Morreu António Roldão, nome maior da história e identidade da Barquinha. Foto arquivo: CMVNB

As cerimónias fúnebres terão início na quarta-feira, dia 25 de março, com o velório a realizar-se na Capela Mortuária de Vila Nova da Barquinha a partir das 15:30. O funeral está agendado para quinta-feira, 26 de março. O corpo sairá da Capela Mortuária pelas 10:15, seguindo para a Igreja Matriz de Vila Nova da Barquinha, onde será celebrada a missa de corpo presente às 10:30. Após a cerimónia religiosa, o cortejo fúnebre seguirá para o cemitério da Moita do Norte, onde será realizado o sepultamento.

António Luís Roldão (1934-2026), uma das mais relevantes figuras da vida cultural de Vila Nova da Barquinha, deixa um legado profundamente enraizado na história, identidade, cultura, e memória coletiva do concelho. António Roldão faleceu no sábado, Dia Mundial da Poesia, com 91 anos.

Nascido a 19 de novembro de 1934, na Rua da Barca, António Roldão destacou-se ao longo de décadas por uma atividade multifacetada, sendo reconhecido como poeta, músico, jornalista, associativista, autarca e, sobretudo, investigador da história local.

Nas redes sociais multiplicam-se os votos de pesar, com o município de Vila Nova da Barquinha a manifestar o seu mais profundo pesar pelo falecimento de António Luís Roldão, figura incontornável da sociedade barquinhense. “Neste momento de dor e consternação, endereçamos à família, amigos e a todos aqueles que com ele privaram as mais sentidas condolências, reconhecendo o seu percurso de vida e o contributo que deixa na nossa memória coletiva”, publicou o município, na sua página oficial.

Fernando Freire, ex-presidente do município, investigador da história local e amigo pessoal de António Roldão também manifestou o seu pesar e deixou uma mensagem em sua memória.

“Com as suas pesquisas no Arquivo Municipal, com o seu nome desde 2021, em Santarém e Lisboa, que lhe queimaram as pestanas e anos de vida estou ciente que muita da nossa história local barquinhanse foi feita, e bem-feita! Temos pesquisa de enorme qualidade, reconhecida pelos seus pares. Em consequência foram publicadas duas obras, Crónicas Históricas I e II”.

“A investigação de estruturas de longa duração inscritas na natureza, as visitas régias, o convento do Loreto, os estrangeiros do Entroncamento, histórias e memórias da Moita e da Atalaia, figuras impares como Carlos Barral Filipe, os forais, os marcos, a estrada de neveiros, os relógios, as varandas, o chafariz, NS Reclamador, os inventários, os expostos, as ruas, os cais, as quintas, as paisagens materiais, o casal Iria Teresa; o Pedregoso, O Soveral da Lameira, os Torroais, estes dois últimos lugares, já extintos, e fora da memória do homem atual, foram sujeitos a visita obrigatória a convite irrecusável da sua ilustre pessoa”.

Cultura barquinhense em luto pela morte de António Roldão. Foto arquivo: CMVNB

“Responsável por grandes narrativas históricas de Vila Nova da Barquinha, ou seja, com a análise concreta de factos, brindou-nos com um último livro, de poesia, “Ritornelo”, levou-nos para quadros abaláveis e indefiníveis perto daquele Olimpo onde soe que os deuses greco-latinos moram. A sua poesia surgiu tão natural como o nascer e morrer das folhas das árvores que observava no Parque à beira do Tejo e que lhe serviu de inspiração”. 

“Naquela obra rememorou, através do verbo emocionado e muitas vezes sarcástico, as quimeras e os desencantos, a intemporalidade dos recantos temporais, a natureza no seu esplendor, os caminhos que percorreu e o seu quotidiano. Uma comunicação secreta com os encantamentos e sofrimentos deste homem a quem Vila Nova da Barquinha muito fica a dever.

Desviando a névoa das coisas, procurando a claridade, somos justos quanto sabemos agradecer aqueles que tanto nos dão. BEM HAJA Sr. Roldão”.

António Luís Roldão. Créditos fotográficos: Pérsio Basso / CMVNB

O trabalho persistente e dedicado de António Roldão tornou-o uma referência incontornável na preservação e divulgação do património histórico barquinhense.

No jornalismo, foi um dos impulsionadores da “Folha Paroquial”, nos anos 60, publicação que viria a dar origem ao jornal “Novo Almourol”, com o qual manteve colaboração ao longo dos anos, tendo desempenhado também funções de subdiretor.

A sua escrita regular contribuiu de forma decisiva para o conhecimento da história local junto da comunidade.

Enquanto investigador, deixou obra marcante com a publicação dos dois volumes de “Barquinha, Crónicas Históricas”, editados em 2014 e 2020, onde reuniu anos de investigação sobre o passado do concelho, fixando memórias, acontecimentos e figuras que ajudaram a construir a identidade local.

Em setembro de 2022, António Roldão lançou ainda “Ritornelo”, uma obra de poesia que contou com ilustração da pintora Isabel Fescrata (Isafre).

D. Maria II também “marcou presença” numa das cerimónias de homenagem a António Luís Roldão. Foto arquivo: mediotejo.net

.A sua ligação ao movimento associativo foi igualmente intensa, tendo desempenhado funções em diversas instituições, como a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha, o Sporting Clube Barquinhense, o Clube União de Recreios de Moita do Norte, a Santa Casa da Misericórdia e a paróquia local.

Na música, integrou durante cerca de 50 anos a Banda dos Bombeiros da Barquinha, demonstrando uma dedicação ímpar à cultura filarmónica. Paralelamente, na poesia, publicou várias obras e participou em iniciativas culturais promovidas pelo município.

António Luis Roldão é poeta, músico, jornalista, associativista, autarca e investigador da história local. Foto: Redação

O reconhecimento público do seu percurso chegou também pelas mãos da autarquia, que em 2009 lhe atribuiu a Medalha Municipal de Mérito Cultural – Grau Ouro.

Mais tarde, em 2021, o seu nome foi perpetuado no Arquivo Municipal – António Luís Roldão, numa homenagem à sua dedicação à história e memória do concelho.

A morte de António Luís Roldão representa uma perda significativa para Vila Nova da Barquinha, que vê partir um dos seus mais dedicados cronistas e promotores culturais.

O seu legado permanecerá vivo na obra que deixou e na memória coletiva de uma comunidade que ajudou a conhecer-se melhor a si própria.

Os pormenores das cerimónias fúnebres ainda não são conhecidos.

O jornal mediotejo.net endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de António Luís Roldão.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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