As autocaravanas parecem ter invadido o Santuário de Fátima nos últimos anos, substituindo os tradicionais campistas que ocupavam boa parte dos parques da cidade. Com o crescimento da oferta hoteleira, lotada por estes dias e com preços inflacionados, há no entanto quem continue a preferir montar a sua tenda e dormir sob as estrelas. A questão, afirmaram alguns campistas ao mediotejo.net, passa ainda e sobretudo pela falta de condições económicas de muitos peregrinos.
Assim o relata Albino Lopes, de Guimarães, que há cerca de uma década vem até Fátima por alturas do 13 de maio e monta sempre a sua tenda junto à entrada sul da velha Basílica. Com uma reforma pequena não há dinheiro para comprar uma autocaravana ou ficar num hotel. “Estamos bem, doutra maneira não teríamos possibilidades”, garante.

O mesmo discurso tem uma vizinha, chegada de Abrantes. Idalina Mendes refere que os preços nos hotéis são muito altos, para autocaravanas não há dinheiro e que a alternativa seria mesmo trazer o carro. Na tenda passa-se um dia diferente.
Mas há ainda quem faça “campismo” como modo de vida. Nos parques junto ao Santuário o mediotejo.net encontrou o jovem Tiago, de 20 anos, que com uma vida complicada e falta de recursos, vive numa tenda há alguns meses. Em tempo de 13 de maio decidiu montar a sua tenda no Santuário de Fátima e vai ajudando os vizinhos a montar as suas tendas. Confessa-nos que é evangélico mas respeita o culto.
“É bom a gente ouvir o som dos passarinhos de manhã”, comenta sorrindo, referindo que quer ser músico e anda a lutar pelo seu sonho.

Cerca de 8 mil pessoas, de 67 países diferentes, chegaram este 12 de maio a Fátima, em 164 grupos. O total dos peregrinos que vão assistir às cerimónias de 12 e 13 de maio é imprevisível. O Santuário de Fátima não tem números dos campistas que se instalam nos seus parques, podendo estes acampar à sua vontade.
