Peça de teatro do Rancho Folclórico de Alviobeira cruza folclore com questões sociais contemporâneas. Foto: Zé Paulo Marques

O Cine Teatro Ivone Silva recebeu, na noite de sábado, 24 de janeiro, a apresentação da peça “Fios Soltos”, produzida pelo Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, de Tomar, em resultado de um convite da Fundação Maria Dias Ferreira e do município.

Com texto e direção artística de Manuela Santos, a peça explora “estórias, momentos e lembranças que vão e ficam – às vezes nítidas, outras distorcidas – refletindo sobre a vulnerabilidade na velhice e o poder da memória”.

A apresentação destacou-se pela fusão de tradição folclórica, dança e teatro, abordando temas sociais atuais, como abandono de idosos, solidão e violência doméstica, sem perder a ligação às práticas e costumes da comunidade de Alviobeira.

Em declarações ao mediotejo.net, Manuela Santos explicou que a sua formação não é artística, sendo contabilista de profissão, mas que a experiência de vida no rancho desde os 16 anos a levou a explorar o folclore de forma inovadora.

“Ao longo destes anos, aprendi a mostrar o folclore aos mais jovens de forma atrativa e profunda. ‘Fios Soltos’ fala de temas atuais, mas também busca tradições: mesinhas, orações, bailes, ofícios e trabalhos no campo. É uma mistura de tradição e atualidade”, explicou, tendo a diretora artística sublinhado ainda a dedicação do grupo.

Manuela Santos, diretora artística do Rancho Folclórico de Alviobeira. Foto: Zé Paulo Marques

ÁUDIO | MANUELA SANTOS, RANCHO FOLCLÓRICO ETNOGRÁFICO ALVIOBEIRA:

“Tenho o privilégio de ter um grupo que se entrega de corpo e alma, confiando cegamente no meu trabalho. Sem eles, nada seria possível. É muita hora de ensaio e esforço, mas vale a pena, porque acredito que o rancho de Alviobeira existe também por esta vertente artística”, concluiu.

Cátia Salgueiro, representante da Fundação Maria Dias Ferreira, destacou ao mediotejo.net, por sua vez, a qualidade da apresentação e a receptividade do público.

“Fiquei muito satisfeita pela qualidade da peça e pela sala cheia. O rancho de Alviobeira tem fama pelo trabalho artístico inovador e vanguardista, e a peça trouxe uma ligação histórica e cultural com Ferreira do Zêzere”, declarou.

Cátia Salgueiro, representante da Fundação Maria Dias Ferreira. Foto: Zé Paulo Marques

ÁUDIO | CÁTIA SALGUEIRO, REPRESENTANTE FUNDAÇÃO MARIA DIAS FERREIRA:

Através de “Fios Soltos”, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira reafirma a força da tradição e etnografia local, inserida num projeto teatral que combina modernidade, temas contemporâneos e a envolvência das gentes de Alviobeira, transformando o palco num espaço de memória, reflexão e entretenimento.

O Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira foi fundado a 24 de abril de 1988 por iniciativa de jovens da freguesia com o objetivo de preservar e divulgar os usos, costumes, danças e cantares da região do Alto Ribatejo, resultado de uma recolha etnográfica junto das gerações mais idosas da comunidade.

Federado na Federação do Folclore Português desde 1994, o grupo tem ampliado ao longo dos anos a sua atuação cultural, integrando exposições etnográficas, recriações de tradições locais e projetos inovadores que aliam folclore, dança e teatro, consolidando-se como uma referência na valorização do património cultural imaterial de Alviobeira e arredores.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Natural e residente na freguesia de Sabacheira, Tomar, militar na reforma, amante da arte da fotografia, gosta de retratar atividades culturais e desportivas para fazer a sua divulgação, colaborando com vários meios na imprensa local. É um amante inveterado dos animais, da natureza, do silêncio e da leitura.

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