De acordo com a sua definição, um facto é uma ação realizada, algo que existe, que é real, que já se verificou ou que certamente se verificará. Mas aquilo que a sua definição não diz, é que podem existir outros factos, com força ou sinal contrário, que minimizam ou anulam o facto inicial. A demagogia está recheada destes exemplos. De factos que são escondidos ou omitidos para que outros factos possam artificialmente brilhar.
Há quem tenha a coragem de identificar um problema e propor uma, ou várias soluções, mostrando em complemento, disponibilidade para dialogar com o objetivo de ser parte da solução e ajudar na construção. Dou a título de exemplo o caso da rotunda do LIDL, e isto, é um facto. Mas também há quem fuja ao debate e à discussão de ideias utilizando argumentos vazios e sem conteúdo, que permitem a construção de um, ou vários cenários, e que podem estar na origem de um, ou mais factos. Desde logo a possibilidade de estarmos na presença de uma arrogância ou prepotência autista. Mas também de estarmos na presença de uma fraqueza de quem não se sente suficientemente preparado para lidar com o contraditório.
É também um facto que, aqueles que mais falam nem sempre contam os factos todos, e quem conta apenas parte da história, não é sério nem intelectualmente honesto. E este, também é um facto.
Mas haja esperança. Sem deixar de reconhecer a dificuldade provocada pela altura, pela inclinação e pelos obstáculos naturais e artificiais da “montanha”, há quem esteja cada vez mais informado e preparado para desmontar as dialéticas populistas que contam apenas a parte que lhes interessa, e são estes, que vão alargando a base de apoio que vai permitindo escalar o “Everest”.
Mas ao contrário dos que se escondem cobardemente atrás de perfis falsos nas redes sociais, esta base de apoio tem rosto, tem opinião, tem motivação e tem atitude. A atitude positiva que faz a diferença, que acrescenta valor e que ajuda a construir a mudança. E este, volta a ser um facto.
Contra factos não há argumentos, é por isso que há factos e supostos factos. Aqueles que não temem, estimulam o debate, discutindo e analisando todos os factos. Aqueles que não têm argumentos, falam sozinhos e escondem-se atrás de supostos factos que apenas contam parte da história.
Por medo, dependência ou necessidade, haverá responsabilidades repartidas no ecoar destes factos que não contam a história toda. Não ultrapassarei os limites cruzados por Ricardo Araújo Pereira no seu programa televisivo, mas reconheço que é confrangedor observar que há quem se demita de confrontar ou pedir esclarecimentos, bastando para tal, fazer perguntas. Refiro-me às perguntas certas, àquelas que incomodam, que colocam as coisas em perspetiva e que reduzem certos factos à sua verdadeira dimensão.
É também por isto que outros se têm de “chegar à frente” para desempenhar papéis para os quais não se julgavam destinados. Por uma questão de defesa de princípios e de valores que se podem sintetizar em espírito de cidadania. E assim termino, com mais este facto.
