Ponto prévio: até prova em contrário, esta é a única vida que temos para viver. Saibamos aproveitá-la para fazer com que ela valha a pena.
Tal como a maioria dos portugueses, pude acompanhar o diário de algumas viagens de finalistas através dos telejornais de algumas televisões portuguesas.
Não sei se fui só eu, mas senti que o diário se tornou repetitivo e que nestas viagens de finalistas, cada dia é muito parecido com o dia anterior… e em tudo semelhante ao dia que há-de vir.
Sem querer ser demasiado injusto, parece-me que nestas viagens não há o privilégio da incerteza porque é certo que o futuro vai ser uma cópia do presente que já era uma cópia do passado.
Excesso de tudo o que, espremido, não tem nada. Excesso de álcool, excesso de drogas, excesso de cansaço, excesso de amizades coloridas para a vida que vão durar para sempre… pelo menos até ao próximo verão, excesso de vandalismo, excesso de excessos que ficarão para sempre na memória de cada um… ou pelo menos, daqueles que aguentam melhor o excesso e que não se “apagam” durante o processo.
Sem querer ser demasiado conservador, não me parece que seja assim que se honra o ponto prévio desta crónica. E o que mais me espanta no meio de tudo isto, é o alto patrocínio destas viagens ser garantido pelos pais destes jovens. As viagens e os excessos, onde se incluem as cauções com origem no vandalismo.
Vandalismo gratuito e estranhamente natural porque pelo que pude perceber, para estes jovens, despejar extintores em corredores de hotel, transformar mesas-de-cabeceira em objetos voadores ou destruir quartos, é um dos objetivos destas viagens.
Talvez seja altura de exigirmos que se reveja o processo porque se é para continuar a beber, “fumar”, dançar, destruir e “apagar” fisicamente, não me parece que seja preciso ir para tão longe.
Se pelo contrário é para valer a pena, então que deixe marcas que transformam para melhor. E não me refiro às marcas no corpo provocadas pelos excessos, refiro-me às marcas na “alma” provocadas pelo que se passa a conhecer e que até então se desconhecia.
E podem não acreditar, mas numa viagem que provoque estas marcas na alma também há tempo e espaço para beber, dançar e divertir. Com moderação e equilíbrio, ou seja, a antítese do que atualmente se passa ou da forma como os jovens querem “sorver” a vida.
Se é para exigirmos que se reveja o processo e para honrar o ponto prévio desta crónica, talvez devamos começar por aqui. Comecemos por lhes explicar que a vida só vale a pena se tiver sabor…e que esse só se conhece se houver tempo para se “mastigar”.
