O Núcleo Museológico de Ortiga, instalado no edifício da antiga escola primária da aldeia, já está concluído aguardando-se o fecho de últimos pormenores quanto à recolha de materiais para a exposição permanente. O Município espera poder inaugurar aquele novo espaço sociocultural e de fruição durante o mês de setembro, numa inauguração “muito comedida” tendo em conta a atual vivência em situação de pandemia. Também durante o mês de setembro se espera o arranque das obras de construção do passadiço de Ortiga nas margens do Tejo, junto à Barragem de Belver e aos pés de Ortiga, divulgando o património piscatório e cultural que são as pesqueiras e as lagoas naquela zona, intrínsecas à história e tradição do povo ortiguense, sempre muito virado para o rio.
“Está concluído, a musealização do espaço está feita com todo o equipamento necessário”, afirmou Vasco Estrela, presidente da CM Mação, durante a passada reunião de Câmara, do dia 21 de agosto.
O autarca referiu que só falta tratar últimos pormenores referentes à exposição permanente que irá estar exposta naquele equipamento. “A equipa do Museu de Mação em conjunto com pessoas de Ortiga e da Junta de freguesia estão a tratar de apetrechar o museu com as peças necessárias às exposições”, explicou.
Quanto à inauguração, que o município tem anunciado nos últimos meses como estando “para breve” parece estar para chegar. “Esperamos durante o mês de setembro inaugurar aquele espaço, com uma inauguração muito comedida tendo em conta as condições que estamos a viver e que não sabemos como vão ser no futuro”, indicou.
Recorde-se que o Núcleo Museológico de Ortiga representa um investimento de cerca de 200 mil euros, que converteu a antiga Escola Primária de Ortiga, freguesia ribeirinha com o rio Tejo aos pés, num museu das Artes da Pesca Tradicional, algo que está “intimamente ligado à história daquela localidade e às suas gentes”, sendo que fora esta arte que alimentara muitas famílias, que toda a vida se dedicaram à pesca no rio Tejo.

O edifício da escola primária manteve a sua estrutura principal, e o interior foi adaptado a várias zonas, como a zona de receção. O museu terá duas salas: uma servirá uma exposição permanente sobre as artes da pesca e a tradição e cultura locais, enquanto a segunda albergará outras atividades ligadas à temática do núcleo.
Também um espaço a norte da estrutura principal deve albergar instalações sanitárias de apoio bem como um espaço de anfiteatro para usufruto da comunidade ortiguense.
A requalificação do exterior incluiu uma cobertura, onde estará instalado um barco picareto, tradicional de Ortiga, obra do falecido e último mestre calafate de Ortiga, Ti’ Manuel Fontes, cujo espólio integrará certamente a exposição permanente do museu.
“Será uma mais valia para o concelho”, crê Vasco Estrela.
Por outro lado, acrescentou Vasco Estrela que está marcada a assinatura, ainda no mês de agosto, do contrato para obra do passadiço de Ortiga, criando a Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo. A obra deve iniciar durante o mês de setembro.

Trata-se de um projeto orçado em cerca de 329 mil euros, que o autarca Vasco Estrela espera que até final do ano ou início de 2021 possa estar concluído. Este novo atrativo turístico conta com projeto da autoria do atelier Modo Associados arquitetura + engenharia, sediado em Sardoal.
Segundo Vasco Estrela irá ser instalado um passadiço ao longo da margem direita do rio Tejo, enquanto fio condutor de uma visita com direito a miradouro sobre o rio, sobre as pesqueiras tradicionais e de ligação às Lagoas do Tejo, aos pés de Ortiga, onde a pastorícia sempre foi imagem de marca e onde os jovens aproveitavam para se banhar durante o verão.
O passadiço “irá proporcionar às pessoas visitar as pesqueiras, desfrutar da paisagem e da margem do rio, e ainda dá a possibilidade das pessoas conviverem melhor com o Tejo e com o ex-libris que o concelho tem, um pouco escondido, que são as Lagoas”, diz Vasco Estrela.

Esta rota irá ainda permitir ligação às casas de pescadores que restam, o chamado Bairro dos Pescadores, onde outrora viviam famílias inteiras. Com o passar dos anos muitos faleceram, outros mudaram de vida e dali saíram.
A Rota das Pesqueiras e das Lagoas do Tejo surge como complemento do Núcleo Museológico de Ortiga.
