Nos próximos dias vamos partilhar os olhares de pessoas da nossa região pelo mundo, nestes tempos de pandemia. Hoje a palavra é dada a Ana Isa Folgado, de Torres Novas, auxiliar de vida ao domicílio na Córsega (França).
“Ruas e transportes públicos encontram-se quase desertos apesar do sol que começou a brilhar sobre a cidade, e máscaras e luvas tornaram-se acessório comum.”
Ana Isa Folgado – Natural de Torres Novas, 27 anos, auxiliar de vida ao domicílio em Córsega (França)
Tudo começou por uma reportagem a falar do Covid-19. Rapidamente a Itália estava contaminada e nós aqui, tão perto da Sardenha, ainda não tínhamos nenhum casa. No entanto, uma vez que todos os dias vêm e vão barcos de Itália para a Córsega, sabíamos que mais cedo ou mais tarde o vírus iria chegar.
Quando na Córsega já havia 20 casos, onde eu me encontro, na parte Norte, ainda não havia registos. Bastou uma semana e já tínhamos seis casos.
Quando na quarta-feira, dia 11, o ministro informa às 18h00 que as escolas iriam fechar por tempo indeterminado, tudo acelerou. Neste momento encontra-se tudo fechado, à exceção de bancos, farmácias, tabacarias e lojas de alimentação. Para podermos sair de casa temos que ter um atestado para provar que vamos a um sítio de primeira necessidade. A falta deste papel leva a uma coima entre 153 euros a 400 euros.
No momento em que escrevo contamos na ilha com com 168 casos e sete mortes por Covid-19.
Em relação ao trabalho, tive que parar por tempo indeterminado porque trabalho numa área medico-social, onde são praticamente pessoas só de idade. Para não correr riscos, uma vez que tenho três filhos, optei por pôr assistência à família.
