Urgência de ginecologia e obstetrícia da ULS Médio Tejo mantém-se a funcionar em Abrantes. Foto arquivo: mediotejo.net

“O Conselho de Administração (CA) do CHMT – Centro Hospitalar do Médio Tejo confirma que rececionou ontem, 21 de outubro, carta de rescisão do contrato de trabalho do médico especialista David Durão, ex-Diretor de Serviço de Cardiologia, destituído deste cargo por deliberação por maioria do Conselho de Administração do CHMT no passado dia 6 de outubro, que implicava apenas a função de gestão da direção do serviço”, afirmou a administração do CHMT ao mediotejo.net, em resposta aos esclarecimentos solicitados.

“Embora o CA do CHMT tenha comunicado que contava com a sua continuidade enquanto profissional, para prestar os cuidados de saúde aos utentes, na sua qualidade de médico, a decisão pessoal do médico de abandonar os quadros do CHMT vem agravar a situação de recursos humanos da especialidade de Cardiologia do CHMT, decorrente de falhas graves da gestão do serviço durante o seu mandato”, acrescenta o CA do CHMT, tendo feito notar que a sua decisão “não afeta” a qualidade dos serviços prestados.

“No entanto, a sua decisão não afeta a qualidade dos serviços prestados à população, que estão asseguradas com o apoio das especialidades da Medicina Intensiva e da Medicina Interna do CHMT, do reforço da contratação de médicos prestadores de serviços e da articulação em rede com o SNS e hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo”, pode ler-se.

O CHMT dá ainda conta que, “em data anterior ao pedido de rescisão do médico David Durão, já tinha sido nomeado pelo CA do CHMT um director de serviço interino, Dr. José Linder, experiente especialista do Centro Hospitalar” (tendo assumido no passado funções de Direção de Serviço).

“Em curto espaço de tempo empreendeu diligências para garantir o normal funcionamento do serviço de Cardiologia, e o reforço da contratação de médicos prestadores de serviços, para garantir a atividade assistencial à população nos três pilares assistenciais – consultas da especialidade, atividade cirúrgica programada, e apoio permanente à urgência Médico-cirúrgica da Unidade de Abrantes do CHMT -, até ao procedimento de concurso público para a contratação de novos especialistas e nomeação de novo director de serviço”, refere a nota informativa.

O CA do CHMT relembra no mesmo texto que “a atratividade do centro hospitalar na especialidade de Cardiologia foi garantida por avultados investimentos realizados nos últimos dois anos em instalações, equipamentos e tecnologia de ponta” e que “essa estratégia de robustecimento da especialidade será reforçada em 2023, para atrair profissionais e levar mais e melhores cuidados de saúde à população do Médio Tejo”.

A notícia da demissão de David Durão foi avançada na sexta-feira pela SIC Notícias, e revelou que esta é a terceira demissão na Cardiologia do CHMT neste mês de outubro, tendo ficado apenas quatro médicos no serviço. Desses quatro médicos do Centro Hospitalar, nenhum faz urgências, por terem todos mais de 55 anos, refere a mesma notícia do canal televisivo.

O problema das escalas nas urgências e da falta de capacidade para as preencher estiveram na origem da destituição do então Diretor de Serviço, David Durão, no dia 12 de outubro.

Em comunicado, o conselho de administração do CHMT, presidido por Casimiro Ramos, justificou a destituição com a “incapacidade de o diretor de serviço demitido adotar medidas para garantir um nível satisfatório nas escalas de Cardiologia de apoio à Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes”, que serve toda a população da região do Médio Tejo, cerca de 266 mil habitantes, uma decisão “inédita”, segundo o clínico, que refutou os argumentos apresentados.

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