A tenda foi colocada “há pouco tempo”, com o início da vacinação contra à covid-19. Como “há mais pessoas a utilizarem o Centro de Saúde”, esta é uma forma de os utentes “estarem abrigados”, enquanto aguardam, disse ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque.
O espaço, que confere abrigo a quem passaria a noite ao relento e está dotado, inclusive, com um wc portátil, foi instalado devido ao processo de vacinação da covid-19 mas acabou por ganhar agora uma nova funcionalidade para os utentes que se deslocam de madrugada ao local e passam ali a noite. O objetivo é claro e resulta de uma única necessidade: tentar obter uma vaga para consulta médica. A situação mereceu, inclusive, uma reportagem dos canais televisivos TVI/CNN, que relataram o insólito de uma situação que, convenhamos, não resolve o problema da falta de médicos mas protege os cidadãos que procuram e necessitam do Serviço Nacional de Saúde (SNS), passando largas horas durante a noite em filas de espera.
O concelho de Ourém tem aproximadamente 45 mil habitantes, e quase metade não tem médico de família. Para colmatar algumas das “dificuldades que existem no concelho”, o município celebrou um protocolo com a ARSLVT (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo), no âmbito do projeto “Bata Branca”, mas a resolução do problema compete ao Governo, frisou o autarca.
“A competência de colocação de médicos de família nos concelhos é única e exclusiva do Governo”, indicou o autarca ao mediotejo.net, à margem da cerimónia de inauguração da Feira Nova de Santa Iria.
Este projeto é uma iniciativa de incentivo à fixação de novos médicos no concelho, que prevê um apoio à contratação de médicos suportado pelo município de Ourém, a somar ao valor comparticipado pela ARSLVT, para a prestação de consultas nos serviços de saúde primários. Neste caso, o presidente explica que são “cem horas por semana”, em que o município paga “cinco euros por hora a esses mesmos médicos que integram esse projeto”.
“Não é uma solução definitiva, mas foi uma solução que conseguimos encontrar para minorar as dificuldades existentes no concelho”, indicou Luís Albuquerque.
O presidente da Câmara disse ainda que, neste momento, estão seis médicos a trabalhar, mas vêm “mais dois que vão iniciar agora em meados de novembro”, perfazendo um total de oito médicos distribuídos pelas unidades de saúde do concelho, sendo que, das 14 unidades, ainda há três com “falta de médicos”.
É importante referir que em agosto deste ano ficou disponível a versão final do Regulamento Municipal de Atribuição de Incentivos à Fixação de Médicos de Medicina Geral e Familiar nas Unidades de Saúde do concelho, cujo objetivo é “combater a escassez de médicos de família, especialmente na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Ourém”.
No entanto, o problema persiste, e como resultado, muitos dos utentes são obrigados a deslocar-se de madrugada para as unidades de saúde familiar para tentarem conseguir uma consulta.
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