O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, disse hoje que o concelho “está quase isolado do resto do mundo, porque não há comunicações”, na sequência do mau tempo.
“[A situação] é muito difícil, o concelho de Ourém está quase que isolado do resto do mundo, porque não há comunicações”, afirmou à agência Lusa Luís Albuquerque, adiantando que existem “cerca de 20 mil pessoas” sem eletricidade e não há água, “porque os principais postos de abastecimento de fornecimento de água não têm luz”.
O autarca acrescentou que, todo o concelho, “de manhã, estava completamente intransitável”.
“Neste momento, temos as principais vias já todas desobstruídas, mas o norte do concelho, todas aquelas vias secundárias, estão completamente obstruídas”, declarou, referindo existir “muitas populações isoladas” às quais os serviços não conseguem chegar.
ÁUDIO | LUÍS ALBUQUERQUE, PRESIDENTE CM OURÉM:
De acordo com o presidente do município de Ourém, há cinco deslocados e dois desalojados.
“O apelo é que as pessoas tenham calma, porque, obviamente, não estamos a conseguir chegar a todo lado”, pediu Luís Albuquerque, explicando que estão “cerca de 180 operacionais no terreno, entre pessoal do município, Proteção Civil, bombeiros e equipas que vieram de Lisboa”, neste caso na ordem dos 60 operacionais.
“O apelo é para que as pessoas se mantenham em casa, tenham calma, que, se não conseguimos ainda chegar lá, havemos de conseguir chegar para desobstruir as vias”, reiterou.
Segundo Luís Albuquerque, há muitas pessoas a dirigirem-se “ao Serviço [Municipal] de Proteção Civil a pedir ajuda porque ficaram sem telhado”, mas, neste momento, “é humanamente impossível” os meios conseguirem chegar a todo o lado.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rastro de destruição, vários desalojados e causou quatro mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
LUSA
