Nova direção da Artemrede reforça papel da cultura na coesão territorial. Foto: Artemrede

“O plano de 2026 consolida um ciclo que vem dos últimos anos, com foco na criação artística, participação das comunidades e internacionalização, mantendo a cultura como motor de transformação social e coesão territorial”, disse o presidente da Artemrede, Luís Dias.

“É um modo de fazer assente na escuta, na reflexão e na partilha de responsabilidades, garantindo pluralismo de vozes e reforçando a cultura como direito fundamental”, acrescentou o responsável, também vereador na Câmara de Abrantes.

O plano centra-se na produção e circulação de novas coproduções artísticas nas áreas do teatro, dança, performance, cruzamentos disciplinares e marionetas.

Entre os artistas selecionados estão Gaya de Medeiros, Raquel André e Tristany Mundu, bem como as companhias Mente de Cão e Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser. Cada projeto será coproduzido por seis a oito municípios e inclui ações de mediação cultural junto das comunidades.

“Este ciclo introduz a figura do mediador cultural por projeto, com cinco profissionais a trabalhar em articulação com artistas e equipas municipais, garantindo estratégias ajustadas a cada território”, explicou.

“É uma mudança de paradigma, da programação isolada para um modelo de coproduções que aprofundam criação, participação e mediação”, sublinhou.

ÁUDIO | LUÍS DIAS, PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ARTEMREDE:

Continuam também a circular coproduções do ciclo 2024-2025, como Labirinto (David Marques), Curupira (Mente de Cão) e Campânula de Vidro (Marta Carreiras e Martim Rodrigues).

Na participação comunitária destacam-se a iniciativa JAM! – Jovens + Artes = Mudança, em cinco municípios, e o projeto Cultura em Assembleia, em Abrantes e Montemor-o-Novo.

“São projetos que reforçam a democracia cultural e envolvem jovens, associações e cidadãos em processos de criação coletiva”, afirmou Luís Dias, defendendo que é “essencial que as comunidades se sintam parte ativa da cultura e da transformação social”.

A Artemrede mantém candidaturas a programas europeus, com projetos como Future Paths (Erasmus+), centrado em práticas artísticas ecológicas e inclusivas, e Culture in Assembly, RestART e Production5 (Europa Criativa), envolvendo parceiros de vários países.

“A cooperação internacional tem sido decisiva para a sustentabilidade da rede e para dar visibilidade aos projetos”, afirmou, destacando o reforço da notoriedade e da capacidade de replicação territorial.

Prosseguem também ações de capacitação, como os Dias Abertos e as Caravanas Artemrede, visitas de dois a três dias aos municípios associados.

“As Caravanas fortalecem a ligação entre equipas executivas e locais, promovendo formação e reflexão conjunta sobre políticas culturais”, disse, adiantando que um Fórum Político bienal reunirá autarcas para debater o setor.

Sobre a relação com a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) e os apoios à programação, Luís Dias afirmou que “a integração na RTCP garante apoio substantivo, em articulação com a Direção-Geral das Artes (DGARTES), mas a Artemrede vai além, promovendo inclusão e democratização cultural”.

Acrescentou que a rede acompanha os planos da ministra da Cultura para formar programadores de cinema nos equipamentos municipais, considerando a medida essencial para reforçar competências técnicas e ampliar o acesso à cultura nos territórios.

O orçamento anual ronda cerca de um milhão de euros, suportando o funcionamento da rede e as produções, com apoio de parceiros como a Fundação Calouste Gulbenkian e programas internacionais.

“É um modelo estruturado, capaz de responder a desafios complexos e com potencial de replicação territorial”, afirmou.

Nova direção da Artemrede reforça papel da cultura na coesão territorial. Foto: Artemrede

A direção manteve a presidência no Município de Abrantes, representado por Luís Dias. A vice-presidência foi atribuída ao Município de Lisboa (Diogo Moura) e a direção integra ainda Rui Estrela (Torres Vedras), Fernanda Pésinho (Palmela) e Sara Ferreira (Barreiro).

Na Mesa da Assembleia-Geral foram eleitos Inês de Medeiros (Almada) como presidente, Paula Malojo (Alcobaça) como vice-presidente e Emanuel Campos (Santarém) como vogal.

O Conselho Fiscal será presidido por Carlos Pinto Sá (Montemor-o-Novo), com Gabriel Feitor (Alcanena) como vice-presidente e José de Jesus Gonçalves Mendes como vogal e revisor oficial de contas.

A Artemrede agrega os municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Barreiro, Lisboa, Moita, Montemor-o-Novo, Montijo, Oeiras, Palmela, Pombal, Santarém, Sesimbra, Sobral de Monte Agraço, Tomar e Torres Vedras, bem como a Rumo – Cooperativa de Solidariedade Social.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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