Capela de São Brás, no Castelo de Belver. Créditos: mediotejo.net

Na Idade Média, Belver era uma terra de Hospitalários, também chamados de Ordem de Malta fundada em Jerusalém, que foi evoluindo à sombra do castelo que é Hospitalário, do século XII, do reinado de Dom Sancho I. As relíquias foram entregues ao Grão Prior da Ordem de Malta que as foi ‘colecionando’, as mesmas que se encontram na arca da Igreja Matriz.

“E as relíquias são o anel de São Brás que era bispo, cabelos de Maria Madalena, palhinhas da manjedoura do menino Jesus, ossos… ou seja, aquilo que a imaginação da Idade Média criou à volta das relíquias e do negócio” que envolveram as Santas Relíquias por todo o mundo cristão, explicou ao mediotejo.net o professor Carlos Grácio, numa visita guiada realizada em 2023. O professor e investigador, um apaixonado pela história local, faleceu em janeiro deste ano, tendo deixado um legado de publicações em revistas de história local, como a Zahara, da qual era colaborador.

No castelo de Belver está ainda a Capela de São Brás, construção do século XVI, que ostenta um retábulo/relicário “em pau santo ou pau ferro, as opiniões dividem-se”, referiu na ocasião Carlos Grácio, mas é por certo de “madeira exótica”, dedicado ao bispo São Brás.

Outra lenda relata então que as Santas Relíquias foram depositadas nessa Capela pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel I), local de onde foram roubadas.

Todo o retábulo é composto por pequenas esculturas que têm um buraco no peito e a maioria não tem mãos, precisamente para guardarem o conjunto de relíquias que se diz terem sido trazidas da Terra Santa pelos Cavaleiros Hospitalários.

Capela de São Brás, em Belver, construção do século XVI, que ostenta um retábulo/relicário. Foto: DR

Do culto das Santas Relíquias, fenómeno de religiosidade popular enraizado na população de Belver, nasceram os festejos.

A vila de Belver recebe este ano a Festa das Santas Relíquias entre os dias 14 e 17 de agosto com um programa recheado de animação. O certame arranca na quinta-feira, dia 14, com a abertura oficial às 20h00, seguida da atuação do artista Zé Pedro Sousa, dando início a um fim de semana prolongado de celebrações. O último dia da festa, domingo, 17 de agosto, começa logo pela manhã com o peditório às 9h00, seguido da Missa e Procissão Solene às 16h00, o ponto alto das celebrações religiosas. 

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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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