Dador de sangue durante 30 anos, Manuel Moura apela aos jovens para dádiva benévola. Foto: mediotejo.net

Manuel Moura, natural de Tramagal, que doou sangue durante mais de 30 anos, apela aos jovens: “Dar sangue é dar vida”. Com 77 anos, o antigo dador benévolo lamenta não poder continuar a ajudar e deixa apelo à nova geração.

“Eu ouço e vejo muito televisão e o que me magoa é saber que a juventude hoje em dia parece ter medo de dar sangue e até há melhores condições para dar sangue do que havia há 30 ou 40 anos atrás. E depois hoje, custa-me ver os médicos a queixarem-se que não há sangue e que o sangue que há nos hospitais está a esgotar e que começa a haver faltas para as pessoas que precisam. E isto não custa nada e pode salvar vidas”, declarou.

Durante mais de três décadas, Manuel Moura foi um exemplo de altruísmo e solidariedade. Natural de Tramagal, pedreiro de profissão, Moura dedicou grande parte da sua vida a um simples, mas vital gesto: dar sangue. O seu lema, “Dar sangue é dar vida”, tornou-se mais do que uma frase — foi a máxima que guiou o seu percurso como dador benévolo, ajudando a salvar centenas de vidas ao longo dos anos.

Hoje, aos 77 anos, impedido de continuar a doar por razões de idade e de saúde, Manuel Moura sente um misto de orgulho e frustração. Orgulho pelo contributo que deu. Frustração por não poder fazer mais, sobretudo numa altura em que os hospitais enfrentam uma preocupante escassez de sangue.

“Gostava muito de ainda poder dar sangue, mas agora é a vez dos mais novos. Um pequeno gesto pode fazer toda a diferença”, afirma emocionado. Para Manuel Moura, que começou a trabalhar aos 13 anos na agricultura, a dádiva de sangue não é apenas um ato médico — é um gesto de amor ao próximo, um compromisso com a vida.

Dador de sangue durante 30 anos, Manuel Moura apela aos jovens para dádiva benévola. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL MOURA, ANTIGO DADOR BENÉVOLO DE SANGUE:

O antigo dador deixa um apelo sentido à juventude: “Estiquem o braço. Sejam dadores. É fácil, é seguro e pode salvar alguém que está à espera de uma transfusão para viver.”

Num tempo em que os hospitais enfrentam carências crescentes nos bancos de sangue, o exemplo de Manuel Moura é lembrete inspirador do poder da solidariedade e da importância de cada contributo individual. Todas as pessoas que cumpram os requisitos de elegibilidade básicos para a dádiva de sangue podem candidatar-se a realizar uma doação: mais de 18 anos de idade, de 50Kg de peso e com estilos e hábitos de vida saudáveis, segundo a informação publicada AQUI pelo Serviço Nacional de Saúde.

Também os três hospitais do Médio Tejo, em Abrantes, Tomar e Torres Novas, têm os serviços de colheita disponíveis para recolha de sangue aos dadores benévolos em dias e horários que pode consultar AQUI.

Uma dádiva de sangue pode ajudar a salvar várias vidas e leva em média apenas 30 minutos. , tendo Manuel Moura sido um exemplo do valor social e humano da dádiva de sangue, tendo apelado a sua prática.

Manuel Moura tem também uma veia poética tendo escrito vários poemas sobre a dádiva de sangue, um dos quais aqui deixamos e que retrata o seu percurso de dador:

Dador de sangue durante 30 anos, Manuel Moura apela aos jovens para dádiva benévola. Foto: mediotejo.net

Poema – ‘Dar Sangue é Dar Vida’:

Era então um adolescente, quando dei sangue a primeira vez
Estaria com medo certamente, ou mal informado talvez
É que muitas histórias se contavam, à volta deste gesto humanitário
Que muitos jovens pensavam, ser isto um conto do vigário

Já dei tantas vezes que nem sei, nem me interessa saber
Só sei que enquanto poder darei, sem nada querer receber
Só o orgulho de ser dador, faz de mim um campeão
Porei sempre o meu coração, ao dispor de um qualquer cidadão

Dar sangue é dar vida, é algo que me orgulha e enriquece
Gesto que dá luz a uma esperança perdida, é um passo que nunca se esquece
Mas meu amigo acredita, na minha palavra honrada
Que dar sangue é coisa bonita, e o resto é conversa fiada

É o meu coração, como uma santa nascente
De um líquido preciosa e são, ao dispor de toda a gente
Quando o meu braço estendo, para o gesto mais nobre do Mundo
É como se estivesse querendo, dar vida a um moribundo

Aos jovens do meu País. eu peço com emoção
Vem dar sangue e sê feliz, dá saúde ao teu coração

Poema de Manuel Moura

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Entre na conversa

1 Comment

  1. Bom dia!
    Parabéns pela reportagem, o Manuel Moura é um poeta, é altruísta e tem bom coração, merece todos os elogios!
    Estive para fazer essa reportagem, por falta de tempo não avancei, ainda bem que deram o devido destaque ao Manuel, um amigo do Tramagal.
    Um abraço,
    Carlos Maia

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *