Cais de Vila Velha de Rodão Foto: Arlindo Marques

Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Alberto Caeiro dizia que o Tejo era mais belo que o rio que corre pela sua aldeia, mas que, no entanto, o Tejo só não podia ser mais belo que o rio que corre pela sua aldeia porque o Tejo não era o rio que corria na sua aldeia. Lendo o poema, podemos tirar inúmeras conclusões, mas a principal ideia que retiramos da comparação entre ambos os rios é precisamente a grandiosidade e a importância do rio Tejo na altura, que lhe conferia a sua beleza a que Caeiro se refere.

Como o Tejo é o rio que corre na minha aldeia seria fácil reconhecer a sua beleza, pois não tenho outro que mereça a minha consideração. Por ser o rio que passa mesmo à porta de minha casa, é meu dever defender este recurso pois ele já não é tão belo quanto era antigamente. Como o Tejo pertence a mais gente, há inúmeros relatos de desastrosos atentados contra a sobrevivência deste recurso que desde a nascença da nossa Nação, e até antes, garantiu a subsistência a muitos os que a ele recorreram para se fazerem à vida. No caso de Rossio ao Sul do Tejo, a minha aldeia, o Tejo foi fulcral para a fixação de pessoas nesta Banda d’Além, como era designada a área que corresponde ao Rossio antes do séc XVII, mais tarde aparece a designação de Porto do Tejo, depois em 1839 como Rocio do Tejo até à atual designação de Rossio ao Sul do Tejo. Desde sempre que esta localidade tem uma ligação muito forte ao Rio e lhe presta a sua merecida homenagem, mostrando a sua ligação muito próxima ao rio, integrando-o no seu nome.

Se Pessoa fosse vivo não faria esta comparação entre as águas mortas e negras do nosso Tejo e as águas, certamente límpidas da sua terra. Se o poeta estivesse vivo, faria um poema que descrevesse este problema, no entanto não temos um poeta que o faça mas temos um “Guardião do Tejo” que através de vídeos e com recurso às redes sociais tem feito um trabalho de mérito igual ao do poeta no que toca ao alertar para este problema. Arlindo Consolado Marques desde 2015 que tem dado a cara e o nome pela causa que é de todos, a proteção deste rio deveria ser uma prioridade para todos nós, pois muita da nossa história está interligada com o Tejo.

Arlindo denunciou várias empresas criminosas e poluidoras do nosso rio, mas tem dado destaque à CELTEJO em Vila Velha de Ródão, pois segundo inúmeros relatos esta empresa é a que mais despeja os seus efluentes no rio. Ao denunciar esta verdade o senhor Arlindo foi alvo de um processo, ou seja, tentaram calar quem denuncia os crimes. Quando soube do acontecimento fiquei triste por saber que vivo num país onde se compensa quem faz o mal e quem denuncia é castigado. No entanto a onda de contestação em torno deste acontecimento, associada a outros fatores mais recentes fez com que sanções fossem aplicadas à dita empresa.

Vamos devolver ao nosso Tejo a beleza que durante anos foi a sua característica. Vamos parar com os transvases de água, as descargas industriais e as descargas de ETAR que só prejudicam o nosso rio. Crie-se uma estação regional de tratamento de resíduos industriais e que não implique a poluição das águas.

Apoio incondicionalmente o movimento ProTejo e deixo aqui umas perguntas pertinentes: Porque demoraram mais de um mês a obtenção dos resultados das análises à água do rio? E porque é que essas análises dizem que está tudo bem quando é visível que não?

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

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