Hastear da Bandeira Azul decorreu pela primeira vez na praia fluvial dos Olhos d’Água do Alviela. Foto: CMA

Após a vistoria à Praia Fluvial realizada pelas autoridades competentes, designadamente a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e a Autoridade de Saúde, e acompanhada pelos técnicos da autarquia, foi hasteada oficialmente a Bandeira Azul com a presença do presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Rui Anastácio, e do vereador do Ambiente, Nuno Silva. A Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação distinguiu este ano 404 praias com a Bandeira Azul, sendo a praia fluvial dos Olhos de Água, em Alcanena, uma das sete praias interiores galardoadas no Médio Tejo.

A distinção foi atribuída pela primeira vez àquela zona de lazer banhada pelas águas da nascente do Alviela. A época balnear na praia fluvial dos Olhos d’Água teve início a 28 de junho e decorrerá até 31 de agosto.

Olhos de Água, a nascente romântica onde desagua uma praia fluvial com Bandeira Azul

O espaço é oficialmente uma praia fluvial a partir deste ano e ostenta desde 30 de junho o galardão máximo da qualidade ambiental, não obstante seja há vários anos utilizado como zona de lazer e disponibilizado infraestruturas como um parque de campismo, um café e parque de merendas.

Mas o objetivo era a excelência, e esse caminho foi agora reconhecido, depois da visão estratégica delineada para o local, a par de uma luta contínua dos mecanismos municipais para travar eventuais focos de poluição na zona dos Olhos de Água.

Hastear da Bandeira Azul decorreu pela primeira vez na praia fluvial dos Olhos d’Água do Alviela. Foto: CMA

“É um trabalho com três anos, um trabalho de persistência e de dedicação dos nossos colaboradores. A praia existe desde 1999, nunca teve Bandeira Azul, perdeu inclusive a designação de espaço balnear a partir de 2009 e, portanto, havia que recuperar muito trabalho perdido, mas com persistência chegamos lá”, disse ao meiotejo.net o presidente da Câmara de Alcanena, que apontou a um projeto global maior em curso.

Olhos de Água, a nascente romântica onde desagua uma praia fluvial com Bandeira Azul. Foto: mediotejo.net

“Temos um plano para aquela praia, que será uma das principais, ou talvez a principal porta de entrada de turistas no parque natural das Serras da Aire e Candeeiros, mas para isso é necessário um trabalho consistente e é isso que nós estamos a fazer, criando um parque de acolhimento dos utilizadores da praia, que já está construído, dando condições àquela praia do ponto de vista da qualidade da água, do controle da qualidade da água, e da presença de nadadores salvadores” declarou Rui Anastácio.

Rui Anastácio, presidente da Câmara de Alcanena. Foto arquivo: Rafael Ascensão/mediotejo.net

ÁUDIO | RUI ANASTÁCIO, PRESIDENTE CM ALCANENA:

“Eu tive muitos anos, enquanto vereador, um relacionamento muito emocional com aquele espaço, foi comigo que na altura a praia fluvial foi criada, o parque de campismo, o próprio Centro de Ciência Viva, que é um centro de referência a nível nacional, e, francamente, encontrei aquele espaço e aquela praia algo abandonada, e este caminho é um caminho que se faz caminhando”, declarou o autarca.

“Estivemos também a aguardar o novo instrumento de ornamento do parque natural, para percebermos o que é que temos de fazer mais naquele espaço, e a nossa intenção é requalificar também a praia fluvial e concessionar um restaurante com qualidade”, transformar o próprio parque de campismo e concessioná-lo, numa lógica de glamping, qualificando o espaço, trazendo novas e melhores frequências, num espaço de famílias e em que toda a gente se sinta bem, que seja um espaço organizado, limpo, e que nos possamos orgulhar, e que seja um espaço de acolhimento a quem nos visite, ao concelho de Alcanena, e ao parque natural das Serras de Aire e Candeeiros”, afirmou Anastácio.

Olhos de Água, a nascente romântica onde desagua uma praia fluvial com Bandeira Azul. Foto: CMA

Para o autarca, a conquista da Bandeira Azul é motivo de regozijo mas também implica, sobretudo, “responsabilidade. Os nossos serviços, os nossos técnicos não acreditavam que fosse possível. Eu penso que é sempre possível quando nós trabalhamos de uma forma afincada e persistente. Foi isso que nós fizemos”.

“Nós temos que respeitar o ecossistema dos rios, temos que respeitar as nossas margens, hoje há técnicas de renaturalização das margens, e isso foi feito quando nós criámos o passadiço, a própria praia, e o parque de estacionamento. Mas antes disso houve, de facto, uma intervenção da artificialização daquele espaço, que eu acho que o degradou. As praias não são piscinas, são praias, e, portanto, devem ter um ecossistema próprio de um rio. Pensamos também em vir a recuperar com uma nova intervenção o cordão ripícola, o ecossistema ribeirinho, e transformar aquela praia num local ainda mais aprazível do que ele já é”, afirmou.

Praia Fluvial dos Olhos de Água Conquista Primeira Bandeira Azul. Foto: CMA

Praia Fluvial dos Olhos de Água conquista Primeira Bandeira Azul

A Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação anunciou no dia 30 de abril as 404 praias galardoadas com a distinção de Bandeira Azul em 2025. A praia Fluvial dos Olhos de Água, no concelho de Alcanena, foi uma das sete praias interiores da região distinguida com a Bandeira Azul, o que acontece pela primeira vez, na sequência da candidatura apresentada pelo município de Alcanena.

Recorde-se que Alcanena, em coordenação com a APA/ARHTO, implementou nos últimos anos um programa de monitorização da qualidade da água, que culminou, em dezembro de 2024, com o pedido de designação da Praia Fluvial dos Olhos d’Água do Alviela como água balnear de interior, classificação perdida em 2009. A recuperação desta designação veio permitir a apresentação da candidatura da Praia Fluvial ao Programa Bandeira Azul.

Alcanena | Olhos de Água, a nascente que oferece praia, serra e ciência

A nascente do rio Alviela deu a Alcanena uma praia de águas límpidas, bem junto ao local onde nasceu o seu famoso Centro de Ciência Viva. Na Louriceira, terra do aqueduto que faz ligação ao de Lisboa, a nascente dos Olhos de Água é uma das mais importantes do país. Por ali passam os caminhos de Santiago de Compostela e de Fátima.

O nome “Olhos de Água” faz referência aos vários pontos de saída da nascente do Alviela (um permanente e outro, junto ao principal, temporário).

O “Poço Escuro” é um terceiro ponto de extravasamento de água. Segundo a página do Centro de Ciência Viva do Alviela, “a nascente dos Olhos de Água do Alviela é uma das mais importantes do país, chegando a debitar 17 mil litros por segundo, ou seja, 1,5 milhões de metros cúbicos de água por dia (pico de cheia).

Desde 1880 até bem próximo da atualidade, a nascente do Alviela foi uma das principais fontes de abastecimento de água à cidade de Lisboa (através do Aqueduto do Alviela), e ainda hoje “abre portas” a um dos maiores reservatórios de água doce do país”.

“Situa-se na transição entre o Maciço Calcário Estremenho e a Bacia Terciária do Tejo. A sua bacia de alimentação estende-se ao longo de cerca de 180 km2, onde a água percorre verdadeiros labirintos subterrâneos até chegar à nascente”.

Para os mais ousados, os percursos pedestres estão bem marcados e não oferecem grande dificuldade.

Olhos de Água, a nascente romântica onde desagua uma praia fluvial com Bandeira Azul. Foto: CMA

A lenda dos Olhos de Água, a nascente romântica do Alviela

Narra a história que uma princesa mourisca se apaixonou por um rapaz pobre, mas o pai não aceitou o romance, querendo antes obrigá-la a casar com outro pretendente. A jovem fugiu de casa, indo abrigar-se numas grutas junto à nascente do rio Alviela.

O rei pediu então a uma bruxa que a localizasse. Todos os dias a feiticeira a visitava e lhe sugeria outros pretendentes, os quais a princesa sempre recusava.

Até que um dia o rei, furioso com a desobediência da filha, a condenou a viver eternamente nas grutas. “As tuas lágrimas serão tantas e tão grossas que os teus olhos se tornarão enormes e para sempre essas lágrimas regarão as terras do Alviela e darão de beber a animais e pessoas”, sentenciou.

Surge desta lenda o nome Olhos de Água, a nascente do rio Alviela, no concelho de Alcanena.

Olhos de água, na nascente do Alviela. Foto: DR

O Centro de Ciência Viva do Alviela é outro equipamento que permite dinamizar a envolvente, com atividades diversas relacionados, por exemplo, com as colónias de morcegos e a geologia do território.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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