Luís Albuquerque em reunião com a Proteção Civil, na sexta-feira, 30 de janeiro. Foto: CMO

O concelho de Ourém foi um dos mais afetados na região do Médio Tejo, tendo sofrido danos extremamente significativos em infraestruturas, equipamentos públicos, habitações particulares e áreas empresariais devido à passagem da Depressão Kristin. Cerca de mil quilómetros de vias municipais ficaram obstruídos, deixando muitas zonas isoladas, sem comunicações e sem serviços essenciais. O ponto de situação foi feito esta sexta-feira, dia 30 de janeiro, numa conferência de imprensa realizada nas instalações do Serviço Municipal de Proteção Civil.

Na madrugada da tempestade houve uma interrupção total do fornecimento de eletricidade, água e telecomunicações móveis. Hoje, cerca de 30 mil habitantes continuam sem eletricidade e aproximadamente 40% da população permanece sem água, com previsão de reposição parcial do abastecimento a cerca de 60% até ao final do dia de sexta-feira. O sinal móvel da operadora MEO está disponível apenas nas cidades de Ourém e Fátima.

Os prejuízos registam-se igualmente nos equipamentos municipais, com infiltrações graves no edifício-sede da Câmara de Ourém, danos nos pavilhões e piscinas municipais, avultados estragos no Estádio Municipal de Fátima e destruição total do canil municipal.

O Castelo de Ourém perdeu parte da sua cobertura e ficou muito danificado.

O setor da educação não foi exceção: as 34 escolas do concelho sofreram danos e apenas 22 estão a ser avaliadas para possível reabertura na próxima segunda-feira, mediante a reposição dos serviços básicos de água e eletricidade. A autarquia está a tentar disponibilizar geradores para essas escolas, mas as restantes 12 unidades dificilmente irão retomar atividade a curto prazo.

Na reunião de coordenação realizada, em que participaram os presidentes das Juntas de Freguesia, foi feito um levantamento das necessidades urgentes, havendo um esforço articulado para ações de remoção, limpeza e organização de voluntariado.

O número de pessoas desalojadas ronda as 30, das quais 28 encontraram abrigo junto de familiares e duas estão a ser realojadas em habitação municipal.

Centenas de habitações ficaram sem telhado, complicando-se ainda mais por falta de materiais para coberturas, situação que levou a um pedido público para que a população disponibilize lonas, sobretudo para proteção provisória de idosos, pessoas acamadas ou com deficiência.

O Teatro Municipal de Ourém foi preparado como espaço de acolhimento de emergência, oferecendo condições para pessoas que necessitem de oxigénio, aquecimento, acesso a comunicações, camas e apoio logístico.

A passagem da tempestade causou a queda de milhares de árvores e danos em mais de metade do mobiliário urbano. Várias vias estão danificadas ou interditas, com cinco estradas encerradas devido a cheias, principalmente nas zonas da Freixianda e Formigais.

Estão mobilizados no terreno cerca de 430 operacionais, incluindo bombeiros, forças de protecção civil, serviços municipais e juntas de freguesia, com o apoio de cerca de 120 operacionais provenientes de outros concelhos.

Mais de 20 empresas privadas disponibilizaram máquinas pesadas e recursos humanos para facilitar os trabalhos de limpeza e desobstrução.

O Presidente da Câmara Municipal, Luís Miguel Albuquerque, confirmou o pedido formal ao Governo para a declaração de “estado de calamidade” no concelho devido à dimensão excepcional dos estragos e manifestou a expectativa de que Ourém será abrangido por esta medida.

O autarca defende também um reforço do apoio externo, nomeadamente do Exército, para disponibilização de equipamentos pesados e geradores.

Albuquerque sublinhou que “a prioridade absoluta é garantir a segurança das pessoas, o acesso aos serviços essenciais e a reposição gradual da normalidade” e apelou à compreensão da população perante as dificuldades ainda existentes, confirmando que todos os meios disponíveis permanecem no terreno.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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