Ilustração de Ricardo Cabrita

O Médio Tejo tem vindo a afirmar-se como um território de referência na promoção da sustentabilidade, resultado de uma mobilização coletiva entre municípios, empresas e instituições da região. Este percurso ganhou novo impulso com a realização do Fórum Green Days Médio Tejo 2025, em março, que reuniu decisores políticos, empresários e especialistas para debater e delinear estratégias inovadoras de resposta aos desafios ambientais, sociais e de governança (ESG).

Um dos momentos marcantes deste evento foi a assinatura da Declaração Green Days Médio Tejo 2030, um pacto que formaliza o compromisso conjunto para a implementação de práticas sustentáveis, promoção da economia circular e aposta na eficiência energética. Este compromisso já se reflete na adoção de planos de ação climática pelos municípios e na criação do futuro Observatório Green Days Médio Tejo, que irá monitorizar, partilhar boas práticas e capacitar os agentes locais para a transição sustentável.

Na continuidade desta dinâmica territorial, destaco a recente oportunidade que tive ao acompanhar a comitiva dos onze presidentes de câmara do Médio Tejo, em representação da Nersant, numa missão técnica à cidade de Milão, na semana passada, num contexto de mobilização regional e aposta em soluções colaborativas e inovadoras. Destaco a apresentação da Milan Urban Food Policy, reconhecida internacionalmente pela sua abordagem integrada e participativa à sustentabilidade alimentar urbana. Seguiu-se a visita ao SOGEMI, o principal centro agroalimentar de Milão, exemplo europeu de logística e distribuição alimentar eficiente, recentemente renovado com aposta em tecnologia, sustentabilidade e energia renovável.

Outro momento relevante foi a visita a um Food Waste Hub, espaço dedicado à redução do desperdício alimentar, através da recuperação e redistribuição de excedentes para fins sociais – um modelo inspirador e possível de  replicar no Médio Tejo. Por fim, a participação na Feira TuttoFood, uma das maiores feiras internacionais do setor, permitiu conhecer as mais recentes tendências, soluções tecnológicas e boas práticas globais. No stand do município de Milão viveu-se um dos pontos altos desta missão, com a assinatura oficial do Pacto de Milão pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, reforçando o compromisso regional de integração numa rede global de cidades que partilham experiências, desafios e soluções inovadoras para a alimentação urbana.

O Pacto de Milão, subscrito por mais de 280 cidades, promove uma abordagem integrada à sustentabilidade alimentar, abrangendo governança, dietas saudáveis, equidade social e económica, produção, distribuição e combate ao desperdício. O seu sistema de monitorização, com 44 indicadores, permite avaliar o impacto das políticas locais e facilita a partilha de boas práticas entre cidades e regiões. A aposta em logística sustentável e a criação de hubs para redução do desperdício são exemplos concretos do impacto social e ambiental gerado por este compromisso.

O Médio Tejo já tem vindo a implementar diversas iniciativas alinhadas com os princípios do Pacto de Milão, como o projeto LA&DMMT – Literacia Alimentar & Dieta Mediterrânica, que articula educação alimentar, valorização de produtos locais e combate à precariedade alimentar. Destaco também o compromisso regional com a economia circular, visível na participação de municípios e entidades no Pacto Institucional para a Valorização da Economia Circular da Região Centro, com ações concretas de valorização de subprodutos, extensão do ciclo de vida dos produtos e uso eficiente de recursos.

Estou em crer que esta missão a Milão veio reforçar a convicção de que o Médio Tejo possui todas as condições para construir sistemas alimentares mais justos, saudáveis e sustentáveis, integrando de forma equilibrada as dimensões económica, social e ambiental. Esta experiência abriu novas perspetivas para aprofundar a cooperação internacional, impulsionar políticas públicas inovadoras, fortalecer a resiliência alimentar e valorizar os recursos locais.

O Médio Tejo consolida-se, assim, como exemplo de liderança e partilha de boas práticas, renovando o compromisso coletivo com um futuro mais sustentável e inclusivo para toda a região.

Arquiteto (Universidade Lusíada, 1997), foi Presidente do Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitetos e vogal da Secção Regional Sul (2005-2008) e do Conselho Diretivo Nacional (2020-2023), sendo Conselheiro do Conselho de Supervisão da Ordem dos Arquitetos. Exerce a profissão na MODO Associados, de que foi fundador, tendo sido Vice-Presidente das Câmaras Municipais de Abrantes e Tomar (2009-2016). É atualmente Presidente da NERSANT – Associação Empresarial de Santarém.

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