O município de Ourém entregou a Medalha de Mérito do Município ao jornalista Carlos Santos Pereira, falecido neste concelho, onde residia, a 23 de maio, vítima de cancro. A homenagem, que já estava a ser preparada antes da morte do jornalista, será a primeira de um conjunto que um grupo de amigos pretende levar a efeito. Carlos Santos Pereira foi um dos maiores críticos da desinformação nos anos 90, no âmbito da guerra da Jugoslávia.
“Não sabia que ele morava cá”, começou por reconhecer João Moura, presidente da Assembleia Municipal de Ourém, na sua intervenção no âmbito da sessão solene do Dia do concelho. A visita ocorreu há alguns meses, contou o autarca ao público presente no Teatro Municipal, onde o jornalista Carlos Santos Pereira contou episódios de guerra e demonstrou ser um poliglota. “Estava tudo preparado para homenageá-lo em vida”, reconheceu, lamentando que a morte súbita em maio tenha feito perder essa oportunidade.
Na sessão solene, o irmão e cunhada de Carlos Santos Pereira, Albertino e Maria Angélica Pereira, receberam a Medalha de Mérito Municipal. Após o agradecimento do irmão pela homenagem, seguiu-se uma intervenção escrita do General Carlos Branco que, devido aos condicionamentos impostos a Lisboa pela pandemia, não pôde estar presente, sendo lida por Maria Angélica.

No texto, o General afirmou que este era o “primeiro ato para preservar a sua memória” de um conjunto de iniciativas que um grupo de amigos vai promover. “Muito do seu pensamento é atual”, frisou, considerando imperativo preservá-lo.
“Estava certo antes do tempo”, referiu, lembrando que nos anos 90 este alertou para o problema da desinformação enquanto cobria a guerra da Jugoslávia. “Fez a diferença porque viveu em primeira mão muitos acontecimentos históricos”, frisou, lembrando que Carlos Santos Pereira sentia a necessidade de informar. “É essencial preservar a sua obra e defendê-la”.
“Com ele, uma geração de militares aprendeu o que era a Jugoslávia”, continuou, “era um homem livre, na verdadeira aceção da palavra”.
Carlos Santos Pereira assinou grandes reportagens internacionais no Expresso, no Público, no Diário de Notícias e na RTP, sobretudo nas décadas de 80 e 90, acompanhando as revoluções na Europa de Leste e reportando toda a guerra nos Balcãs. Com a sua mota percorreu a antiga Jugoslávia mais do que uma vez, de ponta a ponta, vivendo por dentro o sofrimento das populações.
Escreveu três livros: “Guerras da Informação” (Ed. Tribuna da História), “Os Novos Muros da Europa” (Ed. Cotovia) e “Da Jugoslávia à Jugoslávia” (Ed. Cotovia), e encontrava-se a terminar um outro livro de reportagens.
Depois de reformado passou a viver em Ourém, na casa que fora dos seus pais. Manteve colaborações regulares como jornalista na Lusa, como colunista no Público e como comentador de assuntos internacionais na RTP e deu aulas de Jornalismo no Instituto Politécnico de Tomar/Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.
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