Dia 5 de outubro é mundialmente conhecido como o dia do professor. Pois é, o Professor. Antigamente esta profissão era cobiçada, respeitada e procurada. O Professor, assim como o Presidente da Câmara, o Chefe da polícia e o Padre, era uma das pessoas mais respeitada da vila ou cidade. Os alunos tinham estima pela sua autoridade (muitas vezes inutilmente abusada por alguns), era uma personagem a imitar e, por vezes, de invejar. Não ganhavam muito e sobretudo as professoras tinham uma vida complicada, mas que tinham honra em ser professor/a ..tinham.
Meu pai foi professor de Educação visual toda a vida, empenhou-se em desenvolver técnicas de ensino de arte a filhos de pescadores e pedreiros iletrados e conseguiu bom resultados, alguns são artistas, designer e/ou gráficos. Queria que eu fosse também professor na escola publica no fim dos anos 70 mas recusei porque já via o meu pai regressar das reuniões dos professores irritado e triste. Ele amava ensinar, mas os programas “inovativos” que chegavam de Roma obrigavam-no a fazer mais burocracias do que a ensinar. E eu não gostei da ideia de ensinar nos moldes criados por alguns que talvez nunca tenham dado aulas.
Passei a viver em Portugal depois de várias peripécias e volta ao mundo e fui convidado a dar aulas de EV. Mas tinha de fazer um exame de história (saber todos os reis de Portugal) e um de gramática portuguesa. Recusei. Não tanto pelos exames, que também achei inúteis de se fazer, mas porque não entendo que relação tem a gramática ou história com o ensino da arte? Mais ainda, tendo amigos professores e ver a frustração deles a correr o pais todo para manter a avaliação em dia, aceitarem seguir programas que mudam de ano em ano e, sobretudo, ser maltratados pelos alunos, pelos pais deles, e pelos média não ajudou nada no aceitar deste convite.
Sim, dou aulas de pintura no privado há 25 anos, verdade, mas o programa sou eu e o aluno a desenha-lo. Cada aluno escolhe o que fazer e em conjunto vamos desenvolver. A relação com os pais é clara desde a inscrição até o aluno voar para outros destinos e o plano de trabalho é personalizado e cumprido em sintonia. E os resultados estão à vista.
O dia 5 de Outubro é o dia do professor, espero que rapidamente os programas públicos possam ser elaborados pelos próprios professores, que possam ficar perto das próprias residências, que eles possam ter uma relação aberta e madura com os alunos, que os pais entendam que os seus filhos devem estudar e seguir os princípios do ensino escolar e serem eles próprios a dar a educação familiar de ensinar a respeitar os outros para se ser respeitado.
Só assim poderemos ter professores felizes e respeitados e alunos que se desenvolvem como cidadãos respeitosos e úteis à sociedade.
Utopia? Não sei, mas é um desejo ver os meus colegas mais felizes e menos maltratados.

Enquanto artista tem-se dedicado a exploracao de diversas tecnicas, azulejo, pintura a oleo, desenho anatomico, desenho sepia aguarelada e ponta de aparo com que depois reproduz em litografias. A fotografia e a ceramica sao algumas das tecnicas em que se especializou, sobretudo o retracto, a fim de criar um portfolio de imagens. Mais recentemente esta a pesquisar a aguarela com vinho tinto e obras em azeite e cortica; o desenho de figura humana com modelos profissionais e a Massimo Esposito considera o desenho como base da pintura; por isso a sua satisfacao quando encontrou, ha pouco, um livro que ha muito procurava. Ao ler, paulatinamente, o livro “Desenhando com o lado direito do cerebro”, de Betty Edwards, regressou ao passado; as aulas em Ravena, com o professor Ruffini, e as muitas horas “ao cavalete” a desenhar esculturas gregas e renascentistas. Tambem se lembrou da dificuldade de trazer a “Academia” a um nivel pratico e moderno, quando comecou a dar aulas de desenho, apesar de utilizar os metodos adoptados neste livro, como Ver os desenhos ao contrario, fazer desenhos ao contrario e desenhar tudo o que aparece (copos, parafusos, caras, ossos, troncos e sobretudo maos), sem achar isso dificil.