O projeto de construção da Barragem do Pisão, no concelho do Crato (Portalegre), vai contar com um reforço superior a 20 milhões de euros, face aos 120 milhões de euros iniciais, indicou a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA). O novo contrato de financiamento foi assinado entre o presidente da CIMAA, Hugo Hilário, e a Estrutura de Missão do PRR.
A CIMAA), que gere este projeto, também conhecido por Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos (EAHFM) do Crato, indica em comunicado que, na sequência da atualização da reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o projeto passa a ter uma dotação superior a 141 milhões de euros.
“Com a atualização da reprogramação do PRR, o projeto da Barragem do Pisão passa a ter uma dotação de 141,263 milhões de euros, ou seja, um reforço superior a 20 milhões de euros, face ao inicial de 120 milhões de euros”, lê-se no documento.
A cerimónia de assinatura do novo contrato de financiamento do EAHFM do Crato com a Estrutura de Missão do PRR decorreu no sábado, na aldeia de Pisão, tendo a mesma contado com a presença do primeiro-ministro, António Costa.
Hugo Hilário assinalou na sua página pessoal aquele que considerou como um dia histórico. “Ontem vivemos um dia particular, partilhámos um momento especial, fizemos história pelo nosso Alto Alentejo”, escreveu o autarca de Ponte de Sor, que preside também à CIMAA.
“Uma CIM assumir a responsabilidade de um projeto que envolve todo um distrito, num investimento superior a 120M€ e hoje reforçado em quase 20%, em mais 20 milhões de euros, é certamente um caso único. Todos tínhamos a noção do trabalho e das dificuldades que nos esperavam, pela grandeza do investimento, pela sua especificidade, pela sua complexidade, pela multiplicidade de valências e pelas áreas de intervenção que eram necessárias mobilizar. Tudo sob a responsabilidade de uma pequena estrutura orgânica como a da nossa CIMAA. Pequena em meios, mas grande em vontade e com competência para abraçar este desafio e fazer história”, realçou, falando no concretizar de um “sonho”.




O EAHFM do Crato vai envolver um investimento total que ronda os 192 milhões de euros, dos quais mais de 141 milhões de euros estão inscritos no PRR.
O projeto inclui ainda a construção de uma central fotovoltaica flutuante, de 150 megawatts (MW), cujo investimento, no valor de cerca de 51 milhões de euros, não está inscrito no PRR.
Entre outras componentes, estão ainda contempladas no projeto, além da barragem e da central fotovoltaica, uma central mini-hídrica e canais da estrutura de regadio para a agricultura e sistema de abastecimento público de água.
De acordo com o Governo, a barragem vai permitir “regar cerca de 5.500 hectares”.
Segundo o cronograma submetido pela CIMAA à Comissão Europeia, as obras de construção da Barragem do Pisão estarão terminadas em julho de 2026.
A CIMAA indica ainda que a futura estrutura vai surgir numa área de 10 mil hectares, ficando submersa a aldeia de Pisão, que atualmente conta com cerca de 70 moradores e 110 casas.
A albufeira, uma reivindicação histórica da região, vai também garantir o abastecimento às populações dos concelhos de Alter do Chão, Avis, Crato, Fronteira, Gavião, Nisa, Ponte de Sor e Sousel, num total de cerca de 55 mil pessoas.
No comunicado, a CIMAA sublinha que a Barragem do Pisão “é o mais importante investimento alguma vez realizado em todo o Alto Alentejo”, com capacidade para “modificar de forma significativa” as oportunidades de desenvolvimento, captação de investimento e sustentabilidade no distrito de Portalegre, que é composto por 15 concelhos.
“A concertação de 15 municípios, que se alinham em torno deste projeto, cujo potencial ambiental, agrícola, económico e social é considerado, por todos, como uma âncora de desenvolvimento para a região”, acrescentam.
A CIMAA sublinha ainda que o projeto permitirá reforçar o abastecimento de água a oito concelhos, tendo ainda o empreendimento uma capacidade de “produção sustentável de energia”, capaz de “satisfazer mais de 50%” nas necessidades de consumo energético de todo o Alto Alentejo.
“A sua futura área de regadio garantirá ao Alto Alentejo uma agricultura mais sustentável ao utilizar novas técnicas nas culturas tradicionais e, simultaneamente, ao permitir a aposta na implementação de novas culturas, que serão um contributo importante para atingir a autossuficiência do território em termos de produção agrícola”, acrescentam.
c/LUSA
