Elvino Pereira e Mação são dois nomes que ficarão sempre ligados. Foi Presidente da Câmara mas foi a sua dedicação ao concelho que marcou a sua vida e, claro, a de quem cá vive.
Na passada segunda-feira , 6 de abril, foi feriado Municipal em Mação e nos Paços do Concelho foi inaugurado um espaço em sua memória, acima de tudo para que os mais novos não esqueçam este nome: Elvino Pereira.
Quando comecei a trabalhar na Câmara ele estava quase de saída. Um dia chamou-me para pedir alguma coisa e quando cheguei ao seu gabinete olhou para mim, pausou, tirou um molho de papeis do bolso da camisa e disse: “com a tua idade lembrava-me de tudo, agora tenho que ter ajudantes”. Rimo-nos enquanto percorreu os papeis até que encontrou o recado que me queria dar.
Na passada segunda-feira , 6 de abril, foi feriado Municipal em Mação e nos Paços do Concelho foi inaugurado um espaço que na verdade sempre lá esteve e sempre lá estará, porque as pessoas que marcam os sítios não saem deles.
Elvino Vieira da Silva Pereira foi uma das mais marcantes personalidades de Mação nos últimos 100 anos. Teria feito, neste ano de 2026, 99 anos.
Nasceu em Mação, a 1 de fevereiro de 1927, embora tenha sido registado a 5 de fevereiro, fazendo questão de festejar ambas as datas, dia 1 com uns, dia 5 com outros, em família geralmente nos dois dias, o de nascimento e o de registo.
Filho de José Simões Pereira e de Catarina Vieira da Silva, era um de quatro irmãos. Na verdade, os pais geraram 11 filhos sendo que as primeiras 6 gravidezes, uma de gémeos, em Lisboa, não vingaram.
Só quando os seus pais se mudaram da capital para Mação conseguiram levar a bom porto as 4 gravidezes seguintes, das quais nasceram os seus 4 filhos.
Elvino Pereira e os irmãos: Deolinda, Maria Helena e José Carlos vieram nascer a casa! Talvez por isso o amor a Mação tenha já nascido com ele.
Nasceu numa casa na Praça Gago Coutinho, estudou na Escola Primária e no Colégio D. Pedro V, tudo em Mação.

Casou com Regina Seara Gueifão da Silva Pereira a 15 de julho de 1951. O jovem Elvino ia de Mação até Belver, para namorar à janela, do n.º 3 da Rua da Estação, como era prática naqueles tempos, na casa dos futuros sogros, junto à antiga Estação de Belver, casa que hoje dá espaço ao Turismo Rural “A Saboeira”.
Teve três filhos: Anisabel, Maria Dulce e António José. Teve 6 netos e ainda conheceu 1 bisneto, sendo hoje já quatro.
Ingressou na vida política em 1963 como membro do Conselho Municipal. Dois anos depois, em 1965, tornou-se vereador da Câmara Municipal de Mação, cargo que exerceu até ao 25 de Abril de 1974. Voltaria dois anos mais tarde, entre 1976 e 1979, novamente ao lugar de vereação da autarquia.
Em 1980 assumiu a Presidência da Câmara Municipal e, durante 21 anos, conduziu os destinos do Concelho.
Em 2001 iniciou uma nova etapa do seu percurso, enquanto Presidente da Assembleia Municipal, cargo que ocupou até setembro de 2008, data que marcou a sua despedida da vida política.
Homem de causas, abraçou vários projetos e prestou diversos serviços de natureza cívica junto da comunidade, entre eles na Santa Casa da Misericórdia de Mação onde foi Provedor durante vários anos, projeto que se iniciou pela sua mão.
Deu ainda o seu contributo para o desenvolvimento de associações do concelho, enquanto sócio ou integrando os seus órgãos sociais, como a Sociedade Filarmónica União Maçaense, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e a Associação Desportiva.
Dono de uma simplicidade e humildade únicas nutria uma imensa paixão por Mação.
O seu trabalho foi pautado, acima de tudo, pelo suprimento das necessidades básicas da população fazendo do Concelho um dos primeiros a ter saneamento básico em todas as freguesias, aldeias eletrificadas, água nas casas e arruamentos em todo o concelho de Mação.
Numa das muitas memórias dos filhos, as férias eram períodos de estudo – para o pai – que levava a família de férias para sítios onde sabia ter havido inovação em alguma área, nomeadamente de infraestruturas de saneamento, e “de férias” estudava e aprendia com o que se fazia noutros concelhos para trazer melhores ideias para Mação.
Em 2010 esteve internado em Lisboa com complicações graves de saúde, tendo sido chamado o Padre para lhe administrar a Santa Unção. Quando esta lhe era dada e quando o Padre orava pelas pessoas que trabalhavam no hospital e lhe tinham prestado serviço, Elvino Pereira abriu os olhos e disse “Sr. Padre, podemos rezar também pelas pessoas do concelho de Mação?”. E recuperou.
Apenas nos últimos 3 anos de vida não ocupou cargos políticos.
Faleceu a 16 de setembro de 2011, aos 84 anos.
Dá nome ao Centro Cultural da Vila de Mação, desde 2012.
A Elvino da Silva Pereira será sempre reconhecida e enaltecida a enorme inteligência, a franca humildade, a determinação, a perspicácia e o sentimento de um Homem que amou Mação e colocou, sempre, a sua terra acima de qualquer coisa.
Será, sempre, uma referência enquanto Homem e enquanto Autarca.

Na passada segunda-feira , 6 de abril, foi feriado Municipal em Mação e nos Paços do Concelho foi inaugurado um espaço em sua memória. Embora a sua memória sempre lá tenha estado. Porque os sítios têm a alma de quem os habita.
