O Médio Tejo está sob duplo alerta: os caudais elevados do Tejo e a previsão de chuva persistente após a tempestade Kristin. A Proteção Civil apela à retirada de bens e animais de zonas inundáveis, enquanto o presidente da CIM avisa para riscos acrescidos nos municípios ribeirinhos, como Mação, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) apelou às populações das bacias do Tejo e do Mondego para retirarem bens e animais das zonas potencialmente inundáveis, face à previsão de chuva persistente a partir de domingo e aos solos já saturados.
O comandante nacional, Mário Silvestre, pediu medidas preventivas antecipadas, alertando também para o risco de inundações rápidas em meio urbano. Estão a ser posicionados meios como embarcações e bombas de alta capacidade para resposta imediata.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê mais de 160 milímetros de precipitação acumulada ao longo da próxima semana, sobretudo no norte e centro, num território já fragilizado pela passagem da tempestade Kristin, que provocou mortos, desalojados e elevados danos materiais. O Governo decretou situação de calamidade em cerca de 60 municípios.
Neste contexto, o presidente da Câmara de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, sublinha que a região enfrenta dois alertas em simultâneo: os efeitos ainda visíveis da tempestade e o risco real de cheias associado aos caudais do Tejo e das linhas de água.
“Os caudais estão elevados, fora do seu processo normal, e a previsão de chuva assusta. As ribeiras, as albufeiras e o próprio Tejo estão em cotas máximas”, afirmou, alertando para a possibilidade de agravamento da situação caso ocorram descargas nas barragens a montante.
Em Abrantes, há já pontos críticos identificados, como a Estrada Nacional 118, a ligação entre Rossio ao Pego e Arrifana–São Miguel, além de várias linhas de água, como em Rio de Moinhos, que em cenários de chuva intensa ganham rapidamente caudais perigosos.
Valamatos associa este risco às fragilidades ainda existentes no território após a tempestade Kristin, nomeadamente ao nível da rede elétrica, que continua com falhas em várias freguesias. “O colapso das estruturas elétricas tem implicações no abastecimento de água, nas comunicações e em toda a capacidade de resposta”, referiu.
O autarca pede compreensão e colaboração da população, reforçando a importância de seguir as recomendações da Proteção Civil, numa altura em que os terrenos encharcados aumentam também o risco de derrocadas, queda de árvores e novos danos em estradas e pontões.
“As informações da Proteção Civil e da APA são claras: vamos ter dias com muita pluviosidade e isso, com os rios e ribeiras já nestas dimensões, representa uma preocupação elevadíssima”, concluiu.
