As alterações sucessivas à toponímia da Rua das Fábricas, no lugar de Estação de Ortiga, têm dado azo a polémica, e a família de Manuel Rosa Eusébio, cujo nome foi atribuído na primeira alteração aprovada, está descontente com a ação da Câmara, tendo avançado para o advogado em defesa da honra e bom nome do patriarca. Acontece que a autarquia aprovou recentemente a reposição da toponímia antiga, acedendo a um novo pedido da Assembleia de freguesia de Ortiga após abaixo-assinado de populares, tendo sido retirado o nome do empresário Manuel Rosa Eusébio, que foi fundador da fábrica de pimentão naquela localidade. A família diz estar magoada com estas mudanças que não têm fundamentação e desrespeitam a memória do industrial e familiares, tendo até recusado proposta da CM mação que tinha intenção de colocar lápide em sua memória, junto à fábrica, e que seria descerrada em cerimónia pública.
Este é um tema que não tem merecido consenso desde 2016, mas sobre o qual a família, diz nunca ter sido auscultada ou devidamente informada das alterações, sabendo sempre por terceiros, na comunicação social e através de consulta de atas que compõem o processo, agora entregue ao advogado.
Em declarações ao mediotejo.net, Rui Gouveia d’Assis, genro de Manuel Rosa Eusébio e ex-sócio gerente da empresa Manuel Rosa Eusébio e Filhos, Lda, disse que nunca efetuou qualquer pedido para homenagem à Junta de freguesia, mas sim, um pedido para alteração da toponímia para benefício de trocas comerciais entre fornecedores e clientes, uma vez que existem duas “Rua das Fábricas” no concelho, a de Ortiga e a da vila de Mação, algo que gerava confusão nomeadamente na entrega de encomendas que muitas vezes apareciam trocadas e que obrigava a logística complexa.
Sucede que a família, em 2016, viu com “surpresa” a alteração da placa, naquela que foi uma ação da Junta de Freguesia, na pessoa do então presidente José Ferreira (PSD), e que mereceu aprovação por unanimidade em sede de executivo camarário.
Rui Assis diz que a família nunca foi devidamente informada “por carta ou qualquer informação dando conhecimento da colocação do nome”, mas viu circular a notícia dessa iniciativa e deparou-se com a placa em causa com agrado pela justa e merecida homenagem.
Porém, em 2018, um abaixo-assinado de alguns populares foi entregue em Assembleia de Freguesia de Ortiga e chegou à Câmara Municipal de Mação. “Grupo pouco significativo”, segundo Rui Assis, mas tal foi suficiente para que o atual executivo de junta de freguesia, presidido por Rui Dias (PS) (eleito em 2017) desse parecer no sentido de respeitar a decisão dos ortiguenses que se manifestavam contra o novo nome de rua e que reivindicavam a antiga “Rua das Fábricas”.

A Câmara voltou a aceder a esta intenção, e aprovou oficialmente, tendo jurisdição no que toca à alteração de toponímia no concelho, a 24 de março, a reposição do antigo nome.
A situação que antes gerou mal estar na população, que com todo o procedimento e controvérsia conseguiu que fosse colocada a placa de mármore toponímica antiga, agora motivou descontentamento à família de Manuel Rosa Eusébio, que sente ter sido posta em causa a memória do industrial.
A família assume, na pessoa de Rui Assis, que ficou “extremamente ofendida com a retirada do nome da placa”, considerando que “quando retiram o nome estão a retirar a memória”.
“Quem não sente não é filho de boa gente”, e por isso avançou com ação junto do advogado no sentido de ponderar processo contra a Câmara Municipal de Mação, pois defendem que a alteração proposta em 2016 prevaleça.
Segundo o genro de Manuel Rosa Eusébio, o advogado da família diz que têm razão no processo que lhes deverá valer uma indemnização por danos morais provocados ao longo destes anos.
O objetivo é “honrar o bom nome de Manuel Rosa Eusébio”, sentindo a família que não há proposta que venha reparar os danos causados, a não ser a reposição da toponímia com o nome do empresário, tendo recusado a proposta da autarquia para que, como compensação, fosse colocada uma lápide comemorativa junto à fábrica, que tem hoje outros proprietários, de modo a homenagear o seu legado e perpetuando a sua memória no local.

“O meu sogro já tem uma lápide [na sua sepultura]”, afirma Rui Assis, mostrando-se desgostoso com o rumo que este processo tomou.
Acrescenta ainda o genro do empresário que “é muito triste que alguém pergunte porque foi retirado o nome, nomeadamente os seus netos e bisnetos e amigos da família. Magoa. E não temos resposta porque foi retirado sem dar justificação, sem uma reunião, sem dar conhecimento à família, sem uma carta. Apenas existiu troca de e-mails com o vereador com o pelouro da toponímia sobre esta proposta para colocação da lápide”, lamenta.
Rui Assis diz defender uma solução pacífica, desde que a Câmara assumisse postura correta ao repor a devida toponímia que fora aprovada mediante o regulamento municipal e conforme os trâmites legais, considerando que fez uma “trapalhada” ao permitir este volte-face inesperado referindo-se que a motivação se prenda com constrangimentos de alguns moradores sobre o custo avultado para atualização e alteração da morada nos documentos pessoais, crendo que não haveria qualquer problema pois constava na placa nova a indicação do nome da antiga rua.
“O bom era que se discutisse pacificamente, preferíamos que a Câmara Municipal encarasse isto como uma coisa séria”, termina.
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