O Edifício Pirâmide, em Abrantes, recebeu esta quinta-feira o encontro “TRANSFORMação”, uma iniciativa promovida pela Associação Vidas Cruzadas que pretendeu destacar a importância de prevenir lesões e promover a saúde mental e física no contexto do trabalho social. A sessão, que reuniu especialistas das áreas da psicologia, fisioterapia, nutrição e exercício físico, surgiu de uma reflexão interna da associação sobre a necessidade de cuidar também de quem cuida.
Durante a sessão de abertura, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, destacou a importância do trabalho desenvolvido pela Associação Vidas Cruzadas e por todas as instituições sociais do concelho, sublinhando o papel fundamental que desempenham junto da comunidade.
O autarca aproveitou também para reforçar a pertinência do tema do encontro, centrado no autocuidado e na saúde dos profissionais do setor social. Recordando experiências recentes, o presidente reconheceu que “muitas vezes trabalhamos para os outros e esquecemo-nos de nós próprios”, salientando a necessidade de cuidar de quem cuida.




“Se os cuidadores não estiverem bem, nada pode acontecer”, afirmou, dirigindo ainda uma mensagem à equipa da autarquia. “Levo daqui o recado de que é preciso cuidar das nossas pessoas, criar boas condições de trabalho e respeitar muito as instituições e os profissionais que colaboram connosco”, concluiu.
O programa contou com a participação de Patrícia Alves, psicóloga, que abordou os riscos psicossociais associados ao exercício da profissão e as formas de os minimizar. Élia Batista, nutricionista, sublinhou a importância da nutrição na performance laboral, enquanto Ana Filipa Ricardo, fisioterapeuta, falou sobre as lesões relacionadas com o trabalho e como a fisioterapia pode ajudar a prevenir e tratar esses problemas. O painel foi moderado por Jerónimo Belo Jorge, jornalista da Antena Livre.
Segundo Vânia Grácio, presidente da Associação Vidas Cruzadas, o evento representa uma mudança de foco nas atividades promovidas pela instituição. “Ao longo dos anos temos vindo a realizar alguns eventos mais formativos dentro das nossas áreas de intervenção. Este ano decidimos fazer algo diferente, porque estamos constantemente a absorver informação, mas cuidamos muito pouco de nós”, sublinha.

Em declarações ao nosso jornal, após o final da sessão, a dirigente explicou que a iniciativa nasceu de uma decisão conjunta da equipa, que reconheceu a importância de criar um espaço de autocuidado e de aprendizagem prática.
“Em equipa decidimos que seria importante cuidarmos de nós e termos aqui alguns profissionais da área da fisioterapia, da nutrição e da saúde mental que nos viessem dar estratégias para podermos cuidar de nós, para depois podermos cuidar de todos. Se nós não estivermos bem, quer a nível físico, quer emocional, não vamos conseguir dar uma boa resposta”, acrescenta.
A preocupação da associação vai além do desempenho profissional. Vânia Grácio sublinha que o bem-estar dos colaboradores é essencial não só para quem procura apoio, mas também para o equilíbrio pessoal de cada trabalhador.
“Queremos que os nossos trabalhadores se sintam bem, com capacidade para ajudar quem nos procura, pessoas que já estão, muitas vezes, em situações de fragilidade. E, ao mesmo tempo, que consigam estar bem para voltar a casa no final do dia e cuidar da sua família e de si mesmos”, reforça.
A presidente lembra ainda que o trabalho social implica longas horas em frente ao computador e um forte envolvimento emocional com os problemas das famílias acompanhadas.




“É um trabalho muito exigente, tanto física como emocionalmente. Passamos muitas horas sentados e, ao mesmo tempo, levamos para casa as preocupações das pessoas com quem trabalhamos. Acabamos por refletir sobre o que correu bem ou mal, e sobre o que podemos fazer de diferente para ajudar”, admite.
Nesse sentido, o encontro “TRANSFORMação” procurou oferecer estratégias concretas para melhorar o equilíbrio físico e emocional no ambiente profissional.
“Trouxemos os cuidados ao nível dos riscos psicossociais e da saúde, como é que nos podemos proteger e cuidar de nós. Pequenas coisas que podemos fazer no dia a dia, tanto enquanto trabalhadores como enquanto entidade patronal, para criar um ambiente de trabalho mais saudável”, explica.
Entre os temas abordados estão também a alimentação e a postura física, aspetos que, segundo Vânia Grácio, têm impacto direto no bem-estar e no desempenho.
“Se não estivermos bem nutridos, o próprio sal, por exemplo, pode aumentar o stresse. Pequenos cuidados na alimentação e na postura ajudam-nos a prevenir dores e lesões, e a proteger a nossa saúde física”, conclui.



