A primeira fase de consolidação do talude que desabou junto ao Tribunal de Torres Novas foi já concluída, indicou hoje o município, que estima que o mau tempo provocou “prejuízos de milhões de euros” em habitações, estradas e equipamentos públicos.
“Os trabalhos dos militares do Regimento de Engenharia N.º1 do Exército foram exemplarmente executados, num esforço que envolveu chuva, frio, vento e risco de acidente. Colocámos as telas para impermeabilizar o talude e agora vamos deixar secar antes de avançar para a fase de consolidação definitiva”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques.
Na madrugada de 07 de fevereiro colapsou uma secção do talude junto ao tribunal, com cerca de 15 metros de extensão e altura, após vários dias de chuva intensa.
Na altura, três habitações foram evacuadas preventivamente e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) recomendou intervenções cautelares imediatas, mantendo interditas as áreas traseiras do edifício, enquanto se prepara a obra definitiva.
Por enquanto, segundo Trincão Marques, o acesso às três moradias mais perto do talude continua interdito e a parte traseira do Tribunal permanece sem utilização, segundo recomendação do LNEC, enquanto se aguarda a reavaliação da segurança.
“A segurança das pessoas é prioritária. A obra intermédia de sustentação será seguida da intervenção definitiva, mas tudo dependerá da segunda avaliação técnica do LNEC”, acrescentou o autarca.
A inspeção inicial permitiu identificar sinais de instabilidade significativa, tendo o LNEC recomendado a adoção imediata de medidas preventivas, nomeadamente a impermeabilização do talude, a vedação e interdição de acessos, a evacuação temporária de habitações em risco e a implementação de soluções provisórias de contenção, bem como a elaboração de um projeto global de estabilização do talude, com vista à reposição das condições de segurança de pessoas e bens.
Os trabalhos de engenharia a cargo do Regimento de Engenharia n.º 1 do Exército Português, que começaram na segunda-feira, dia 9, consistiram essencialmente na colocação de telas plásticas de impermeabilização sobre o talude, em toda a sua extensão, incluindo toda a zona instabilizada e a plataforma superior, impedindo a infiltração das águas superficiais.




O município fez também um ponto de situação global dos danos provocados pelo mau tempo, chuva intensa e cheias, com estradas cortadas ou danificadas, queda de árvores e muros, equipamentos desportivos e culturais afetados, incluindo o Teatro Virgínia e a Central do Caldeirão, além de prejuízos em habitações e empresas.
José Trincão Marques adiantou que os serviços municipais estão a inventariar os danos e que, ainda esta semana, serão anunciadas medidas de apoio a particulares e empresas para a recuperação.
“Estamos a falar de prejuízos de milhões de euros, não de milhares. A contabilização ainda não está concluída, mas os números preliminares indicam a gravidade da situação e a dimensão do trabalho que teremos de desenvolver para recuperar o município”, declarou o autarca, reforçando a necessidade de planeamento cuidadoso para as intervenções futuras.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
c/LUSA
