Manuel Jorge Díez dos Santos no Museu no Manuel dos Santos, na Golegã. Créditos: mediotejo.net

Manuel dos Santos chegou a ser a figura pública mais popular do país, tendo o seu cortejo fúnebre demorado seis horas desde Lisboa até à Golegã, devido à imensidão de gente que fazia questão da despedida. A tourear correu mundo, do México à Indonésia onde, na década de 1950, atuou para mais de 88 mil pessoas. E até fez cinema, ao lado de Amália Rodrigues, o filme “Sol e Toiros” de John Bucks, estreado em 1949, algo que não o deixou particularmente contente, por ter perdido a época de tauromaquia no México, devido aos três meses de filmagens. Em fevereiro, para assinalar o centenário do seu nascimento, o filho, Manuel Jorge Díez dos Santos, inaugurou o Museu Manuel dos Santos, na Quinta Guadalupe, em Golegã. Estivemos lá para conhecer o espólio do toureiro que até Alves Redol admirava.

“Comecei por admirá-lo nas arenas, pela galhardia, arte e pundonor do seu toureio. A vida aproximou-nos e hoje admiro também o homem, talvez porque vimos ambos da mesma gente, humilde, corajosa e pura”. As palavras são do escritor Alves Redol sobre o toureiro Manuel dos Santos que começou a sua aprendizagem na Golegã, com o mestre Patrício Cecílio, onde, atualmente, encontramos um Museu que expõe o seu espólio.

Foi na praça do Campo Pequeno, numa corrida noturna, em 26 de julho de 1944, que Manuel dos Santos iniciou as primeiras lides taurinas tomando a alternativa de bandarilheiro das mãos da velha glória, Alfredo dos Santos, que lhe cedeu a lide de um toiro da ganadaria de Alcácer do Sal, de Joaquim Mendes Núncio, também oriundo da Golegã, a terra que o acolheu e que sentiu sempre como sua.

Depois desta primeira temporada, e da seguinte como bandarilheiro, aquele que viria a ser o mais popular ídolo nacional encetou uma carreira de novilheiro, em que, competindo com Diamantino Vizeu, construíram uma histórica dupla que ofereceu a mais esplendorosa época de toureiro a pé desempenhada por portugueses.

Foi notável a sua carreira de novilheiro, em Espanha, onde fez a sua estreia na praça de Badajoz, a 26 de junho de 1947. Nesse mesmo ano, a 14 de dezembro, recebeu a alternativa como matador de toiros, na Praça “El Toreo”, na cidade do México, das mãos do famoso Fermín Espinosa, mais conhecido por “Armillita”.

Colhido quase mortalmente pelo toiro com que se estreou, renunciou a essa alternativa e voltou a recebê-la a 15 de agosto de 1948, na Real Maestranza de Sevilha, tendo dessa vez como padrinho Manuel Jimenez “Chicuelo”.

A partir dessa data, a sua carreira foi toda ela recheada de triunfos e algumas colhidas graves, das quais sempre recuperou. E até fez cinema, ao lado de Amália Rodrigues, o filme “Sol e Toiros” de John Bucks, estreado em 1949, algo que não o deixou particularmente contente.

“Era um homem muito ativo”, garante o seu único filho, Manuel Jorge Díez dos Santos, e devido aos três meses de filmagens acabou por perder a época de tauromaquia no México. Conhecido como figura importante em todo o mundo taurino, retirou-se em 18 de outubro de 1953, numa corrida “memorável”, segundo os aficionados, realizada na praça do Campo Pequeno.

Toda esta história está contada no Museu Manuel dos Santos, na Golegã, desde o dia 15 de fevereiro, data da sua inauguração, assinalando o centenário do nascimento deste toureiro de enorme prestígio mundial, que figurou entre os primeiros nomes do seu tempo.

O Museu era uma ideia pensada “há muito tempo” e o centenário apresentou-se como o momento ideal para concretizar num espaço físico a “preservação da memória” de uma história que fazia parte da cultura tauromáquica, da cultura popular e da cultura do Ribatejo.

Para comemorar os 100 anos de Manuel dos Santos “e porque pensámos que valia a pena partilhar com o público em geral a sua história de superação pessoal e espírito de sacrifício, que o levou de uma situação de dificuldade a uma situação de fama. E uma série de troféus e de recordações, de cartazes, de fatos de toureiro e de capotes, que tem interesse do ponto de vista histórico”.

“Estavam em nossa casa, num quartinho fechado, a que chamávamos museu, mas que não podia ser visto pelo público, a não ser por convidados”, disse Manuel Jorge Díez dos Santos, que nos acompanhou numa visita guiada ao Museu instalado na Quinta Guadalupe.

Manuel Jorge Díez dos Santos na entrada do Museu Manuel dos Santos, na Golegã. Créditos: mediotejo.net

Manuel dos Santos adquire a quinta na Golegã, em 1953, à qual dá o nome de Guadalupe, em devoção à padroeira do México, país com o qual manteve toda a vida grande ligação até porque contraiu matrimónio com uma mexicana, Gloria Elena Díez, tendo o casamento decorrido naquele país americano. No ano seguinte, o casal passa a viver na Quinta Guadalupe.

É na Praça do México que, quatro anos antes, corta numa tarde 4 orelhas e dois rabos, feito desde então não repetido por nenhum outro toureiro. Conquista a ‘Rosa Guadalupana’ e todos os troféus em jogo nessa temporada. Nesse ano de 1950, saiu 15 vezes em ombros, na Praça México e em Bogotá, Nîmes, Lourenço Marques e Lisboa, onde, após triunfar no Campo Pequeno, é levado em ombros até ao hotel, na Baixa. Atua em 93 corridas, sendo o toureiro que mais toureia nesse ano, alcançando o primeiro lugar no “escalafón” (ranking) mundial.

“Uma das mais importantes peças que temos, a ‘Rosa Guadalupana’, um troféu conquistado pelo meu pai em 1950. Era o prémio máximo de triunfador de temporada, no México”, explica, indicando o painel fotobiográfico presente no Museu que enquadra a sua história como homem e como toureiro.

A cabeça do toiro da alternativa, em 1947, também se encontra no Museu Manuel dos Santos, tal como o capote que usou nesse dia onde está bordada a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

“Deu-lhe uma grave cornada na perna com rotura da veia femoral. Aqui está a reportagem no jornal com a foto do momento em que o levam com uma ferida que provoca uma hemorragia muito grave. A sorte dele foi ser na praça do México e foi operado imediatamente, porque quando é em praças de aldeias, longe de hospitais, vários toureiros têm morrido desta cornada”, explica o filho.

Museu Manuel dos Santos na Golegã. Créditos: mediotejo.net

O pai, Manuel dos Santos Pires nasce a 11 de fevereiro de 1925, no bairro do Beato, em Lisboa. Filho de Ermelinda dos Santos e Manuel Pires, pai que desaparece prematuramente da sua vida. Por isso, de tenra idade, Manuel vai viver com a mãe para a casa do seu avô materno, na Golegã, sendo criado por Manuel dos Santos “Passarito”, passando parte da sua infância entre a Golegã e a Chamusca. “Passarito” era toureiro amador, famoso pelo seu salto de garrocha, e foi quem o iniciou, desde pequeno nas bases do toureiro.

Do Ribatejo foi viver para a Madeira, para onde a família se muda em 1929, tendo regressado à Golegã cinco anos mais tarde. Manuel com 11 anos começa a trabalhar como aprendiz de barbeiro na Barbearia Desgarrado, para ajudar a família.

Em 1944 ingressa na Escola Comercial de Tomar, ponderando uma carreira no comércio, mas acaba por interromper os estudos e ir para Sevilha para se dedicar plenamente ao toureio.

Mas a caminho de uma vacada na Chamusca, em 1940, Manuel dos Santos cruza-se com Patrício Cecílio. Passa a frequentar o seu pátio, onde aprende a técnica e a arte de tourear. E dali em diante toureia cada vez com mais frequência, em tentas, garraiadas e festivais.

A propósito de Patrício Cecílio, Manuel Jorge conta que “o mestre nunca foi matador de toiros, foi toureiro amador. Foi ótimo como mestre! Além do meu pai ensinou José Júlio, António Santos, Chico Mendes…”.

Isto porque Patrício Cecílio, um lavrador abastado, tinha uma grande paixão pelos touros e como em tempos passados “tinha havido na Golegã toureiros famosos, cavaleiros como Carlos Relvas, e bandarilheiros e forcados, e o senhor Patrício Cecílio não queria que desaparecesse a tradição tauromáquica na Golegã e decidiu abrir uma escola de toureiro”, refere.

Nessa história consta que em 1949, Manuel dos Santos apresenta o passe de muleta ‘Dossantina’ na Feira de Abril, em Sevilha. “Todos os passos de toureiro foram inventados por alguém. Há a chicuelina pelo Chicuelo, a manoletina pelo Manolete”, explica.

Manuel Jorge Díez dos Santos nasceu, em 1956, no México, tem hoje 69 anos. Com dois anos veio para Portugal, onde cresceu, estudou e se licenciou em Medicina Veterinária. Após o falecimento do seu pai, em 1973, ficou responsável pela ganadaria ‘Porto Alto’ e foi empresário de diversas praças de toiros, das quais se destaca o Campo Pequeno, que geriu até 1983.

Mais tarde ocupou a direção de empresas agropecuárias e agroindustriais, em Portugal e no México, onde viveu entre 1984 e 1986. Foi ainda, durante vários anos, médico veterinário coordenador de uma Associação de Defesa Sanitária no Ribatejo. Atualmente, além de ser empresário nas áreas da agricultura, pecuária e turismo, tem-se envolvido na ecologia e defesa do ambiente, fazendo parte de várias associações.

Em 2015 publicou a obra “Manuel dos Santos – o homem e o toureiro”, que já conta com uma segunda edição. Uma biografia do seu pai que se encontra também no Museu, num expositor ao lado de outros livros, nos quais o nome do pai é referido. Na verdade, existem dois expositores dedicados ao que foi escrito sobre o toureiro, um com algumas revistas onde fez capa e partituras com músicas que lhe foram dedicadas e outro com livros, onde consta a primeira edição do livro de Manuel Jorge. Obras que são sobre Manuel dos Santos e outras com dedicatórias de escritores como Augusto Barreiros, Gentil Marques, Urbano Tavares Rodrigues ou Alves Redol que aliás, era primo do matador de toiros José Júlio.

Lembra que o seu pai também foi empresário tauromáquico, nomeadamente na praça de Algés, atividade que desempenhou de 1955 a 1959. No ano seguinte voltaria às arenas, reaparecendo numa corrida no México, em 26 de fevereiro, e em Portugal, em 26 de junho, no Montijo. Retirou-se definitivamente em 1964. Um ano antes tornara-se empresário do Campo Pequeno, a principal praça de toiros do país. Viria a ser uma referência, mantendo-se nessa atividade até ao final da sua vida. Chega a explorar 20 praças de toiros em simultâneo. Nesse ano faz um acordo inovador com a RTP para a transmissão de corridas de toiros levando a Festa Brava aos quatro cantos de Portugal.

Morreu tragicamente num acidente de viação, em 18 de fevereiro de 1973, quando se deslocava para a sua Quinta Guadalupe, após uma visita à sua ganadaria. Viagem na qual o seu filho também estava. Tinha 16 anos.

Museu Manuel dos Santos, na Golegã. Créditos: mediotejo.net

Manuel Jorge escreve assim na biografia de seu pai. “Às duas da tarde de dia 20, saiu a urna com o corpo do meu pai, num carro funerário onde também íamos a minha mãe, eu, o senhor Patrício Cecílio e outros familiares, rumo à Golegã. Para mim foi impressionante ver o mar de gente que estava à espera da passagem do cortejo; muitos acenavam com lenços brancos, alguns choravam e a comoção sincera percorria os lugares por onde passávamos. Desde a Praça de Londres, pelas ruas de Lisboa, eram milhares de pessoas que enchiam os passeios para se despedirem de Manuel dos Santos. […] Por todas as vilas e aldeias que atravessámos no trajeto, havia centenas de pessoas na rua a acenarem com lenços e algumas tinham cartazes a expressar a sua mágoa, tal como tinha acontecido em Lisboa. Vila Franca, Porto Alto, Samora Correia, Benavente, Salvaterra de Magos, Muge, Benfica do Ribatejo, Almeirim, Alpiarça, Vale de Cavalos, Chamusca, em todas estas terras ribatejanas milhares de pessoas quiseram sair das suas casas e ir à rua prestar homenagem ao homem do povo que admiravam e consideravam como seu”.

Segundo o filho do toureiro, “o cortejo demorou 6 horas” de Lisboa até à Golegã. Note-se que em 1952 Manuel dos Santos é eleito o Grande Ídolo Nacional num concurso organizado pela revista Flama, à frente de dois futebolistas, Travassos, do Sporting Clube de Portugal, que obteve o segundo lugar, e de Francisco Ferreira, do Benfica, que chegou a capitão da Seleção Nacional, na terceira posição.

O Museu alberga, então, o espólio, troféus e principais recordações do matador de toiros que mais toureou em 1950 a nível mundial. Por ter matado a estoque um toiro no Campo Pequeno, em junho de 1951, ficou preso durante uma noite no Governo Civil de Lisboa.

De acordo com uma crónica de Nizza da Silva no Diário Popular “o artista português, habituado a matar touros em Espanha, França e México, esqueceu-se na embriaguez do triunfo, da arena em que estava e, montando a espada deixa-se cair sobre o morrilho do touro e crava meia estocada, que mata ‘sin puntilla‘. Quando acordou do seu sonho viu o erro que tinha involuntariamente cometido, mas já era tarde”.

Conta Manuel Jorge na biografia do pai que “o caso foi um verdadeiro escândalo nacional. Num país em que pouca coisa de impacto se passava, mereceu grandes títulos em todos os jornais. A sua importância foi tal, que os colaboradores mais próximos de Salazar entenderam ter de dar a notícia em primeira mão ao Presidente do Concelho. Temiam a sua reação, por conhecerem a importância que este dava ao respeito pela lei e pela autoridade. […].

Manuel dos Santos foi assim o primeiro matador de toiros português a exercer plenamente a sua profissão, aquela que lhe era reconhecida por Carteira Profissional Oficial, emitida em Portugal – como era e continua a ser a todos os matadores de toiros inscritos no Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses”.

Após ter terminado a carreira em 1953, o toureiro regressa às arenas em 1960 e durante quatro anos atua no México, Portugal, Espanha, França, Moçambique, Angola, Equador e Guatemala. Nesses anos conquista diversos prémios da imprensa e tertúlias para o melhor toureiro, entre os quais o óscar da Imprensa em 1962.

Nesse ano organiza e toureia a “Volta a Portugal”, uma série de corridas mano-a-mano com Diamantino Vizeu na maioria das praças do país e ganha a Orelha de Ouro do Equador, peça que também pode ser apreciada no Museu. A sua quadrilha, composta pelos bandarilheiros José Tinoca, Manuel Barreto e Manuel Badajoz e pelo moço de espadas Manolo Escudero ficou conhecida como a Quadrilha Maravilha.

Museu Manuel dos Santos, na Golegã. Créditos: mediotejo.net

Uma das peças que pode ser igualmente apreciada no Museu Manuel dos Santos é o último traje de luces que usou numa corrida, de seda bordado a ouro, onde não faltam as sapatilhas, as meias, a caixa da montera de toureiro (o chapéu) em couro cinzelado mexicano e o fundón para espadas.

Curiosamente, a escolha museológica também passou pela inserção na exposição de um casaco que uma admiradora lhe atirou durante uma corrida e uma batata “num dia que esteve mal. São símbolos do triunfo e do fracasso”, explica Manuel Jorge. Seu pai, Manuel dos Santos, sempre os quis guardar para se recordar desta dualidade que todos os toureios experimentam.

No Museu de destacar ainda um pequeno oratório que explica a fé e a devoção do toureiro. Aliás, a relação entre as touradas e a religião são numerosas e podem ser encontradas nos principais tratados de tauromaquia, que relatam especialmente a ligação histórica entre a fiesta brava e o catolicismo ao longo dos tempos. Quase nenhum toureiro, forcado ou cavaleiro entrava na arena sem antes pedir proteção divina.

Não é por acaso que, em diversos lugares, designadamente no Campo Pequeno, ao lado das praças de touros, encontrava-se, sempre de portas abertas, uma capela.

“Os toureiros por norma são muito devotos. Quando não havia capelas levavam estes oratórios portáteis para fazer as suas orações”, conta Manuel Jorge. Junto ao oratório uma amostra das centenas de “santinhos e pagelas oferecidos sobretudo por admiradoras. O meu pai despertou muitas paixões”, afirma.

No início da visita ao Museu Manuel dos Santos, o visitante pode ver um pequeno filme de introdução e ainda um documentário, com cerca de 20 minutos, sobre o toureiro, produzido por uma equipa de realizadores mexicanos, efetuado para o centenário do seu nascimento.

Museu Manuel dos Santos, na Golegã. Créditos: mediotejo.net

Manuel Jorge Díez dos Santos recorda o pai como sendo “carinhoso, amigo, mas também bastante exigente. Brincava comigo e gostava de estar em casa, até porque quando eu era pequeno não toureava, entre a época que nasci e 1960 quando reapareceu nas arenas. Nessa altura comecei a perceber que era uma pessoa famosa, que muita gente o conhecia. Ainda vivi com ele até aos 16 anos, por isso ainda o acompanhei muito nos festivais que toureava. Além disso acompanhei a fase de empresário no Campo Pequeno e de ganadero, criador de touros bravos”.

Como sempre gostou muito do campo e dos animais acabou por estudar medicina veterinária e exerceu “durante bastante tempo”. Viveu no México durante dois anos, mas as saudades fizeram-no regressar. Tem três filhos, duas raparigas e um rapaz, embora nenhum deles profissionalmente ligados aos touros, todos tenham aprendido a tourear.

A experiência de uma carreira política também a sentiu, como deputado municipal de 2013 a 2017, na Assembleia Municipal da Golegã, onde reside. “Aprendi bastante de política e dos políticos de todo esse meio. Foi enriquecedor do ponto de vista de saber mais. Mas não quis continuar, inclusivamente chegaram-me a convidar para presidente da Câmara quando saí da Assembleia em 2017, mas não quis porque nessa altura a minha mãe já estava bastante mal – faleceu em 2020 – e tinha de fazer várias viagens ao México”, onde mantém negócios da família materna e para onde costuma viajar duas vezes por ano, conta.

Atualmente possui uma exploração de gado no Alentejo e uma exploração agrícola na Golegã dedicando-se a esses negócios em paralelo com os que mantém no México. Dedicação que não lhe deixa muito tempo para atividades que gosta de fazer como viajar e observar aves.

O pai também gostava muito de viajar e quando organizou a corrida de touros em Macau, em 1966, a mulher e o filho acompanharam-no. “Uma série de 10 corridas de toiros organizada pelo Casino de Macau, de Stanley Ho, como forma de atrair turistas. Quando acabaram as corridas o meu pai aproveitou para dar a volta ao mundo. De Macau seguimos para o Japão, depois para as ilhas Havai, de lá para São Francisco, depois para Chicago, Nova Iorque e Lisboa”, recorda.

Manuel, como não podia deixar de ser, é um aficionado e considera que “o touro bravo é o animal explorado pelo homem que tem a melhor vida de todos porque vive na natureza, no campo. Vive muito mais que todos os outros e com mais qualidade de vida que todos os outros bovinos, por exemplo, que são abatidos com cerca de 18 meses. O touro bravo é abatido com três ou quatro anos. É possível que tenha algum sofrimento à hora da morte, mas todos os animais sofrem na hora de morrer”.

Para ser toureiro são necessárias várias qualidades, “é preciso arte, com que se nasce, a tradução da sua personalidade à frente do touro, ter técnica, que se aprende, e tem de se ter valor”, ou seja, a coragem, refere.

Já para visitar o Museu Manuel dos Santos, por enquanto, apenas por marcação, seja através de telefone ou de e-mail. Isto porque a família está a tentar realizar um protocolo com a Câmara Municipal da Golegã para que o Museu se encontre aberto diariamente. Ainda assim o Museu “tem tido bastantes visitas” desde que foi inaugurado em fevereiro último.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comment

  1. Passei pelo acidente que vitimou MANUEL DOS SANTOS, entre Montemor e Vendas Novas, numa das minhas deslocações à SOMAVE onde ia levantar automóveis Fiat.
    Que esteja em paz.

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