O Bolo Rei tradicional da pastelaria Tágide Gourmet está entre os melhores da região. Foto: DR

A noite da consoada aproxima-se e, além do cabrito, borrego, polvo e o bacalhau acompanhado pelas couves e batatas, também os doces têm direito ao seu protagonismo. Azevias, coscorões, sonhos e fatias douradas não faltam, mas o bolo-rei, nas suas diversas formas, é o anfitrião da festa.

Doces e Natal são as duas palavras que acompanham os pasteleiros e doceiros nestes dias bastante atarefados. Além do pastel de nata que acompanha o café, a lista de pedidos aumenta na semana que antecede a noite da consoada. Entre o bolo-rei, os fritos e o tronco de Natal, o difícil é escolher o protagonista ideal para compor a mesa.

Foto: Zé Paulo Marques

Na pastelaria dos ‘Sabores do Ti Pereira’, em Abrantes, as encomendas chegam maioritariamente por telefone. Os fritos, como as azevias, os coscorões e as fatias douradas, são os doces mais solicitados por estes dias.

Mas lá dentro, onde existe um espaço próprio de confeção que serve de apoio para as diferentes pastelarias do grupo, podemos encontrar o bolo-rei, o bolo-rainha e o bolo-rei escangalhado, que estão prontos para serem embalados e seguir viagem com destino à casa dos clientes.

Além do ‘Bolo de Natal’, que marca presença todos anos e é decorado a rigor, as ‘Velas de Natal’ são também uma opção: massa de pão-de-ló com recheio de doce de ovo, com merengue na cobertura a finalizar.

O bolo-rei tradicional é o produto mais procurado pelo público, mas o seu ‘concorrente’ bolo-rei escangalhado começa a ser igualmente um dos doces preferidos.

Bolo-rei, bolo-rainha, bolo-rei escangalhado e, mais recentemente, o bolo-rei de maçã e o bolo-rei de abóbora mascavado integram a lista de sugestões de encomendas para o Natal.

Foto: mediotejo.net

As previsões de encomendas para este Natal são baseadas nos números dos anos anteriores, e para nos darem uma ideia, falamos de 15 mil fritos, 700 troncos de Natal e 15.000 bolos-reis. Sílvia Cardoso, a engenheira responsável, diz-nos que a conta “pode ser mais”, porque há sempre os pedidos de última hora.

As azevias, os coscorões, as fatias douradas e os sonhos são algumas doçarias que exigem turnos com mais horas de trabalho. “Nunca se pára de fritar!”, diz-nos Sílvia Cardoso. Aqui fazem-se as encomendas em grande escala, ou seja, para os distribuidores venderem porta-a-porta e, também, para outros estabelecimentos comerciais.

No Rossio ao Sul do Tejo, igualmente no concelho abrantino, o chef Fernando Correia também não tem mãos a medir nestes dias.

A pastelaria Tágide apresentou um cardápio de diferentes produtos para completar a noite de Natal: desde o bolo-rei tradicional, passando pela torta de laranja ou molotoff com fios de ovos, escolher é o grande desafio dos mais gulosos. Há também os macarrons de palha de Abrantes e sugestões inovadoras.

“As pessoas vêm à procura de outras alternativas, como o bolo-rei de maçã e canela”, exemplifica o chef, que também sugere o bolo-rei Kinder Bueno, o bolo-rei Ferrero e o bolo-rei Palha de Abrantes.

“Queremos ser diferenciadores, e temos de apresentar sempre produtos novos”, justifica o profissional, com a apresentação destas escolhas.

Mas o que diferencia o bolo-rei Palha de Abrantes que, segundo nos diz o chef Fernando Correia, é o mais se vende?

“É um brioche francês, que depois leva manteiga e fica uma massa semi-folhada. O interior é feito com doce de ovos, amêndoa e frutos secos, nomeadamente, o caju. Depois leva uma calda de citrinos, e é acabado com doce de ovos e fios de ovos”, responde, aguçando-nos o palato.

A mesa da noite da consoada enche-se de cor e sabor pelas diversas sobremesas sugeridas por pasteleiros e doceiros um pouco por todo o país. Mas, nesta noite especial, há elementos que não podem mesmo faltar.

“A única coisa que nunca pode faltar são as pessoas da família e os amigos”, diz-nos Carlos Vital. Quanto ao menu para a noite de Natal, Carlos conta-nos que a sua mesa vai ter o bacalhau cozido com molho fervido (alho, azeite e colorau), o polvo, as filhoses enroladas, os sonhos, os bilharacos (doce de Natal típico da região do norte que é feito com abóbora) e o pão-de-ló. E é claro que também não pode faltar “um bom queijinho da Serra”, com um licor ou um vinho do Porto para um brinde em família.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Apaixonada pelo mundo do jornalismo, é licenciada em Comunicação Social pelo Instituto Politécnico de Tomar / Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Acredita que "para chegar onde a maioria não chega, é necessário fazer o que a maioria não faz".

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