Há tempo atrás estive em Fortaleza, cidade turística e de praia mas…tive também o belo presente de ver como se pode “reajustar” um centro histórico que ia para o abandono…um pouco como os nossos aqui na Europa Lusa. (é bom aprender onde é possível para nós também crescermos).

Fortaleza não só é lazer ou perigo, mas sim uma linda cidade, com cultura e sobretudo o prazer da cultura e disto apercebi–me quando, trazido por amigos, fui conhecer o Centro Cultural “Dragão do Mar”.

E aqui podemos aprender algumas lições:

– A revitalização dum centro histórico obsoleto e murcho é possível com vontade e fantasia, isto é, aproveitaram  casas antigas e ainda sólidas e vários restaurantes e bares típicos foram aí instalados, outras casas, já no fim de vida foram destruídas e assim criaram-se espaços de lazer ou reunião (para concertos, palestras ou atuações teatrais).

É com certeza um espaço agradável onde se pode fazer shopping, ouvir musica o ver uma peça de teatro, comer algo típico e aumentar a própria cultura visitando o museu, a biblioteca e as galerias.

– Foram criadas de raiz, infraestruturas modernas, com escadas de aço, corredores suspensos, biblioteca, planetário, teatro ao ar livre e uma série de lojinhas interligadas com jardins e espaços protegidos onde as crianças podem brincar à vontade.

– e mais importante para as nossas cidades é criar também trabalho, e aqui as autarquias e o governo deveriam ajudar as “mini-micro empresas” (como dizia Ricardo Araújo), na possibilidade de que as taxas e impostos para quem deseja criar algo de novo e útil sejam baixadas ou algumas eliminadas, para dar folego ao comercio e industria.

Sim! Sei que não é fácil, não há verba, as leis não permitem, os subsídios são canalizados só para projetos que o governo indica…e apoia. Mas sei também que se houver desejo real de mudar e pessoas que assumem o compromisso isto seria possível.

Basta de aceitar o que nós dizem mas sim propor soluções!

Temos de acabar de criticar, rebaixar e ficar anestesiados mas arregaçar as mangas, projetar, inventar e por em prática.

Só fazendo assim poderemos competir e crescer numa maneira saudável e moderna e sentir-nos mais felizes, pelo menos mais um pouco!

E com imaginação.

 

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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