A freguesia de Santa Margarida da Coutada, em Constância, recebe este sábado e domingo, entre as 16h00 e as 24h00, uma feira mourisca, com música, teatro. mercado, tasquinhas, cortejos e mostra de ofícios. O evento, que decorre no Largo Dr. Pratas de Moura, vai recriar os tempos e a lenda de Santa Margarida da Coutada.

A cerimónia de abertura da feira mourisca está marcada para as 16h00 deste sábado, 14 de setembro, com a bênção da carroça do pão e abertura das tasquinhas e das bancas de ofícios ao vivo, iniciando a música, animação e recriações teatrais, divididas em várias cenas, que se repetem nos dois dias, como o cortejo de casamento, a venda de escravos, jogos e torneios, a par de danças de roda e teatro para a infância.

A feira mourisca recria ainda a cena da ‘Açoitada que renega o casamento’, e ‘O milagre com batismos de cristãos’, com a cena da ‘Morte Santa’ a decorrer pelas 21h00, com as Relíquias de Santa Margarida, de enfermaria e maleitas para a cura do povo. Às 22h00 está previsto a encenação do cortejo fúnebre, com esconjuro e queimada da bruxa. A feira encerra às 24h00, no sábado e domingo.

Feira Mourisca recria lenda de Santa Margarida da Coutada. Foto: DR

DRAMATURGIA

Algures no séc. XII no alto da coutada, junto à aldeia surge uma lenda que a todos vai encantar. A jovem Margarida, filha de D. Afonso Mendo e Brites, vê-se obrigada a casar por ordem de seu pai com um nobre Mouro de sangue real, o qual nega e recusa por amor a Cristo e à fé Cristã.

Como castigo e punição foi açoitada, privada de comer e beber, até que foi decapitada por vontade de seu marido. A Jovem morre, por amor e fé lá no alto daquela coutada, por admiração o povo carregou-a nos braços por ser tão bondosa construiu-se ali mesmo um altar onde foi colocada…

O altar fez-se Ermida, que se fez capela que se fez igreja. Margarida mártir fez-se Santa Margarida da Coutada e com o passar dos anos e dos séculos a aldeia recebeu seu nome e é Ela a padroeira do lugar.

Nesta Recriação pretende-se, com as gentes do Município e da Freguesia, recriar/ encenar esta lenda, relembrando também de uma forma singular o modo de vida de outros tempos, aquando da ocupação dos mouros em Portugal.

A organização indica que, “ao relembrar ofícios e profissões de outra era, desvendamos tesouros e heranças neste encontro entre dois povos que viveram e partilharam a mesma historia. Mouros e Cristãos juntos uma vez mais para relembrar que nem toda a história são guerras e batalhas: a partilha de saberes e sabores tornam-nos um povo de misturas ancestrais e de fé, uma fé que dá lugar a todos.

Feira Mourisca recria lenda de Santa Margarida da Coutada. Foto: DR

ENTRANDO NA HISTÓRIA

“Na Antiguidade, os romanos denominavam “mauros” (em latim: mauri) às populações que habitavam a região noroeste da África, que por sua vez designavam de Mauritânia.

Estas populações pertenciam a grupo étnico maior, o dos berberes, que posteriormente, à época da expansão islâmica (século VII), vieram a adotar esta religião, muitos dos quais adotando mesmo a língua árabe, além do idioma nativo.

Estas populações juntaram-se aos árabes na conquista da Península Ibérica durante o século VIII. A chamada “civilização moura” ou “civilização mourisca”, que floresceu na Idade Média, era predominantemente árabe.

Com o avanço do processo da Reconquista, os mouros perderam grande parte de seu território na Península no final do século XIII. Em 1492, os Reis Católicos conquistaram o Reino de Granada e expulsaram os últimos mouros da Península. A maioria dos refugiados estabeleceu-se no norte de África.

Desse modo, a palavra “mouro” pode referir-se a todos os habitantes do noroeste da África que são muçulmanos ou falam o árabe ou, ainda, aos muçulmanos de origem espanhola, judaica ou turca que vivem no norte da África. Em francês,

“maure” (mouro) designa os nómades da região do Saara Ocidental.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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