Mais de 600 tabuleiros desfilaram na tarde domingo, espalhando cor e alegria pelas ruas da cidade. Foto: Luís Ribeiro/mediotejo.net

O Cortejo Principal da Festa dos Tabuleiros saiu à rua no domingo, 9 de julho, com o desfile de mais de 600 tabuleiros. Após o tradicional interregno de 4 anos desde a última edição, que aconteceu em 2019, uma imensa multidão marcou presença em peso e formou um verdadeiro cordão humano ao longo de todo o percurso para assistir a este “festival de cor”.

Engalanados nas varandas e pelas ruas da cidade, os visitantes foram-se acomodando para encontrar o melhor local para assistir ao desfile e desfrutar da festa. Apesar do calor que se fazia sentir, foram vários os que de chapéus de sol, mesas e bancos, se mostraram preparados para a ocasião, num local onde as sombras eram visivelmente reduzidas.

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A azáfama na Mata dos Sete Montes era notória, numa cidade que realizava os últimos preparativos para dar partida aos milhares de participantes. Era chegada a hora. Ordenados os pares, o relógio marcava as 16h00 quando o mordomo da Festa, Mário Formiga, abriu os portões da Mata e deu início ao cortejo, cumprindo-se a tradição retomada em 1991.

O rufar dos tambores anunciou o cortejo que desceu a avenida, com tomarenses e visitantes a procurarem, de telemóveis em punho, encontrar o melhor ângulo para captar a beleza daquele momento.

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O alvoroço era notório para que o protocolo e os horários estabelecidos fossem cumpridos. De tabuleiros à cabeça, e fazendo face ao vento que se fazia sentir, as mulheres tomarenses demonstraram a sua força e, entre sorrisos, contribuíram para a alegria dos milhares de visitantes que observavam com a máxima atenção.

Aplaudindo e gritando “vivas”, aqueles que vieram de propósito para a ocasião estavam em êxtase perante o reviver da tradição. As ruas decoradas a rigor com mantas e flores de papel evidenciaram a beleza do momento e acolheram a passagem dos tabuleiros. Das janelas, atiravam-se confetis e celebrava-se o momento. “Viva a festa”, entoavam. “Viva”, respondia a multidão visivelmente emocionada.

Foto: Luís Ribeiro/mediotejo.net

Vestidas de branco e com fitas coloridas, este ano sem a identificação das freguesias, as mulheres equilibraram os 15 quilos do tabuleiro no topo da cabeça ao longo dos cinco quilómetros de percurso. Ao lado vão os homens, também eles vestidos a rigor e sempre prontos a auxiliar a parceira quando, por vezes, o vento soprava em demasia.

Lado a lado, homens e mulheres seguiram, de tabuleiros ao alto, pelas ruas da cidade. No tabuleiro não faltavam as flores, a espiga, o pão, e a coroa com pomba branca ou Cruz da Ordem de Cristo encimada e o pano branco de renda. A seriedade com que a missão foi acatada pelos participantes fazia-se notar pelo afinco com que acartavam à cabeça, em cima da rodilha, o cesto de verga que servia de base à estrutura alta e vistosa.

Foto: Luís Ribeiro/mediotejo.net

Acompanhado pelas bandas e fanfarras, o Cortejo Principal desfilou até à Praça da República, onde puderam descansar até ao momento da bênção dos tabuleiros. O mordomo Mário Formiga entoou a emblemática frase: “viva a Festa”, que foi repetida em uníssono pelos participantes.

Após a bênção pelo bispo de Santarém, chegou o momento mais aguardado deste domingo. Eram 17h52 quando, ao terceiro toque do sino da igreja matriz, os 600 tabuleiros foram erguidos em simultâneo e a multidão entoou em coro: “Viva a Festa!”, dando continuidade à histórica tradição da cidade.

Chegada dos 600 tabuleiros à Praça da República, em Tomar. Foto: Luís Ribeiro/mediotejo.net

Apesar de inicialmente ter cancelado a visita, devido ao desmaio que sofreu na semana passada, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não faltou à ocasião e fez questão de marcar presença no desfile, acompanhando o cortejo e acenando à multidão que o aplaudia com alegria e não escondia a surpresa.

Chegados à Várzea Grande, os 600 tabuleiros foram depositados no chão e assinalaram o encerramento de um momento de grande importância para a celebração. Visivelmente mais aliviadas, as mulheres esboçavam sorrisos e não escondiam a emoção por fazerem parte do momento e darem continuidade à tradição.

O “Presidente dos Afetos”, como é comummente reconhecido, fez jus à designação e aproveitou o momento para cumprimentar aqueles que lhe pediam um abraço ou a típica selfie. Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a grandiosidade do acontecimento.

“Foi tudo excecional. A organização, a adesão, o que há de gente de todo o país, o que há de estrangeiros (…). De quatro em quatro anos, isto vai crescendo, crescendo (…). É impressionante, vale a pena. E depois o dia está melhor do que há quatro anos, menos vento, os chuviscos foram ontem, hoje está tudo ótimo”, destacou o Chefe de Estado.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Cortejo Principal da Festa dos Tabuleiros. Foto: CMT

Com origem pagã, simbolizando a época das colheitas, a Festa dos Tabuleiros adquiriu caráter religioso na Idade Média, com a Rainha Santa Isabel, tendo visto aprovada a sua candidatura a Património Cultural Imaterial Nacional.

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a Expo’98, evento no qual participou com um cortejo, a convite do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

A programação da “festa maior” tomarense, que acontece de 4 em 4 anos, encerra esta segunda-feira, dia 10 de julho, com a Distribuição da Pêza e com um concerto dos tomarenses Quinta do Bill, às 22h00, na Várzea Grande.

 Os espetáculos da noite iniciam-se com os “Tomar-lhe o Gosto”, seguindo-se o concerto dos Quinta do Bill. A noite promete ser longa e continua com a recordação dos grandes êxitos dos anos 90 com os “Smells Like 90’s”. Às 23h00 haverá ainda lugar à atribuição das Placas de Participação nas Ruas Populares Ornamentadas.

Fotogaleria de Luís Ribeiro

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Natural e residente em Tomar, tem como profissão Distribuidor, mas é com a fotografia que se identifica. É amante desta arte em geral, mas a sua verdadeira paixão é a Natureza e Vida Selvagem e os Retratos. É autor do livro de fotografia “Alma Nabantina” e fundador/administrador dos grupos do Facebook “Amigos da Fotografia de Tomar” e "Fauna de Tomar”. Colabora na área de fotografia na imprensa regional e local e já em 2018 foi júri convidado de dois concursos de fotografia. Neste ano conta também com duas exposições de fotografia coletivas, preparando atualmente a terceira.

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1 Comment

  1. Belíssima festa! Alegre e colorida! Ao povo português, nosso irmão, felicito a todos pela maravilhosa comemoração!
    Parabéns!

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