A reunião de Câmara Municipal de 5 de abril foi a primeira em que Luis Forinho se apresentou como vereador independente. Imagem: mediotejo.net

Depois do comunicado da concelhia do Chega no Entroncamento a dar conta da desvinculação do partido por parte do vereador e deputados eleitos nas últimas autárquicas, Luis Forinho reforçou na sua primeira reunião do executivo como independente a decisão de prosseguir o mandato. Sublinhando que a lei assim o permite, o responsável diz que a sua missão é “muito importante” e que a irá levar até ao fim.

O anúncio da desvinculação dos eleitos pelo Chega à Câmara e Assembleia Municipais foi feito no início desta semana em comunicado assinado pela agora ex-presidente da concelhia do Entroncamento.

Alegando para a desvinculação do partido razões como “a grande falta de democracia interna, respeito, reconhecimento e contratações descabidas que em nada engrandecem o partido, nem quem o representa”, a ex-presidente da concelhia do Chega no Entroncamento expôs ainda que tal afastamento ao partido é “o retrato fiel da frustração, pelo sentimento de termos sido enganados”, assumindo a intenção de os eleitos continuarem no mandato, agora como independentes.

Num virar de página que se concretizou com a primeira reunião de Câmara como independente esta terça-feira, 5 de abril, o vereador Luis Forinho abordou o assunto sublinhando que a decisão de desvinculação ao Chega foi tomada “pelo desconforto causado de algumas decisões internas que não vem ao caso”.

“Uma decisão extremamente ponderada, foi uma decisão política e pessoal”, acrescentou, afirmando que a sua missão e dos agora independentes na Assembleia Municipal é “uma missão importante e iremos concluir até ao fim, no seguimento que a lei nos permite isso. Estamos desvinculados completamente e a partir deste momento somos independentes”.

Também o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Jorge Faria (PS), tocou no assunto, referindo a continuidade de Luis Forinho no executivo camarário “por direito próprio, como independente”, citando um parecer da CCDR Norte relativo a situações semelhantes, e onde é dito que “os eleitos locais exercem o seu mandato com autonomia relativamente aos partidos políticos que os propuseram nos termos da lei eleitoral para as autarquias locais através da inclusão nas listas de candidatos postas a sufrágio”.

Dito de outra forma, “quem é eleito para exercer o mandato é uma determinada pessoa e não um determinado partido, assistindo a essa mesma pessoa a liberdade, a todos reconhecida constitucionalmente, de poder deixar de militar que o partido que o propôs a eleição, sem que essa situação tenha reflexo no mandato para que foi eleito”, expôs Jorge Faria.

Clarificado ficou ainda que, no caso de substituição de algum dos eleitos, será chamado a substituir o elemento seguinte da lista que foi proposta a eleições, tenha essa pessoa continuado ou não vinculada ao partido.

Num comentário a esta desvinculação, o vereador do PSD Rui Madeira expressou não ter ficado surpreso com tal anúncio, uma vez que “havia realmente uma diferença entre aquilo que se apontava durante a altura das eleições e depois o comportamento dos representantes do Chega aqui nesta Câmara Municipal”.

“Penso que isto já era esperado. Lamento, porque precisamos de partidos fortes, consistentes, de partidos que localmente também consigam lutar pelos seus objetivos, de forma determinada dentro daquilo que são as regras da democracia, com lealdade, e assim ajudar a desenvolver os concelhos. Infelizmente, não me parece que seja este o caso. O partido não me parece estar a ficar mais forte e isto é um exemplo dessa mesma situação”, apontou ainda, tendo deixado uma questão.

“Quem é que vai substituir os elementos do Chega porque foi assim é que eles se colocaram nas eleições. Há aqui uma questão de legalidade, e legalmente isto é possível, mas há aqui também uma questão de legitimidade”.

“Temos aqui um caso em que houve um conjunto de pessoas ligadas a um partido que se propuseram a umas eleições e que neste momento de alguma maneira defraudaram as pessoas que votaram nesse partido”, disse ainda o social-democrata.

Em resposta, Luis Forinho apenas diz que não irá voltar atrás e que teve inclusive munícipes a pedir para se manter no cargo, pelo que continuará  o mandato “com a legitimidade que a lei nos permite e por aquilo que nos diz o nosso coração e as pessoas que votaram em nós”.

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Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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