Foto: CM Mação

Dia 31 de maio, domingo, foi um dia atípico na freguesia de Cardigos. Seria o dia em que se celebraria a Festa do Divino Espírito, onde, em circunstâncias normais, se cumpriria a tradição daquela localidade, e onde a comunidade participaria com fé na procissão. Haveria além das cerimónias religiosas, direito a festejos e outras atividades durante três dias. Este ano, a pandemia cancelou os festejos e não houve procissão, mas há motivos para celebrar, uma vez que a tradição está entre os nomeados às 7 Maravilhas da Cultura Popular.

Sem festa e sem procissão, sendo que, segundo a junta de freguesia de Cardigos não há memória de que alguma vez tenha sido impedida a sua realização, a paróquia teve a sua primeira celebração de missa comunitária, com limitações e restrições trazidas pela pandemia. A imponente Igreja de Cardigos tinha menos pessoas presentes na missa, todos distanciados e a cumprir com as regras estabelecidas para estar na igreja.

Foto: JF Cardigos

Apesar destes novos tempos, que limitam os afetos, o convívio e impedem ajuntamentos para o cumprimento da tradição, será no dia 7 de junho que irá decorrer uma das primeiras galas do concurso 7 Maravilhas, onde serão conhecidos os 7 patrimónios de cada região que irão participar nas respetivas eliminatórias regionais, e onde está nomeada a Procissão do Divino Espírito Santo. Segundo a organização do concurso, a apresentação será feita num programa em direto na RTP1.

Nomeada na categoria “Procissões e Romarias”, a Procissão do Divino Espírito Santo de Cardigos, segundo relembra a autarquia, é celebrada 50 dias após da Páscoa comemorando o dia de Pentecostes.

Em Cardigos, esta é uma das celebrações mais importantes, contando com “celebração da missa, a bênção das fogaças, a procissão pelas ruas cobertas de flores entre a igreja matriz e a capela do Espírito Santo, erguida em 1960 no local atual, mas que aparece em registos de 1620 no Largo do Canto. Por fim, o leilão das fogaças após a procissão”.

Foto: JF Cardigos

Neste dia, como é tradição em muitas outras festas por esta e outras alturas, cada aldeia traz a sua fogaça (tabuleiros devidamente apetrechados e decorados), composta por produtos regionais ou caseiros, onde se incluem bolos típicos amassados, em forma de ferradura, os bolos fintos, que chegam a pesar mais de 2kg.

“De cada aldeia que participa, uma jovem vestida de branco com uma fita vermelha à cintura, transporta o tabuleiro na procissão, primeiro desde a Capela do Espírito Santo até à Igreja Matriz onde é celebrada a missa e depois, no final da Eucaristia, desde a Igreja Matriz novamente até à Capela, sempre na presença do andor com a imagem do Espírito Santo e ao som da Banda Filarmónica”, refere a autarquia.

Durante a procissão são ainda transportadas e erguidas as bandeiras das irmandades, pelas mãos das suas zeladoras, contando-se a Irmandade da Sagrada Família, a Irmandade do Coração de Jesus e a Irmandade das Almas.

No recinto dos festejos ditos profanos, acontece o leilão das fogaças, a par de outras atividades como torneio de sueca, provas motorizadas, espaço para comes e bebes e baile noite dentro.

Na segunda-feira seguinte, após o fim-de-semana de festejos, encerrava-se a festa com um jantar convívio oferecido pela associação local a toda a população cardiguense.

O Município de Mação candidatou-se às 7 Maravilhas da Cultura Popular com 7 patrimónios, em sete categorias, entre os quais receberam o selo de nomeados as Velas de Cardigos, Lenda de Nossa Senhora da Moita, Feira dos Santos, Passo Lento, Terço da Farinheira, Procissão do Divino Espírito Santo de Cardigos e os Barcos Picaretos de Ortiga.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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