“Não há ainda uma ordem de grandeza concreta, mas não temos dúvidas de que estamos a falar de muitos milhões de euros de prejuízo no concelho”, disse hoje o presidente do município, Manuel Jorge Valamatos.
O autarca explicou que o município já iniciou o processo de identificação e quantificação dos danos provocados pela depressão Kristin e pelas cheias no Tejo, para enquadrar candidaturas a apoios governamentais e comunitários no âmbito da situação de calamidade.
“Estamos abrangidos pela decisão do Conselho de Ministros e haverá apoios do Estado e da União Europeia para responder às dificuldades das pessoas, das empresas e do espaço público. O município estará disponível para acompanhar e reforçar essa resposta”, acrescentou.
Valamatos recordou que, a 03 de fevereiro, o executivo aprovou por unanimidade a atribuição de 1,155 ME às 13 juntas e uniões de freguesia do concelho, no âmbito de contratos interadministrativos destinados a intervenções prioritárias a executar ao longo de 2026.
“Este pacote foi planeado há meses, com base em necessidades levantadas ao longo de 2025. A destruição causada agora pela tempestade e pelas cheias é uma realidade nova que vamos ter de analisar e quantificar”, sublinhou.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
O investimento aprovado, no âmbito de contratos interadministrativos iniciados em 2016 em Abrantes, destina-se a pequenas reparações e melhorias em estradas, escolas, espaços públicos, jardins e cemitérios, identificadas pelas freguesias ao longo do último ano, sem relação com os estragos registados nas últimas semanas.
“É um sinal de grande confiança e articulação entre o município e as freguesias, permitindo responder com maior rapidez a problemas identificados no território”, concluiu o autarca.
A situação continua muito instável e com chuva prevista para os próximos dias, havendo registos regulares de aluimentos de terras e derrocadas. Uma das situações mais recentes aconteceu no castelo de Abrantes, que foi hoje encerrado ao público. Em nota informativa, a Câmara Municipal informou que, devido à queda de parte da muralha do Castelo, foi decidido encerrado o Jardim do Castelo, tendo apelado a todos que respeitem a sinalização.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, numa altura em que mais de uma centena de vias no distrito de Santarém continuam condicionadas ou submersas devido às cheias e à precipitação persistente.
c/LUSA
