O Médio Tejo reforçou a sua identidade turística na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) 2026, que decorre até domingo, destacando-se como território de experiências imersivas, património histórico, gastronomia autêntica e vinhos de excelência, mesmo num contexto de recuperação após cheias e tempestade Kristin.
Integrada no espaço da Turismo Centro de Portugal, a região apresentou uma programação diversificada que incluiu a intervenção da judoca olímpica Patrícia Sampaio, showcooking com chefs locais, provas de vinhos do novo terroir “Serras” do Tejo e a divulgação do ciclo “Quintas do Médio Tejo – Visit, Taste & Lounge”.
A tarde de sexta-feira, dedicada ao Médio Tejo, iniciou com a apresentação “Visite o Médio Tejo” que esteve a cargo da judoca olímpica Patrícia Sampaio, natural de Tomar e que assumiu o papel de embaixadora da região na BTL 2026.
A atleta destacou a localização estratégica do território, “mesmo no centro do país”, e a diversidade da sua oferta turística, apontando o Santuário de Fátima como referência maior do património religioso, a herança templária como marca identitária, com destaque para o Convento de Cristo, a Torre de Dornes e o Castelo de Almourol e a zona da Albufeira de Castelo de Bode enquanto espaço privilegiado de natureza e lazer.





Num périplo pelos 11 concelhos do Médio Tejo, Patrícia Sampaio sublinhou ainda a riqueza cultural e museológica da região, referindo equipamentos como o Museu Nacional Ferroviário, centros de ciência viva, festivais, património arquitetónico e uma gastronomia marcada pelos produtos locais e pelos vinhos.
A atleta encerrou a intervenção com um convite ao público, garantindo que o Médio Tejo “está pronto para ser descoberto” e preparado para receber visitantes com uma oferta diversificada e experiências imersivas associadas ao seu património histórico e natural.
O momento de showcooking levou ao palco o chef Sérgio Fernandes, de Tomar, que apresentou uma recriação contemporânea de pratos tradicionais do Médio Tejo, sublinhando a forte ligação da gastronomia local aos produtos endógenos.
“Somos abençoados com rios, serras, olivais, pomares. Somos terras com tradição, de gentes boas, de gastronomia humilde, feita com produtos locais”, afirmou Sérgio Fernandes, explicando que essa é a génese da cozinha da região.




Entre as propostas apresentadas esteve uma reinterpretação do tradicional “coelho na abóbora”. Na versão levada à BTL, o prato surgiu com apontamentos contemporâneos, mantendo a essência do produto local.
Seguiu-se uma alhada reinterpretada com lúcio-perca, peixe abundante nas águas do Tejo, em alternativa ao tradicional cação, estabelecendo pontes gastronómicas com o Alentejo e a Beira. Para finalizar, a sobremesa evocou a tradição conventual da região, com torta de laranja do Pafarrão, em Torres Novas.
A sessão dedicada aos vinhos do Médio Tejo destacou o novo terroir “Serras” da Região Vitivinícola do Tejo, apresentado pelo engenheiro João Silvestre, diretor-geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo.
Identificada recentemente como sub-região autónoma, a zona das Serras, que abrange concelhos como Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Sardoal e Mação, distingue-se pela maior altitude média, solos mais pobres de xisto e granito e vinhas mais antigas.
Estes fatores conferem aos vinhos maior frescura, elegância, mineralidade e capacidade de envelhecimento, reforçando a identidade diferenciadora deste “Tejo de nicho”, que se afasta da antiga imagem de vinhos exclusivamente de volume.







A par da componente técnica, a apresentação valorizou também o enoturismo como experiência integrada, através da intervenção de Ana Louriceira, da Rota dos Vinhos do Tejo, que representa 45 produtores.
A responsável sublinhou que o enoturismo “não é só prova de vinhos”, mas uma vivência que cruza gastronomia, património, tradição e contacto com as comunidades locais, destacando várias quintas do Médio Tejo com programas que vão das provas comentadas a eventos corporativos, experiências gastronómicas e atividades para famílias.
O momento encerrou com a divulgação da segunda edição do ciclo “Quintas do Médio Tejo – Visit, Taste & Lounge”, iniciativa promovida pela CIM Médio Tejo, com início a 16 de maio e término a 27 de junho, passando por várias adegas e produtores da sub-região.
O convite ficou lançado ao público da BTL: visitar o território, conhecer as quintas e provar no local os vinhos que expressam a autenticidade e o carácter das Serras do Tejo.





“A melhor região do país” esteve em promoção na BTL
Para Bruno Gomes, vice-presidente da CIM Médio Tejo, a participação na BTL representou um momento de afirmação territorial. “Apresentámos aquela que eu considero a melhor região do país”, afirmou, defendendo que o Médio Tejo procurou “exponenciar a qualidade dos seus produtos turísticos” e reforçar a visibilidade da região.
À margem das apresentações, destacou a transversalidade da oferta turística, sublinhando que a proximidade entre concelhos permite ao visitante conhecer facilmente diferentes recursos num curto espaço de tempo.


“Se olharmos para a região, um turista consegue chegar rapidamente a todos os pontos e bater à porta dos principais ativos turísticos. Esta panóplia de recursos é algo diferenciador e que temos de continuar a promover e consolidar.”
Entre as apostas estratégicas, o enoturismo assumiu particular destaque. Segundo Bruno Gomes, o território tem vindo a construir um caminho consistente neste segmento. “Hoje temos vinhos, vinhas e quintas com uma qualidade muito grande. O enoturismo é uma grande aposta e precisamos de dar a conhecer aquilo que já se produz no Médio Tejo.”

Num contexto em que o turismo procura cada vez mais experiências personalizadas, o autarca considera que a ligação entre vinho, paisagem e património constitui uma vantagem competitiva.
“As pessoas procuram experiências singulares e diferenciadoras. A beleza natural e arquitetónica das quintas, associada ao vinho, é algo que o Médio Tejo pode oferecer com muita qualidade.”

O vice-presidente da CIM sublinhou ainda que o vinho integra a identidade cultural da região e pode abrir portas a novos mercados internacionais, nomeadamente o norte-americano, considerado estratégico pelo seu poder de compra.
Promoção turística em tempo de recuperação no pós-tempestade
A participação na BTL ocorreu num contexto particularmente desafiante para alguns concelhos do Médio Tejo, após os impactos provocados pela tempestade Kristin, que atingiu o território no início do ano.
Bruno Gomes reconheceu tratar-se de um momento “agridoce”, mas defendeu a continuidade da promoção turística como fator essencial para a recuperação económica.
“O território tem que continuar a criar dinâmicas, valor e trazer pessoas para que a restauração, a hotelaria e os empresários possam continuar a gerar rendimento e fixar população.”
O autarca destacou a necessidade de união entre municípios afetados, referindo particularmente o esforço de recuperação em zonas mais atingidas, entre elas Ferreira do Zêzere, município a que preside.

A aposta na dinamização económica reflete-se, por exemplo, na manutenção do Festival Gastronómico do Lagostim e Peixe do Rio, que este ano assume uma “edição de resiliência”, precisamente para apoiar restaurantes e promover produtos locais após os prejuízos causados pela tempestade.
“A vida não pode parar. Temos de olhar para esta tragédia também com pragmatismo e transformá-la numa oportunidade para fazer melhor”, afirmou, defendendo uma resposta baseada na resiliência dos autarcas, empresários e comunidades locais.
Região Centro aposta na união das sub-regiões
Também o presidente da Turismo do Centro de Portugal, Rui Ventura, sublinhou a importância estratégica da BTL enquanto montra nacional do turismo. “É um momento de excelência em Portugal para mostrar aquilo que temos, (…) desde o Atlântico até ao interior do país”, afirmou.
Segundo o responsável, a edição deste ano apostou numa nova filosofia de organização do espaço expositivo, dando maior protagonismo às sub-regiões. O objetivo passa por reforçar uma presença conjunta no futuro.

Rui Ventura defendeu que a entidade regional deve assumir um papel agregador. “Queremos ser a umbrela e trabalhar em conjunto. (…) Faz todo o sentido estarmos todos juntos na BTL, da mesma forma como trabalhamos no território.”
O dirigente destacou igualmente a relevância do enoturismo na região Centro, que reúne várias comissões vitivinícolas e assume o vinho como produto estruturante da oferta turística.
O presidente da Turismo do Centro de Portugal abordou ainda os desafios recentes enfrentados pela região, desde os incêndios do verão às intempéries do início do ano, defendendo uma adaptação estrutural às alterações climáticas.




“Não vale a pena meter a cabeça na areia (…). Isto vai acontecer ciclicamente e temos de preparar melhor o território”, afirmou, apontando a necessidade de reforçar infraestruturas e respostas articuladas entre entidades públicas e privadas.
O responsável revelou ainda que está em curso uma aposta promocional reforçada, sobretudo no mercado espanhol e defendeu uma campanha nacional estruturada dedicada ao Centro de Portugal. “É a forma de ajudar o território, os pequenos comércios, os empresários da hotelaria e toda a economia regional”, concluiu.








O ministro da Economia descartou na BTL a ideia que existe turismo a mais em Portugal, assim como uma dependência excessiva do peso do setor na economia, defendendo até que há potencial para crescimento.
“Eu faço parte do grupo dos que defendem que não há turismo a mais, de maneira nenhuma. O turismo ainda tem espaço para crescer”, disse Manuel Castro Almeida à margem da 36.ª BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, que decorre em Lisboa.
Ainda assim, o ministro da Economia e da Coesão Territorial admite que possa existir uma outra zona do país onde se note já uma saturação. Os empresários do setor têm apontado Lisboa e Porto, nomeadamente as zonas da baixa, zonas históricas como estando a chegar a um limite.
“Não nego que numa ou outra zona do país, numa ou outra semana do ano, possam ter uma sobrecarga excessiva de turistas. Mas isso são exceções”, defendeu o ministro.
Castro Almeida diz que “na generalidade do país e na generalidade do ano, há ainda o potencial grande de crescimento do turismo. Queremos mais”.
No entanto, o governante defende a estratégia que os empresários do setor têm vindo a desenvolver recentemente: mais do que crescer em número, o setor deve e quer crescer em valor.

“Mais importante do que ter mais turistas é ter mais faturação, mais valor acrescentado, porque, no fim do dia, o que eu quero é que quem trabalha no turismo e que quem trabalha para o turismo possa ter melhores rendimentos. Esse é que é o interesse final. E é por aí que se mede, digamos, a mais-valia do setor turístico”, explicou.
Esta tem sido uma estratégia defendida por todos os agentes do setor, até porque Portugal tem um constrangimento que é a lotação da capacidade do principal aeroporto, o de Lisboa.
“Vamos ter um aeroporto a pensar nisso também [o projeto da nova infraestrutura aeroportuária em Alcochete]. O turismo pode crescer também em número de turistas, mas, sobretudo, temos que valorizar mais, aumentar o valor do produto turístico para que, no fim do dia, quem trabalha no turismo, sejam empresários, sejam trabalhadores, possam aumentar os seus rendimentos. Esse é o caminho certo. […] Qualificar o turismo, aumentar, acrescentar valor àquilo que se oferece ao turista que nos visita”, afirmou.
As receitas turísticas em Portugal atingiram os 29,131 milhões de euros em 2025, segundo dados do Banco de Portugal.
Questionado sobre o alerta de algumas instituições económicas, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) da eventual dependência excessiva do setor, que tem sido apontado como o grande motor da economia nos últimos anos, o ministro nega.
“Não, não concordo nada com isso, porque Portugal é um bom produto turístico. O turismo em termos mundiais vai crescer e Portugal pode estar na linha da frente desse crescimento porque tem um bom produto para apresentar”, assegura.
O crescimento do turismo em Portugal não é artificial, está sustentado em qualidades intrínsecas que Portugal tem, características que Portugal tem, que fazem, atraem naturalmente mais turistas.
A BTL, considerada a maior montra do setor de turismo em Portugal, começou na quarta-feira em Lisboa, na FIL, com a organização a apostar numa edição recorde, estimando mais visitantes que os 82 mil de 2025, um maior impacto económico e mais internacionalização.
Na quarta-feira, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, disse à Lusa que há perspetivas positivas para o verão turístico em Portugal, com novas rotas de longo curso, estando o Governo a trabalhar para encontrar soluções que evitem, o regresso, de constrangimentos nos aeroportos.
c/Lusa
