Há décadas que o distrito de Santarém reivindica um conjunto de infraestruturas rodoviárias cuja construção todos consideram de particular relevo para o desenvolvimento regional e a competitividade deste território:
1. a conclusão do IC9, entre Constância/Abrantes e Ponte de Sôr, que implica a construção de uma ponte algures entre os dois primeiros concelhos, muito provavelmente no Tramagal;
2. a conclusão do IC3, mais concretamente a ligação da A23 à A13, da zona de Atalaia até Almeirim, e que implica uma nova travessia sobre o Tejo na zona da Chamusca;
3. a abertura da ponte de Constância/Praia do Ribatejo a pesados, como alternativa à construção de uma nova travessia;
A importância destes investimentos prende-se com a necessidade de melhoria dos acessos a importantes indústrias a sul do Tejo, como a Mitsubishi, no Tramagal, a Caima e o Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, e o Eco Parque do Relvão na Chamusca, e, obviamente, cada autarca e cada comunidade reivindicam para si, legitimamente, a maior importância e/ou urgência de cada uma das obras.
Tenho para mim que todos são relevantíssimos do ponto de vista da coesão territorial e da competitividade empresarial desta região, podendo, uma vez construídas, ser um veículo de desenvolvimento económico. Já não tenho tantas certezas do ponto de vista ambiental…
O certo é que alguns destes investimentos estão previstos há mais de uma década e não foram sequer iniciados. Desde o PNR 2000 ao PETI 3+ ou a promessas e anúncios de governantes, a região aguarda que se passe das palavras aos actos e seja lançada a 1ª pedra.
Recentemente foi lançado mais uma vez, não a pedra, mas novo anúncio!
Todos aguardávamos com expectativa o PNI 2030, documento estratégico que, de acordo com o Governo, pretende ser “o instrumento de planeamento do próximo ciclo de investimentos estratégicos e estruturantes de âmbito nacional, para fazer face às necessidades e desafios da próxima década e décadas vindouras”.
Mas o facto é que ficamos com a sensação de que ‘a montanha pariu um rato’ e a maior parte dos investimentos estratégicos há duas décadas para a região, vão continuar na gaveta, honrosa excepção à travessia do Tejo no Tramagal, com a ligação do IC9 a Ponte de Sor, que foi propagandeada no chamado ‘Missing´Links’ (ligação em falta) que prevê um pacote de 260 M€.
Ora pois, o Governo considera que ‘falta uma ligação’ de Abrantes a Ponte de Sor (o que é um facto), mas já não considera que ‘falta uma ligação’ entre a Atalaia e Almeirim (da A23 à A13). O Governo ignora assim que passam diariamente mais de 1000 camiões carregados, muitos deles de resíduos perigosos, por dentro de localidades, colocando em risco as populações que ali vivem.
E ignora também que os pesados que pretendem ir para a fábrica da Caima ou para o campo de Santa Margarida, que são obrigados a fazer mais 50Km por não poderem passar na ponte em Constância que precisa de reforço, se não for nova.
O Médio Tejo e o distrito de Santarém têm agora uma oportunidade de conseguir corrigir esta injustiça: se Maria do Céu Albuquerque foi tão eficiente em conseguir junto do Governo que o seu concelho fosse o único considerado no PNI, então esperamos todos que enquanto Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, alargando o seu leque de ação, consiga com a mesma eficácia garantir a inclusão dos outros dois investimentos estratégicos para o desenvolvimento regional do distrito, em particular do Médio Tejo.
Se conseguir isso, fica ‘apenas’ a faltar lançar a 1ª pedra…
