Prejuízos do mau tempo em Tomar ultrapassam 5,4 milhões de euros. Foto: CMT

Os prejuízos provocados pela tempestade Kristin no concelho de Tomar ascendem já a 4.426.500 euros em equipamentos municipais, excluindo danos em vias, a que se somam cerca de 990 mil euros em património cultural, nomeadamente igrejas e capelas afetadas. No total, os estragos identificados ultrapassam 5,4 milhões de euros, valor que não inclui ainda as despesas associadas à resposta imediata à emergência, como combustível, requisição e contratação de máquinas e serviços externos, informou o presidente da Câmara.

Na reunião do executivo municipal de Tomar realizada esta segunda-feira, após uma intervenção do vereador José Delgado (PS), o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), admitiu que os estragos no arvoredo, particularmente no espaço urbano, foram de grande dimensão, atingindo árvores com décadas e, em alguns casos, séculos.

O autarca considerou que a situação pode também representar uma oportunidade para repensar e redesenhar o território, ainda que a recuperação da escala arbórea venha a demorar décadas.

Ao nível das infraestruturas, o autarca indicou que o fornecimento de energia está praticamente restabelecido, persistindo apenas situações pontuais.

Já no que diz respeito às comunicações, sobretudo fibra ótica e cabos, o cenário continua mais complexo, com uma taxa de cobertura ainda abaixo do desejável. A prioridade passou agora para a reposição das comunicações, reconhecendo, contudo, que os meios disponíveis e a dimensão do desafio são significativos.

Foto: CMT
ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Tiago Carrão referiu ainda que o eventual enterramento de infraestruturas, nomeadamente dos cabos elétricos, deve ser devidamente planeado, reconhecendo vantagens ao nível da resiliência, mas também custos elevados e constrangimentos técnicos.

Relativamente ao risco de incêndio, o presidente explicou que a preocupação surgiu logo nos primeiros dias após a tempestade. Muitas áreas florestais ficaram com árvores derrubadas, transformando o que era arvoredo em “combustível pelo chão fora”. Acresce a destruição de diversos caminhos vicinais, dificultando o acesso.

O autarca reconheceu que, apesar de Tomar não registar incêndios de grande dimensão há vários anos, essa circunstância contribui para uma floresta atualmente mais descontrolada, tornando urgente a definição de um plano que envolva terrenos públicos e privados para preparar a próxima época de incêndios.

Foto: CMT

Tomar concentra 20% das candidaturas na CCDR

No âmbito dos apoios à calamidade, Tiago Carrão destacou que Tomar está entre os concelhos com maior número de candidaturas submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, representando 20% do total das candidaturas entre os 20 municípios abrangidos.

O valor global das candidaturas no concelho ultrapassava, na passada sexta-feira, 3,1 milhões de euros. O presidente sublinhou que a validação dos pedidos é feita pelo município, garantindo rigor no processo, embora já existam candidaturas aprovadas.

Está ainda prevista, em articulação com a CCDR, a realização de um levantamento porta-a-porta nas freguesias mais afetadas, sobretudo rurais, para identificar pessoas vulneráveis que ainda não tenham submetido pedidos de apoio.

Na sequência da intervenção do vereador do PS, Hugo Cristóvão, que questionou sobre a estimativa de custos para o município e juntas de freguesia, o presidente apresentou dados atualizados.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, vereador eleito pelo PS na CMT

Os prejuízos em equipamentos municipais ascendem a 4.426.500 euros, excluindo danos em vias. A este valor somam-se cerca de 990 mil euros em património cultural, incluindo igrejas e capelas afetadas.

No total, os danos já identificados ultrapassam 5,4 milhões de euros, sem contabilizar despesas associadas à resposta imediata, como combustível, requisição e contratação de máquinas e serviços externos.

Foram igualmente registados prejuízos significativos em associações e IPSS. O presidente referiu casos concretos como a Associação Cultural, Recreativa e Social da Venda Nova, com danos superiores a 100 mil euros, e na Portela da Vila, onde o Centro de Dia apresenta prejuízos acima dos 300 mil euros.

Hugo Cristóvão alertou para a necessidade de garantir que ninguém fica excluído dos apoios, sobretudo em zonas rurais, defendendo um papel ativo das juntas de freguesia na identificação de situações ainda não sinalizadas.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Tiago Carrão assegurou que as juntas de freguesia não serão esquecidas, reconhecendo que várias têm sedes e edifícios com danos significativos e impacto orçamental relevante. Perante prejuízos que o autarca classificou como “quase astronómicos”, o município aguarda a concretização do pacote de apoio governamental para assegurar a recuperação do concelho.

A depressão Kristin, que atingiu Portugal a 28 de janeiro, e as tempestades que se lhe seguiram provocaram danos significativos em vários concelhos do país.

Dezoito pessoas morreram na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram ainda centenas de feridos e desalojados.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram das mais afetadas.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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