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Terminou a edição de 2023 das Jornadas Sociais e da Saúde, cujo segundo dia decorreu na terça-feira, dia 12 de dezembro, com enfoque em projetos e respostas inovadoras no âmbito dos cuidados de saúde prestados à comunidade.

O último dia das Jornadas Sociais e da Saúde de Abrantes contou com a presença de Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) bem como do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, com ambos a refletirem sobre os desafios que se colocam no setor social e da saúde num tempo complexo em que se tornam prementes projetos e respostas de inovação para garantir maior assistência e melhor qualidade de vida aos cidadãos.

Na abertura, e perante uma plateia bastante composta no auditório do Edifício Pirâmide, pelo segundo dia consecutivo da iniciativa, Manuel Jorge Valamatos destacou a presença de alunos do curso profissional de técnico auxiliar de saúde nas jornadas, a quem dirigiu as primeiras palavras.

O autarca fez vários agradecimentos aos participantes, de referiu-se a “um compromisso que Abrantes tem na área social e da saúde” com base numa perspetiva “integrada” entre as suas áreas, com vista à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

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ÁUDIO | Abertura da sessão no segundo dia das jornadas por Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes

“Quando falamos de qualidade de vida, não estamos apenas a considerar a ausência de doenças, mas também a promoção de ambientes sociais favoráveis, a inclusão de todos os estratos sociais na vida comunitária, a equidade no acesso aos mais diversos serviços ou a promoção de estilos de vida saudáveis”, frisou o edil.

Manuel Jorge Valamatos destacou também o papel das jornadas organizadas pela autarquia, entendendo que “são uma oportunidade também para identificar soluções, colaborar e construir ações que conduzam a uma transformação positiva”, deixando o desejo de que “todos possam, durante estes dois dias, sair inspirados e determinados a implementar mudanças positivas, nas nossas vidas, nas nossas organizações”.

Sendo o segundo e último dia da iniciativa dedicado à saúde, o autarca de Abrantes considerou existir “oportunidade de partilhar experiências e de discutir os desafios comuns para a promoção da saúde e do cuidado às nossas pessoas”, na senda da “construção de um futuro melhor para todos”.

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No alinhamento seguiu-se a intervenção de Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Em jeito de reflexão sobre o setor da saúde, em Abrantes, na região e no país, não deixou de transmitir uma mensagem sobre os “momentos muito complexos” vividos no país, mas enaltecendo a iniciativa que discute a saúde a partir de exemplos positivos como forma de dar estímulo e força aos profissionais de saúde e técnicos.

“Estes momentos difíceis são históricos, muitas as vezes mostrados por momentos mais difíceis, mais negativos, por aquilo que vem a público de dificuldades nas urgências, de funcionamento do sistema… as coisas são muito mais complexas do que aquilo que vemos e ouvimos todos os dias. Há que pôr o filtro solar, nem tudo o que vemos é. As coisas nem sempre são o que parecem”, indicou.

Casimiro Ramos notou, ainda assim, a resposta dada no Médio Tejo aos utentes, assumindo dificuldades nas urgências, nomeadamente na Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes.

“No dia de ontem tivemos uma afluência muito grande e estivemos quase, quase, na iminência de fechar. Fechámos ao exterior. Mas numa batalha constante dos profissionais lá se descobriu duas camas em Torres Novas, mais quatro em Tomar, mais umas altas ali… e conseguiu-se aguentar. Isto é uma pressão constante, um trabalho constante e não se fechou à população a Urgência de Abrantes, que é a mais pressionada nos momentos mais críticos”, indicou, referindo dificuldades pontuais também nas unidades de Torres Novas e Tomar por dificuldade em encontrar médico.

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ÁUDIO | Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT

Uma vez que os temas desta manhã iriam incidir sobre a maternidade e parentalidade, o presidente do CA do CHMT referiu-se às maternidades como outro “ponto crítico”, em que o CHMT também notou dificuldades, crendo que “de um dia para o outro tudo se pode alterar, basta alguém ter uma baixa, falecer um familiar, no que diz respeito aos serviços médicos, e entramos logo em dificuldades extremas”.

“O primeiro semestre foi o mais complicado, tínhamos um programa de encerramento de 15 em 15 dias, mas a partir de julho foi retomada a normalidade sem fechos programados. Mesmo assim têm existido fechos pontuais, aconteceu ainda no dia 10, por dificuldade em ter um profissional para preencher o turno, mas mesmo assim é dada assistência, é dado encaminhamento, e dos 741 partos realizados este ano contra 688 realizados no ano passado, no ano todo, temos um acréscimo de partos significativo, a ultrapassar os recordes de sempre”, notou.

Tal deveu-se aos fechos e constrangimentos noutras unidades do país, que trazem as grávidas até à unidade hospitalar de Abrantes. “Apesar dos nossos constrangimentos, Santarém fecha de 15 em 15 dias, de quinta-feira a segunda. Leiria acho que fecha quase todos os fins-de-semana. Vila Franca [de Xira] fecha alternadamente com Santarém, de 15 em 15 dias. Significa que há fins de semana que, de Coimbra até Santa Maria, a única maternidade aberta é a de Abrantes”, sublinhou.

Notando o esforço dos profissionais de saúde da unidade hospitalar de Abrantes, disse que dos 741 partos mais de 30% são cesarianas, ou seja, mais de 600 partos são feitos pelas enfermeiras parteiras.

“A nossa maternidade funciona com dois obstetras. Santarém está fechada com dois obstetras, só abrem se tiverem três. E há outra razão pela qual fecham, não têm anestesista. Nós temos sempre anestesista, quando fechamos é porque não temos obstetra. Como vos digo, não é fácil… é muito difícil. É um trabalho constante de moralização, de pedir, pedir, pedir…”, deslindou.

O administrador não deixou de louvar o trabalho desenvolvido no Centro Hospitalar do Médio Tejo. “Não sei se há mais algum hospital público que faz o vosso trabalho… acho que não faz”, reconheceu, falando da preparação para o parto, o curso dado aos pais e mães.

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“A indicação é que é o único no país nos hospitais públicos. Nos hospitais privados custa entre 1000 a 1100 euros aos pais. Nós fazemos este curso ao abrigo do Serviço Nacional de Saúde, com um qualidade excecional, com uma preparação excecional das senhoras enfermeiras, com uma dedicação, com uma paixão e com um carinho muito especial, que os pais dão testemunho disso”, afirmou.

Por outro lado, antevendo o próximo ano com um “novo desafio” com a entrada em vigor da nova Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo a 1 de janeiro.

“Passará a haver uma gestão integrada, vertical, nos cuidados primários com as unidades hospitalares. Quero transmitir-vos que não vai haver nenhuma revolução, irá haver uma adaptação do funcionamento dos serviços, e o que se pretende é mais segurança, mais tranquilidade, mais normalidade do funcionamento”, assegurou o responsável pela administração do CHMT.

Seguiram-se depois os painéis do último dia das jornadas, o primeiro analisando projetos e respostas de saúde no que toca às experiências positivas para o parto e parentalidade, em que se abordou o trabalho desenvolvido com os casais grávidos e mulheres grávidas, com moderação da enfermeira responsável do serviço no CHMT, Hermínia Barradas.

Foi apresentado o projeto da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Abrantes, Papys e Babys, dinamizado pelas enfermeiras especialistas Paula Gil e Catarina Cardoso, que promovem ensinamentos na preparação para o nascimento e parentalidade, no sentido de assegurar uma transição saudável para a nova realidade de ser pai e mãe. São promovidas assistências e consultas individuais e de grupo, onde não é ainda esquecida a saúde mental perinatal, que aborda tópicos como a regulação emocional, autoconhecimento e consciencialização.

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Também se insere neste curso o apoio ao aleitamento materno, com conselheiras especializadas prontas a prestar apoio e assistência quer em consultas presenciais ao domicilio, quer no Cantinho da Amamentação na Unidade de Cuidados na Comunidade, além da promoção de cursos de massagem infantil que ajudam a estimular, aliviar, relaxar e interagir com o bebé, além de promoverem o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos.

Nesta senda, foi também apresentado o projeto Cuidar para Nascer da Maternidade do CHMT, em Abrantes, com a enfermeira Paula Carrilho a explicar o Método GentleBirth na preparação para o nascimento e parentalidade, existindo inclusive o acesso gratuito a uma app para as grávidas que frequentam o curso, com dicas e assistência ao longo do processo.

O primeiro curso decorreu em junho de 2022, mas até à data contabilizam-se 280 grávidas inscritas e já se formaram 18 famílias GentleBirth, no seio desta iniciativa. Este curso de preparação acontece das 14h00 às 16h00, em quatro sessões por mês. Podem participar grávidas com qualquer tempo de gestação, não existindo limite à participação, tal como não existe limita à participação independentemente de onde venha a decorrer o parto. A inscrição deve ser feita através do email maternidade@chmt.min-saude.pt, demonstrando interesse em participar no curso, sendo que são aceites 12 grávidas por mês, num total de 24 pessoas com os respetivos acompanhantes/pessoas relevantes.

O programa aspira a mães e bebés saudáveis, promovendo experiências positivas de gravidez, parto e parentalidade, pretendendo proporcionar um parto mais confortável, baseado na regulação dos níveis de stress, promovendo o bem-estar da grávida, pondo em prática o mantra dos três C – calma, confiante e no controle, sendo estas técnicas e ferramentas partilhadas com as mães, dentro do mindfulness, hipnose e afirmações positivas, conforme explicou Paula Carrilho. Estes programas são vistos como oportunidade de capacitação e preparação para um nova fase da vida.

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O último painel incidiu sobre o tema “Caminhar com Dignidade”, contando com moderação da enfermeira Maria José Mota, do ACES Médio Tejo. Começou com apresentação do programa + Vida, promovido pelo Município de Abrantes junto da população sénior institucionalizada. Este programa pretende alcançar a generalização da prática de atividade física na comunidade, tendo por objetivo estimular o cidadão a ser ativo, promovendo uma melhor e maior qualidade de vida, conforme explicou Luís Valente, chefe da Divisão de Desporto e Associativismo.

O programa promove diversas atividades, desde ginástica, caminhadas, jogos lúdicos e jogos tradicionais, atividades intergeracionais. Teve o seu início em 2005, e hoje conta com 15 instituições e cerca de 300 idosos integrados no programa. A cada ano é ainda promovido um Encontro Gerontolímpico, reunindo todos os participantes seniores numa celebração coletiva em convívio salutar e com atividade física e divertimento à mistura.

Também a médica Susana Silva, coordenadora da USF D. Francisco de Almeida, em Abrantes, apresentou o projeto internacional Walk with a Doc (Caminhar com um médico), implementado naquela unidade de saúde familiar em abril deste ano, e que visa promover caminhadas acompanhadas por profissionais de saúde, estimulando os utentes a praticar atividade física.

Em cada caminhada promove-se literacia de saúde, abordando temas atuais, mas também dando espaço aos utentes para escolher as temáticas e necessidades. “Durante a própria caminhada o utente está à vontade para tirar dúvidas, falar sobre preocupações com médicos e enfermeiros. Tem alguém capaz de lhes dar informação fidedigna”, frisou a médica.

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Pretende-se com a iniciativa, em parceria com o Município de Abrantes, “combater o sedentarismo, o responsável pelas principais dez causas de morte a nível mundial, nomeadamente AVC, cancro e doenças cardíacas”.

Por outro lado, existe a promoção do convívio e relações sociais, sendo a caminhada aberta a todas as gerações, a toda a população que queira caminhar na última sexta-feira de cada mês. O ponto de encontro é junto à USF, às 10h00 e tem a duração de cerca de 1 hora com um percurso de cerca de 5 km dentro da cidade. A caminhada conta sempre com a participação de um médico e de um enfermeiro a acompanhar os utentes no percurso, pretendendo estimular à adesão à prática de atividade física e estilo de vida saudável.

Susana Silva reconheceu que gostava que a adesão fosse maior a esta iniciativa, aberta a toda a comunidade do concelho e não apenas aos utentes inscritos naquela unidade de saúde familiar.

Por fim, o último tema focou a realidade da prestação de cuidados paliativos, com o exemplo da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos do ACES da Lezíria, bem como da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos do CHMT.

A enfermeira Teresa Nogueira abordou a realidade da equipa comunitária da Lezíria, uma equipa multidisciplinar nascida em 2018 e que conta atualmente com 190 utentes. Dá apoio assistencial e consultoria fora de Santarém. A maioria dos utentes tem entre 80 e 89 anos de idade.

São referenciadas situações por familiares, unidades e equipas de saúde, ERPIs ou casas de acolhimento, onde se solicita o apoio quanto à prestação de cuidados em fim de vida, que são cuidados “difíceis”, que enfrentam muitos desafios, quer pela forma como lidam com o utente, quer pela relação com familiares, quer ainda com a manutenção do bem-estar físico e psicológico da própria equipa, confrontada com situações complicadas, complexas perante o declínio do estado do utente em fim de vida.

O mesmo corroborou a enfermeira coordenadora da Equipa Intra-hospitalar do CHMT, Joana Cardoso, que falou da realidade no centro hospitalar, dotado desta equipa mas também contando com Unidade de Internamento com apenas 4 camas.

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A equipa é constituída por três enfermeiras a tempo inteiro, mas conta ainda com outros profissionais partilhados de outros serviços. O objetivo principal da equipa passa pelo controlo de sintomas em todas as dimensões, promovendo formações e ações de sensibilização, fazendo acompanhamento de adultos a partir dos 18 anos, quer de utentes com doença oncológica, quer com doença não-oncológica.

Apesar de não ter intervenção comunitária, a enfermeira deu conta da intenção de o CHMT vir a estender o atendimento à comunidade, reconhecendo uma lacuna pela falta de atendimento ao domicílio no que toca à prestação de cuidados paliativos.

O encerramento da Jornadas Sociais e da Saúde foi feito em balanço dos dois dias de partilha de experiências e divulgação e promoção de iniciativas e projetos, com a vereadora Raquel Olhicas a traçar uma síntese sobre o evento que incidiu sobre a inovação e experiências de sucesso na saúde e ação social.

Para a autarca, enfermeira de profissão, a Saúde e a Ação Social “andam cada vez mais de mãos dadas”, principalmente após a transferência de competências do Estado para as autarquias locais.

Reconhecendo desafios e fragilidades no atual contexto social, bem como no contexto “sensível” da saúde, disse que “os desafios sociais são cada vez maiores e por isso tentámos partir de problemas previamente diagnosticados, em concreto, para refletirmos melhores soluções e com respostas inovadoras”, com boas práticas de cariz nacional e regional, bem como no contexto do concelho de Abrantes com perspetiva de “importar bons modelos de atuação”.

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ÁUDIO | Encerramento das Jornadas Sociais e da Saúde pela vereadora Raquel Olhicas, da Câmara Municipal de Abrantes

O município de Abrantes promoveu nos dias 11 e 12 de dezembro mais uma edição das Jornadas Sociais e da Saúde, tendo este ano como tema “A Inovação faz Abrantes: no social e na saúde”. A iniciativa permitiu partilhar respostas inovadoras que promovam uma melhor qualidade de vida da comunidade, reunindo profissionais nas diversas áreas de intervenção, promovendo “a partilha de conhecimento e a reflexão e discussão sobre a importância da implementação de respostas criativas na área social e na saúde”.

A iniciativa abriu espaço para refletir e debater outros temas, em paralelo, nomeadamente o parto e a parentalidade, a promoção da saúde na população sénior e a prevenção do sofrimento em determinadas doenças, nomeadamente por via de cuidados paliativos.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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