Esta semana ficou marcada por mais um episódio que revela bem a forma de atuar do Governo. O Primeiro-Ministro foi desmascarado em pleno Parlamento a propósito de nova injeção de capital contingente no Novo Banco sem que houvesse uma auditoria e quem parece pagar a fava é o Ministro das Finanças e os portugueses. Se António Costa se apressou a pedir desculpa por não o terem informado devidamente, Centeno foi ao Parlamento lembrar que esses 850 milhões de euros tinham sido aprovados pelo Conselho de Ministros. Afinal, António Costa mentiu em pleno Parlamento pois presidiu a essa mesma reunião.
O episódio seguinte é ainda mais grave. Depois de descoberta a careca de Costa, o Ministro das Finanças é chamado a São Bento para levar um puxão de orelhas e assinar um comunicado em que confessa que o PM não foi informado a tempo, como se nós não soubéssemos já que essa matéria tinha passado pela reunião do Conselho de Ministros que ocorrera dias antes.
Recordo ainda que dias antes o Governo tinha feito saber publicamente que se opunha ao pagamento de prémios aos gestores do Novo Banco e que por essa razão descontaria esse montante ao valor a transferir. Ora, souberam fazer este spin político, mas não sabiam da transferência? Alguém acredita que um Primeiro-Ministro não saiba de uma transferência deste montante? Estão a gozar connosco.
Agora é o momento de alguns questionarem a razão desta transferência. Não tem nada a ver com a decisão da Resolução ou sequer da troika. Trata-se sim de um compromisso assumido pelo Governo (já de António Costa e da Geringonça) e pelo Fundo de resolução com a empresa que comprou o Novo Banco. A Lone Star aceitou pagar um valor superior ao esperado, mas tendo a garantia que podiam pedir ajuda ao Estado até 3.8 mil milhões de euros.
Ou seja, para garantir um “festim” na venda, comprometeram o dinheiro dos contribuintes para o futuro. Típico socialista. O mais grave é que ao que parece estas necessidades de capital nem são devidamente auditadas, ou seja, o contrato do Estado com o Novo Banco, feito por Centeno, praticamente incentiva o Novo Banco a pedir este capital contingente.
Na polémica desta semana fica a sensação que Centeno se limitou a cumprir o contrato leonino que ele próprio assinou e que António Costa apenas tentou sacudir a água do capote mentido aos portugueses e fazendo de conta que de nada sabia.
