Padre Manuel Vaz Patto recusa sair de Dornes contra indicação do Bispo de Coimbra. Foto: Frame video mediotejo.net

O padre Manuel Vaz Patto, natural do concelho de Oliveira do Hospital, onde nasceu em 1988, está a exercer, desde 2015, nas paróquias de Areias, Bêco, Chãos, Dornes e Paio Mendes, em Ferreira do Zêzere, tendo anunciado em comunicado, AQUI, que não aceita ser transferido para Oliveira do Hospital, conforme determinou o bispo de Coimbra, Dom Virgílio Antunes.

“Estando ainda por acabar o meu mandato, e pelo respeito que me merece a ligação sacerdotal que me une a todos os meus paroquianos das minhas actuais paróquias de Areias, Bêco, Chãos, Dornes e Paio Mendes, sempre recusei a proposta de transferência desde que me foi feita pela primeira vez pela diocese há cerca de um mês atrás, não fazendo tenção de me mudar e tomar posse de novas paróquias”, afirma o padre no comunicado, alegando ser “um direito” que o assiste.

“Recuso esta transferência por um sentido de responsabilidade, por ser um direito que me assiste, por não ter o hábito de abandonar os fiéis, por não ser uma mudança razoável ou necessária e por se saber que criaria problemas, especialmente quando não é de todo claro que não haja interferência de pressões indevidas e falsos ataques à minha honra a que a diocese, após mais madura reflexão, não iria querer ou não poderia ceder em detrimento dos fiéis, e sobretudo quando o processo em causa não está a ser feito como manda a lei da Igreja”, escreveu o padre.

“Este desrespeito das normas canónicas relativas a estas situações e pensadas para protecção do bem dos fiéis, tal como a minha não aceitação da transferência, foram assinalados à diocese repetidamente e por escrito, tanto antes como depois da publicação das novas eventuais nomeações, o que tornaria qualquer tomada de posse das minhas paróquias contrária à lei canónica, sabendo que esta, vindo da autoridade suprema da Igreja, obriga a todos, tanto fiéis como pastores”, declarou Manuel Vaz Patto.

Padre Manuel Vaz Patto recusa sair de Dornes contra indicação do Bispo de Coimbra. Foto: Igreja do Beco

Manuel Vaz Patto foi nomeado pelo Bispo de Coimbra, ver AQUI, pároco in solidum nas paróquias de Bobadela, Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Lageosa, Lagos da Beira, Meruge, Oliveira do Hospital, S. Paio de Gramaços, Seixo da Beira e Travanca de Lagos, que dividirá com o Padre António Loureiro, segundo a pretensão da Diocese de Coimbra.

Figura controversa e que divide opiniões em Ferreira do Zêzere, o padre Manuel Patto pertence a uma fação conservadora da Igreja que não concorda com o Concílio Vaticano II e até com algumas posições de abertura da Igreja concedidas pelo Papa Francisco. Veste de forma tradicional, procura seguir o Missal e rituais antigos e celebra missas em latim, de costas para os fiéis.

Uma petição foi lançada online para a sua continuidade na Unidade Pastoral de Ferreira do Zêzere, tendo até este domingo, dia 1 de setembro, reunido 418 assinaturas.

No texto, dirigido a Dom Vírgilio Antunes, Bispo de Coimbra, os subscritores manifestam o seu “profundo descontentamento com a anunciada mudança do Senhor Prior Manuel Vaz Patto que tão bem vem servindo os fiéis destas cinco paróquias do concelho de Ferreira do Zêzere” e solicitam “a sua permanência nesta Unidade Pastoral”.

Tendo feito notar que “o mal não pode prevalecer, as denúncias e calúnias de que é alvo (e que partiram de uma minoria) com o objetivo de difamar a sua imagem, assim como a notícia do seu afastamento das nossas paróquias, vem causando a maior indignação e descontentamento nos paroquianos abaixo assinados e em muitas outras pessoas de fora destas paróquias, conhecedoras do excecional desempenho do Sr. Prior”, pode ler-se no texto.

A petição destaca que, “no âmbito da sua ação, são bem visíveis, para todos, a piedade, o amor e dedicação que tem às almas; o enorme zelo que tem pelas igrejas (visível em todas as suas paróquias) e capelas (que antes se encontravam degradadas e abandonadas) e pelos seus fiéis”.

Padre Manuel Vaz Patto recusa sair de Dornes contra indicação do Bispo de Coimbra. Foto: Facebook Manuel Vaz Patto

Com a saída de Manuel Vaz Patto, e também do padre Pedro Manuel Luís, da Unidade Pastoral de Águas Belas, Ferreira do Zêzere, Igreja Nova do Sobral e Pias, a partir de outubro está previsto que cheguem a Ferreira do Zêzere os padres Jan Piotr Stawicki (Pe. João Pedro) e Pe. Wojiech Kubrak (Pe. Adalberto) ambos padres palotinos, polacos, atualmente párocos de Corticeiro, Febres, São Caetano e Vilamar, no arciprestado de Cantanhede.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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5 Comments

  1. Que sua Eminência o Bispo de Coimbra Dom Virgílio Antunes reconsidere e mantenha o Sr. Pe. Manuel Vaz Patrão nas Paróquias que tão bem tem servido para glória do Senhor e bem espiritual do seu povo.

  2. Eu como paroquiano do Padre Manuel Vaz Pato só tenho a referir as melhores referências deste Grande Homem e Padre, espero que o Senhor Bispo volte atrás nesta decisão, porque se está fazer uma grande injustiça e fundada em grandes calúnias de gente que quer destruir a Igreja de Jesus Cristo

  3. Sr Bispo Dom Virgílio Antunes reconsidere e mantenha o Padre Manuel Vaz Patto nas paróquias de Ferreira do Zêzere, que muito bem tem cuidado por louvar dignamente o Rei dos Reis (JESUS) pois o “o mal não pode prevalecer, as denúncias e calúnias de que é alvo com o objetivo de difamar a sua imagem”.

  4. A igreja tem uma hierarquia que deve ser cumprida. Se o Sr. Bispo está a fazer essa alteração é porque ela é necessária.
    Além disso esse Sr. padre Manuel Vaz Patto, que alegadamente não concorda com o Concílio Vaticano II e até com algumas posições de abertura da Igreja concedidas pelo Papa Francisco, devia acatar as ordens dos seus superiores.

  5. Só tenho a dizer o seguinte: É uma vergonha para o Sr. Padre Manuel.
    Como prescreve o Código de Direito Canónico, o padre tem o DEVER de obediência. Assim é, no momento da Ordenação Sacerdotal. Se tem esse dever, há que pô-lo em prática. Caso contrário, era a “república das bananas” e cada um fazia o que lhe apetecia.
    E mais a mais, celebrar a Eucaristia de costas para o povo, convenhamos, é ridículo. Estamos no séc. XXI, bolas! Estamos a viver no Concílio Vat. II e não no Concílio de Trento! O Sr. Bispo deveria suspender esse sacerdote! Coitado do povo a ele confiado.

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