Almonda.
