“Ano novo, vida nova” diz o povo na sua infinita sabedoria. Ano após ano a tradição repete-se e o dia de Ano Novo chega com renovada motivação própria de quem acredita em novas resoluções. Resoluções de quem sabe que o ano só será novo se os hábitos não forem “velhos”.
E é esse precisamente o principal desafio de um ano novo, o convite a uma reflexão para que se encontrem novos caminhos, novos hábitos e outras rotinas para que nos reinventemos e o ano novo traga de facto uma vida nova e para que as boas intenções não fiquem rapidamente esquecidas e arquivadas dentro de uma das gavetas da vida de cada um de nós.
Pessoalmente não quero nada de muito diferente em relação aos últimos anos. Com a ajuda dos meus companheiros de viagem pretendo continuar a contribuir para a construção e para a consolidação do projeto que nasceu no final do ano passado para que o resultado final se aproxime daquilo que nós queremos e, essencialmente, daquilo que as pessoas precisam.
Peço também que não me falte saúde para desfrutar do prazer de passar momentos de qualidade na companhia da minha família e dos meus amigos. Faço ainda questão de continuar a investir algum do meu tempo livre entre as páginas de um dos livros que já estão em fila de espera ou de outros que ainda não estão mas que certamente virão a estar.
Em relação àquilo que não consigo controlar desejo certamente o mesmo que a maioria de nós e para não me tornar redundante destaco apenas um tema. Entre todos os problemas do país e do mundo, este não será certamente aquele que é o mais importante, mas é seguramente, além da sustentabilidade de um setor de atividade e de todos os profissionais que por lá trabalham, um dos pilares que permitirá a autorregulação e o normal funcionamento da democracia.
Refiro-me ao financiamento da comunicação social como a solução que permitirá continuar a garantir o acesso a informação isenta e sem dependência de qualquer ordem e que o próprio Presidente da Republica já considerou ser “preciso haver um conjunto de iniciativas” para garantir a sobrevivência de muitas destas empresas.
O próprio jornal onde estão a ler estas linhas já fez o alerta para esta situação tendo inclusivamente desenhado um programa de apoio que possa ser a solução pontual enquanto não se chega à solução estrutural.
O perverso da questão é que aqueles que têm capacidade para alterar as regras do jogo são precisamente os mesmos que não têm interesse nessa alteração porque a dependência do setor obrigará a repetir a cedência do controlo dessas regras do jogo, ou, se preferirem, do próprio jogo.
Este será certamente um dos desafios de 2020 e um daqueles que mostrará a maturidade do nosso país e da nossa democracia. Se a solução continuar a ser adiada isso limita-se a refletir que, ao contrário daquilo que nos vendem com insistência, em alguns indicadores Portugal ainda está perigosamente próximo de alguns países do terceiro mundo.
Apesar de algum ceticismo, tenho esperança que se encontrem as soluções e faço votos que 2020 seja um bom ano para todos.
Feliz Ano Novo!
