Apresentação do livro 'As Três Escolas da Minha Aldeia - Vale da Mua, Envendos, Mação - Anos 60 do século XX' da autoria de Celestino Pinheiro. Créditos: mediotejo.net

O livro ‘As Três Escolas da Minha Aldeia – Vale da Mua, Envendos, Mação – Anos 60 do século XX’ da autoria de Celestino Pinheiro, que contou com a colaboração de Luciano Pinheiro Mendes, foi apresentado na Feira Mostra de Mação.

O autor explica que “a narrativa desta obra tem um caráter essencialmente autobiográfico, centrando-se essencialmente nas vivências de” Celestino Pinheiro, sobretudo na década de 1960. Com a recolha destas histórias – contadas pelo autor mas também por outras pessoas, de quem recolheu os testemunhos – pretende-se essencialmente “preservar e perpetuar a memória” do concelho.

Apresentação do livro ‘As Três Escolas da Minha Aldeia – Vale da Mua, Envendos, Mação – Anos 60 do século XX’ da autoria de Celestino Pinheiro. Créditos: mediotejo.net

Vale da Mua é uma aldeia da freguesia de Envendos, concelho de Mação. Situando-se numa zona de transição, o concelho identifica-se mais com as características de Beira Baixa, região em que aparece integrado nos antigos mapas das províncias portuguesas.

O livro ‘As Três Escolas da Minha Aldeia – Vale da Mua, Envendos, Mação – Anos 60 do século XX’ da autoria de Celestino Pinheiro. Créditos: mediotejo.net

Conta Celestino Pinheiro que “na década de 1960, a freguesia de Envendos era essencialmente agrícola, mas já com algumas indústrias: presuntos e salsicharia, azeitonas, seiras e licores. Em Vale da Mua dominava a agricultura de subsistência: cereais, hortícolas, vinha e azeitona. A resinagem era a única atividade verdadeiramente geradora de moeda”.

O autor, professor de português, lembra que os seus pais eram resineiros. Lembra ainda que “os incêndios dos últimos anos destruíram, por completo, a mata de pinhal que existia naquela época”.

Entretanto, a freguesia de Envendos e a aldeia de Vale da Mua sofreram um forte desgaste demográfico “fruto de fortes vagas de emigração, primeiro para o Brasil, depois para França e permanentemente para Lisboa”. Ultimamente a aldeia “tem sofrido um processo de repovoamento por parte de descendentes de antigos moradores ou de pessoas que ali compram casa.

A recuperação, pela Câmara Municipal de Mação, da antiga calçada tradicional, permitiu que a aldeia apresente melhores condições de repovoamento. O Centro Cultural e Social de Vale da Mua é o grande dinamizador e aglutinador dos residentes e dos visitantes regulares. Além disso, tem feito um grande esforço de preservação da memória da aldeia”.

ÁUDIO | O AUTOR, CELESTINO PINHEIRO

Durante a apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, referiu a importância da preservação da memória e justificou o apoio do Município da edição deste tipo de livros, recordando que nos últimos anos foram apresentados cerca de 20 livros, sobre o concelho. “Poder deixar para os vindouros a história da nossa terra, tudo aquilo que nós realmente somos”, destacou o presidente do município.

A apresentação da ‘Monografia de Mação’ integrava o programa da Feira Mostra, mas por motivos de “revisão” da obra, que conta com 700 páginas, segundo o autarca, “não foi possível”.

Celestino Pinheiro é natural de Vale da Mua. Estudou em Abrantes, frequentou o Seminário de Gavião e o Seminário de Alcains. Mais tarde estudou Línguas e Literaturas Modernas em Lisboa e no Porto, fez um mestrado em Ciências da Educação na Universidade Católica do Porto e passou grande parte da vida em São João da Madeira, onde vive há 30 anos, como professor.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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