De 7 a 22 de setembro, a Coral Europa vai estar a gravar em Fátima a série “Jacinta”, um projeto de dois episódios da TVI para 2017, ano do Centenário das Aparições da Cova da Iria. Ao casting para figurantes acorreram 500 pessoas da região mas apenas uma centena vai ter a hipótese de atuar ao lado de grandes atores da ficção portuguesa, como Dalila do Carmo ou Rita Salema. A rodagem decorre no interior da freguesia de Fátima, nas aldeias onde ainda se conservam as características do meio rural em que viveram os três pastorinhos, no início do último século.
No meio de um baile, uma donzela pergunta ao apaixonado, um soldado a caminho da Grande Guerra, se vai voltar. Ele responde-lhe que sim, se ela esperar por ele. Dançando, o jovem casal despede-se alegremente, sendo interrompido violentamente pelo pároco, que não aprova tanta intimidade. A pequena Jacinta Marto acorre em defesa do soldado, dando uma pisadela maldisposta ao padre intrometido.

“Corta!!! Vamos repetir!!!”, grita-se.
O pára-arranca das gravações deixa exaustos os mais inexperiente e propicia a distração. Estamos na manhã de 8 de setembro, segundo dia de gravações da série “Jacinta”, com cenário montado junto à capela da Casa de Turismo “Casal”, em Casal Farto, freguesia de Fátima. Uma antiga quinta que pertenceu à Ordem de Malta, com uma capela do século XVIII e uma envolvente característica da paisagem serrana de Fátima, de onde é proveniente a família Prazeres (fundou o topónimo Vilar dos Prazeres, Ourém).

Há tendas de feira, movimento de adultos e crianças, comes e bebes, um exterior preparado para recordar um baile “à moda antiga”, com vendedores, soldados, mulheres de lenço na cabeça, homens de cajado e a figura peremptória do padre a velar pelos bons costumes e o amor à pátria. Também há um fotógrafo que pede à pequena Jacinta para lhe tirar uma fotografia, arrastando esta a prima e o irmão, Lúcia e Francisco, para o retrato.
O guião da série de dois episódios, previamente titulada de “Jacinta”, é de Manuel Arouca, autor do livro com o mesmo nome e de várias novelas, como “Jardins Proibidos”. Segundo a produção, as gravações vão decorrer entre Fátima e Lisboa, e constituem uma reprodução dos acontecimentos da Cova da Iria entre 1917 e 1920, pelo olhar da pastorinha e Beata Jacinta Marto, que morreu nesse ano no Hospital Dona Estefânia, em resultado da gripe espanhola. A narrativa será apresentada com sucessivos saltos no tempo e flashbacks.

A série conta com vários atores conhecidos, entre os quais Dalila do Carmo, Rita Salema, António Pedro Cerdeira, Almano Gonçalves, Filipe Vargas e Rodrigo Paganelli. Para a figuração a produtora Coral Europa realizou um casting onde acorreram cerca de 500 pessoas da região, mas foram selecionadas pouco mais de uma centena. A participação vai variando com os dias, rodando-se os figurantes.
Envergonhado, um jovem de Fátima comenta que simplesmente veio “ganhar uns trocos”, embora não saiba qual será o seu ordenado pela participação, e está disponível para vir mais dias, desde que esteja na sua folga. Já Abel Silva, morador da localidade próxima de Loureira, foi desafiado por um amigo para ir ao casting e acabou por ser chamado e ele não, comenta rindo. As filmagens são “interessantes” e dão para perceber o “trabalhão” necessário à realização de um filme. O mesmo reflete Duarte Ribeiro, também natural de Loureira, que participou no casting apenas pela experiência. “Nunca tinha feito figuração, é um bocadinho cansativo o tempo de espera, mas de resto é bom”, comenta.


A produção contou com o apoio da junta de freguesia, que cedeu os animais da quinta pedagógica, e da Casa do Povo de Fátima, em que cerca de 15 elementos do Rancho participaram na recriação do baile. O Rancho fez ainda a consultoria em termos de recriação histórica, com sugestões sobre as roupas, os objetos rurais e a música.
Mas já não é a primeira vez, afirma a presidente da Casa do Povo, Hélia Faria, que a instituição é chamada a participar em produções deste género. “Para nós não é novidade, já estamos habituados a este tipo de experiência. Temos agora também uma outra filmagem simultânea, para a EWTN”, o maior canal de televisão católico do mundo, adianta.
De resto já não é a primeira vez que a freguesia de Fátima é cenário para uma produção ficcional sobre as Aparições de Nossa Senhora aos três pastores, apenas as abordagens vão variando. Para Humberto Silva, presidente da junta de Fátima, “tudo o que sirva positivamente para levar o nome de Fátima às pessoas, mais longe, é bom para a economia, a sociedade e para a divulgação do que é Fátima”, referiu sucintamente ao mediotejo.net.

Na quinta-feira, dia 8, Fátima Prazeres, responsável pela Casa de Turismo “Casal” mostrava-se satisfeita pela perspetiva de poder promover um pouco o espaço, uma quinta recuperada há 20 anos, destinada sobretudo a dormidas. Mas “estamos abertos a estas iniciativas”, referiu, tendo-se já realizado ali outras produções comerciais e eventos.
As filmagens vão decorrer em Casal Farto, Ramila e Vale de Cavalos. A transmissão da série “Jacinta” está prevista para o horário nobre da TVI em 2017, mas ainda sem data de estreia definida.

Eu e a minha irmã fomos excluídas. Terá sido por sermos feias e velhas?