Centenária ponte sobre o Tejo que liga Chamusca à Golegã não permite a passagem de dois camiões em simultâneo. Foto: DR

O Orçamento de Estado está a ser votado na especialidade durante esta semana. Artigo a artigo, proposta a proposta, os deputados e deputadas votam. É o momento da verdade. É aqui que se pode ou não alterar um Orçamento, sobretudo numa situação em que não existe uma maioria absoluta, como a actual. Muito se pode dizer sobre este Orçamento de Estado, para o ano 2020.

Já aqui escrevi sobre o seu contexto e quero voltar a falar sobre ele. Mas hoje apenas quero tratar um aspecto em concreto: a proposta do BE para que se iniciasse o processo para a construção de uma nova ponte sobre o Tejo na Chamusca, a única resposta possível à situação actual que prejudica cidadãos e cidadãs, empresas, cria situações de insegurança rodoviária, o caos que muitos vivem e todos conhecem.

É também, na fase da especialidade, que se dá forma de proposta a muitos compromissos políticos assumidos nas regiões que elegem os/as deputados/as. Nunca fui favorável, nem sequer sensível a posições meramente proclamatórias que apenas servem para fazer propaganda. Mas compromissos políticos são coisa séria e como tal devem ser respeitados.

Na anterior Legislatura todos os partidos votaram por unanimidade uma recomendação ao Governo para a construção da nova ponte. Agora, perante a possibilidade real de introduzir esse compromisso na Lei do Orçamento de Estado, recuam: PS, Chega e Iniciativa Liberal votam contra, PSD e CDS abstêm-se. BE (autor), PCP e PAN votam a favor.

Porquê? Porque é que o PS vota contra? Porque é que o PSD se abstém? Gostava de ver respondida esta pergunta, pelos deputados eleitos pelo Distrito de Santarém.

Parece existir consenso sobre ser uma necessidade, que é urgente, assim disseram todos em 2018 e se alguma coisa mudou foi para pior.

Esta proposta não desequilibra em nada o Orçamento, porque vota contra o PS? E o PSD porque se abstém? Já não é um problema? Deixou de ser urgente?

Eu gostava de saber a resposta, mas acho que a população tem direito a sabê-la. Os e as eleitores/as do PS e do PSD têm direito a saber os motivos desta posição por aqueles a quem deram o voto.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *