Execução de 83% e saldo positivo marcam contas de Tomar em 2025. Foto arquivo: Arlindo Homem

O relatório de prestação de contas do município de Tomar relativo a 2025, que regista uma receita cobrada de 47,8 milhões de euros, uma taxa de execução de 83% e um saldo positivo de 6,38 milhões de euros transitado para 2026, foi aprovado por unanimidade na última reunião do executivo, com o presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), a destacar melhorias e desafios financeiros, enquanto o vereador socialista Hugo Cristóvão sublinhou a evolução de indicadores e o peso da gestão anterior nos resultados.

Na apresentação do documento, Tiago Carrão começou por enquadrar o período em análise, referindo tratar-se de um ano maioritariamente gerido pelo anterior executivo. “Este é uma prestação de contas referente ao ano de 2025, dos quais 10 meses foram da governação anterior, a nossa governação assumiu a responsabilidade dos outros dois meses”, afirmou, acrescentando que, ainda assim, “o município assume e assumimos a responsabilidade por esta prestação de contas”.

Entre os principais dados, o autarca destacou que “a receita cobrada atingiu os 47,8 milhões de euros, com uma execução de 83%”, reconhecendo que, apesar da melhoria face a 2024, o valor ficou “aquém da meta dos 85%”. Ainda assim, apontou um fator externo que condicionou este resultado: “No final de dezembro foram emitidas duas faturas ao IHRU no valor de 1,75 milhões de euros e que se tivessem sido cobradas (…) a taxa de execução teria sido 86%”.

O presidente revelou também constrangimentos atuais nos pagamentos por parte daquela entidade. “À data de hoje, esse valor continua sem chegar ao município (…) temos já adiantados mais de dois milhões de euros, quase três milhões de euros, sem que do lado do IHRU tenham havido pagamentos”, alertando para impactos na gestão financeira.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Outro indicador destacado foi o prazo médio de pagamento, que se fixou nos 50 dias no final do ano. “Tivemos aqui um prazo médio de pagamento de 50 dias, o que significa uma redução de cerca de 40% em relação ao último trimestre de 2024”, disse, considerando que, “não sendo ideal, é um processo que deve continuar a ser feito de melhoria”.

Já ao nível da despesa de capital, Tiago Carrão admitiu que “ficou nos 50%, é baixo, é um facto”, apontando como causas “algumas complexidades ao nível da contratação pública e a operacionalização de alguns financiamentos”. Referiu ainda a “dependência excessiva das transferências do Orçamento de Estado”, que representam “cerca de 60% da receita corrente”, defendendo a necessidade de diversificação de receitas, com exemplos como a taxa turística ou a dinamização empresarial.

Na intervenção do Partido Socialista, Hugo Cristóvão começou por enquadrar também o documento, reconhecendo que “grande parte desta prestação de contas deve-se (…) a um ano em que grande parte da sua gestão foi ainda da governação anterior”.

O vereador destacou a evolução do prazo de pagamentos ao longo dos anos, sublinhando o seu impacto na economia local. “É sublinhar aquilo que foi a evolução ao longo dos últimos anos na questão do prazo de pagamentos (…) porque isso é importante (…) para a confiança, para a credibilidade da instituição do município de Tomar”, afirmou, acrescentando que, na prática, esse prazo chegou a situar-se “pelos 30 dias” no final do anterior mandato, apesar da média apresentada.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Sobre a taxa de execução, considerou que esta deve ser analisada com relatividade, sobretudo quando dependente de financiamento externo. “Quando um orçamento está muito dependente (…) de ações financiadas, obviamente que essa execução está sempre muito dependente dessas entidades externas”, disse.

Hugo Cristóvão destacou ainda o saldo positivo transitado para 2026 como um dos dados mais relevantes do relatório. “O saldo que transita de 2025 para 2026 é 6.389.260 euros e 10 cêntimos”, referiu, acrescentando tratar-se de “mais de seis milhões que transitam, ou seja, de lucro que a atual governação vai poder investir”.

O vereador socialista frisou que este resultado resulta essencialmente da gestão anterior: “Transitou do ano passado para este (…) mais de seis milhões de euros positivos que transitam para o orçamento deste ano e para a atual governação”, considerando que será um dado importante “para memória futura”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *